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  • terça-feira, 18 de agosto de 2015

    Parlamentares do DF acreditam que Dilma não tem mais a legitimidade para manter governo

    Mesmo do ponto de vista governista, as ruas deixaram clara a necessidade de ações urgentes do Palácio do Planalto para garantir a continuidade do governo do PT

    Não há mais tempo nem para desculpas. Na análise de parlamentares brasilienses de oposição, as manifestações do último domingo carimbaram a legitimidade da presidente Dilma Rousseff. Mesmo do ponto de vista governista, as ruas deixaram clara a necessidade de ações urgentes do Palácio do Planalto para garantir a continuidade do governo do PT.

    “O pedido de desculpas agora é ineficiente e insuficiente para o momento do País. Não acho que exista mais tempo para desculpas. As ruas mostraram que a presidente já não tem mais legitimidade para fazer as mudanças necessárias para a população. E, para continuar, ela está negociando o inegociável”, afirmou a presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputada Celina Leão (PDT). 

    Para Celina, o caso das pedaladas fiscais, em análise no Tribunal de Contas da União, é suficiente para o abertura de um processo de impeachment. Para o senador Cristovam Buarque, a manifestação mostra que as urnas não estão sintonizadas com as ruas e Dilma não está sabendo como recuperar a credibilidade.

    Pode ficar nas ruas
    “O povo não se mobilizou ontem. Ele está e continua mobilizado há 2 anos. Vai às ruas pontualmente e discute a todo momento nas redes sociais, blogs. Dilma tem que entender isso. Porque, em algum momento, o povo sai para a rua e não volta mais. E quando ele fica nas ruas dois ou três dias, governos caem. Como aconteceu na Ucrânia”, ponderou Buarque.

    O distrital Lira (PHS) avalia que Dilma está perdida politicamente. O parlamentar defende, abertamente, que a presidente renuncie ao cargo. “Não estou torcendo contra. Mas a situação do governo é insustentável. Na minha análise, a presidente deveria pedir a renúncia, antes que o Brasil decrete falência”, completa o deputado Wellington Luiz (PMDB).

    Crítico ferrenho do recente acordo entre o Planalto e o presidente do Senado, Renan Calheiros, o distrital Raimundo Ribeiro (PSDB) considera que a falta de credibilidade de Dilma levará, naturalmente,  a um processo de impeachment.

    O deputado federal Augusto Carvalho (SD) participou da manifestação. “A presidente deve desculpas aos brasileiros. Mas não sei mais se alguém ainda vai acreditar”, declarou.  Carvalho faz questão de ressaltar que a abertura de um processo de impeachment só pode partir de fatos concretos.

    Perda de poder aquisitivo está nas origens
    As manifestações ainda não mobilizaram as classes mais humildes da população, pelo diagnóstico do deputado Israel Batista (PV). Segundo distrital, até o momento, as mobilizações contra Dilma estão concentradas na classe média, com raízes na perda do poder aquisitivo.

    “A motivação da crise é econômica e o combustível é o cenário de desgaste ético em que se encontra o governo”, explicou. Por lado, o deputado Juarezão (PRTB) contou que, conversando com a população mais pobre do DF e de Goiás, escuta relatos de descontentamento. “Por todo o Brasil, o povo está indignado. O Governo Federal tem que ficar de orelha em pé”, completou.

    Novos focos
    O deputado Robério Negreiros (PMDB) destacou que as manifestações passaram a ter foco contra a presidente Dilma, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, o PT e em parte o próprio PMDB, em função da aliança do governo com o presidente do Senado, Renan Calheiros.
      
    O parlamentar acrescentou que as ruas apoiaram o juiz Sérgio Moro, responsável pelo julgamento da Operação Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção na Petrobrás. Atualmente, este caso é uma das principais causas de desgaste do Planalto, mesmo não havendo provas contra Dilma, até o momento.
         
    “Mesmo que o PMDB esteja em menor proporção envolvido, na condição de  cidadão, acho que o Brasil precisa buscar melhorias, com ou sem o impeachment”, afirmou Negreiros. Na leitura da deputada Sandra Faraj (SD), as manifestações revelaram que a população ficou intolerante à corrupção.

    Até os petistas cobram rapidez
    Defensor de primeira hora do governo Dilma, o deputado Chico Vigilante (PT) julga que o Palácio do Planalto precisa tomar medidas urgentes. Segundo o distrital, a presidente Dilma deve continuar  a linha de frente governo indo para as ruas. Postura que Dilma mostrou  na semana passada, quando cumpriu uma intensa agenda de eventos por todo o Brasil. 

