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  • sexta-feira, 21 de agosto de 2015

    Carta sem noção

    Tem momentos na vida que o melhor, diante da falta de argumentos convincentes, é refletir em silêncio e esperar a hora. Aliás, foi justamente por falarem demais, prometendo o que não poderiam entregar, que os parlapatões do momento conduziram toda uma nação portais adentro da maior crise de todos os tempos.

    Nesses últimos 10 anos, o abuso da oratória vazia de palanque e o recorrente uso da comunicação de massa para pregar a divisão interna entre eleitos e degredados fez o que fez. Causa surpresa o manifesto que vem a público agora assinado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e pelas confederações nacionais da  Indústria (CNI), do Transporte (CNT) e da Saúde (CNS). Intitulado Carta à Nação, o documento, cheio de lugares-comuns, se mostra mais como uma tentativa tardia dessas entidades em marcar presença, na undécima hora, saindo da longa letargia em que se recolheram nesses anos todos.

    O Brasil, dizem os signatários, “se encontra numa crise ética, política e econômica que demanda ações imediatas para sua superação. Independentemente de posições partidárias, a nação não pode parar nem ter sua população e seu setor produtivo penalizados por disputas ou por dificuldades de condução de um processo político que recoloque o país no caminho do crescimento.”


    As duas décadas de censuras políticas e cassações do regime militar vieram se juntar a mais 10 anos de aparelhamento ideológico sistemático das principais instituições do país. O resultado desses 30 anos do exílio do pensamento e da razão foi a formação de uma elite abúlica e de instituições chapa-branca. A convocação dos militantes da União Nacional dos Estudantes para virem às ruas contra o que chamam de golpe confirma o adestramento e o esvaziamento dessas entidades.

    Pregar a realização de “um forte investimento em infraestrutura, em parceria com a iniciativa privada nacional e estrangeira, para retornar o processo de crescimento econômico”, como quer fazer crer a carta, é tentativa de remontar o mesmo espetáculo do crescimento, com os mesmos atores, repetindo fórmula que resultou no encarceramento da maioria daqueles que não gozavam do chamado foro privilegiado. Buscar protagonismo quando a orquestra já anuncia a derradeira valsa faz parecer não acreditar na inteligência do eleitor. O papel principal cabe hoje à parcela da populção que, depois de se ver órfã, foi para as ruas sozinha, se juntar a outros tantos milhões de desamparados.

    - A frase que foi pronunciada
    “Nós juristas, nós advogados, não somos os instrumentos mercenários dos interesses das partes. Temos uma alta magistratura, tão elevada quanto os que vestem as togas, presidindo os tribunais; somos os auxiliares naturais e legais da Justiça; e, pela minha parte, sempre que diante de mim se levanta uma consulta, se formula um caso jurídico, eu o encaro sempre como se fosse um magistrado a quem se propusesse resolver o direito litigiado entre partes. Por isso, não corro da responsabilidade senão quando a minha consciência a repele.”
    (Rui Barbosa)



    Por: Ari Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Com: Circe Cunha – Correio Braziliense – Foto Google

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