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  • segunda-feira, 24 de agosto de 2015

    Desratização da política

    Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência da República, depois de quase duas décadas de ditadura militar e da aventura yuppie de Fernando Collor, parecia que um sonho democrático se transformava em realidade. Tudo era muito simples: bastava desbancarmos os militares e elegermos os nossos representantes. Fernando Henrique e Lula éramos nós no poder.  Mas logo o sonho revelaria a face do pesadelo que estamos vivendo nos dias de hoje.

    Para o nosso espanto e revolta, Fernando Henrique se envolvia em negociações nebulosas com Antônio Carlos Magalhães, José Sarney e outras raposas servis ao regime militar, no gênero toma lá e dá cá. Nós nos julgávamos traídos, mas FHC nos ensinava, dava-nos  dura lição de realidade: no sistema político vigente, a governabilidade tem um preço muito alto. Não se governa no Brasil sem os achacadores do PMDB, partido de aluguel a serviço de quem estiver no poder, não importa a coloração ideológica.

    Na arquibancada da oposição, um dos mais indignados  era Lula; ele estrebuchou e se desgrenhou contra as alianças espúrias. No entanto, o que fez Lula quando substituiu Fernando Henrique na Presidência da República? A mesmíssima coisa, com o agravante que a turma dos tais aloprados do seu partido aperfeiçoou o método de negociação e transformou as alianças espúrias em um pacto sinistro com o chamado Mensalão.

    O pesadelo só estava começando e mostraria sua face verdadeira com o escândalo do Petrolão. Toda essa volta, é uma tentativa de chegar ao óbvio.  No momento em que milhares de pessoas saem embandeiradas pelas ruas do país para protestar contra a corrupção, execrar o PT e pedir a saída de Dilma do governo, é preciso lembrar que a desratização do Brasil passa, necessariamente, pela reforma política e pelo fim do financiamento de empresas.  Elas são as verdadeiras fontes da corrupção sistêmica que tomou de assalto o país.

    As investigações da Operação Lava Jato revelaram que há conexões estreitas entre a roubalheira na Petrobras e as falcatruas na construção de estádios para a Copa ou nas usinas do sistema elétrico. O financiamento de empresas é a matriz da corrupção, da deformação e da desqualificação que transformou a política em um processo de seleção dos piores elementos da sociedade e não dos melhores.  É ele que viabiliza a reeleição de bandidos de carteirinha que deveriam estar trancafiados na Papuda, frequentam os gabinetes da República e decidem o nosso destino.

    Com esse dinheiro sujo, eles compram  votos, eleitores, mandatos, projetos de lei e até juízes. Graças a ele, o crime compensa. As manifestações de rua são altamente positivas.  Mas, em vez de atirar a esmo em muitas direções, elas deveriam se concentrar nos dois alvos: a reforma política e o fim do financiamento de empresas. A riqueza das campanhas levou ao delírio do roubo e quase quebrou o país. A desratização da política inclusive tornaria Brasília um lugar muito mais salubre, pois os brasilienses decentes são obrigados a conviver, compulsoriamente, com a pior gentalha que nos enviam de vários pontos do país.



    Por: Severino Francisco – Correio Braziliense – Foto: Google

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