    “Ela precisa fazer uma reforma ministerial urgentemente, mantendo no governo apenas os aliados verdadeiros”, sugeriu. Vigilante também avalia que o Planalto deveria lançar programas  para diminuir  desemprego, combater a corrupção e taxar as grandes fortunas.

    Vigilante acredita que as manifestações não alcançaram a população mais humilde. “A manifestação foi da elite. O povo trabalhador ficou em casa. O povo trabalhador não viu motivo para protestar”, criticou o parlamentar.

    Aos olhos do distrital Joe Valle (PDT) a manifestação do final de semana foi mais fraca em comparação com as últimas mobilizações. O distrital credita este fato ao “banho de humildade” que o governo federal passou a adotar desde a semana passada. Para Valle, a  aliança entre o Planalto e o Senado também pesaram a favor de Dilma. 
          
    Para o  distrital Chico Leite (PT),  toda manifestação é importante para a democracia, seja que posição expressar. “O tempo depura o que for meramente oportunismo ou apenas defesa de interesse individual ,encoberto sob o manto da causa coletiva", afirmou.

    Hora de decifrar
    Na análise do deputado federal  Rogério Rosso (PSD), o Palácio do Planalto deve decifrar as manifestações. “Boa parcela da população está pedindo mudanças, melhores resultados”, apontou.    Do ponto de vista de Rosso, o governo deve centrar esforços no fortalecimento da economia, exorcizando o fantasma da inflação.

    “A presidente Dilma está muito serena e tem se esforçado para superar a crise. Ela está colocando menos filtros para falar com a sociedade e com políticos”, concluiu.

    FHC sugere renúncia a Dilma
    Um dia após as manifestações, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deu ontem seu mais duro recado ao governo Dilma Rousseff e seu partido, o PT. Para FHC, o "mais significativo das demonstrações é a persistência do sentimento popular de que o governo, embora legal, é ilegítimo".

    O tucano foi além e disse que Dilma precisa ter "um gesto de grandeza" e cita a renúncia como um dos caminho disponíveis à petista.

    "Se a própria presidente não for capaz do gesto de grandeza (renúncia ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional), assistiremos à desarticulação crescente do governo", prevê o tucano.

    FHC diz que falta ao atual governo a "base moral, que foi corroída pelas falcatruas do lulopetismo".

    "Com a metáfora do boneco vestido de presidiário, a presidente, mesmo que pessoalmente possa se salvaguardar, sofre contaminação dos malfeitos de seu patrono e vai perdendo condições de governar."

    O ex-presidente falou sobre o assunto em texto publicado ontem em sua página de uma rede social. Ao final, diz que sem um mea-culpa ou a renúncia, a situação se agravará "a golpes de Lava Jato", e arremata: "Até que algum líder com força moral diga, como o fez Ulysses Guimarães a Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais".

    Poupado e despreocupado
    Poupado nas manifestações ocorridas no domingo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou não ter ficado aliviado nem preocupado. Investigado na operação Lava Jato, Cunha foi pouco citado nas ruas.

    "Não tem alívio nem preocupação. Sempre disse que manifestação ordeira pode fazer contra mim sem nenhum problema", disse Cunha, após encontro da bancada do Rio com o governador Luiz Fernando Pezão.

    Boneco inflável irrita ex-presidente
    O Instituto Lula reagiu à imagem do boneco inflável gigante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pintado com um uniforme listrado de presidiário e com o número "13-171" que circulou na manifestação de domingo em Brasília.  O boneco, para os manifestantes que o levaram à Esplanada, representava o alvo maior dos protestos. 

    A nota do Instituto Lula não faz referência ao boneco. Declara que, “Lula foi preso na ditadura porque defendia a liberdade de expressão e organização política. O povo brasileiro sabe que ele só pode ser acusado de ter promovido a melhora das condições de vida e acabado com a fome de milhões de brasileiros, o que para alguns, parece ser um crime político intolerável. Lula jamais cometeu qualquer ilegalidade antes, durante ou depois de seus dois governos”.

    Mesmo assim, o vínculo com o boneco inflável foi feito pelo próprio Instituto, ao divulgar a nota como resposta a uma mensagem da TV Globo. A emissora pedira ao ex-presidente uma posição relativa  relação aos protestos contra ele e ao boneco que o representava vestido como presidiário. O título da nota do Instituto é justamente “Resposta a pergunta da TV Globo”.

    Clima de pessimismo
    Um dia após multidões contrárias à presidente Dilma Rousseff voltarem às ruas pela terceira vez em cinco meses, o governo avaliou que é preciso "quebrar o clima de pessimismo" e garantir condições econômicas "para que o País volte a crescer com geração de emprego e distribuição de renda".

    A avaliação foi feita durante reunião da coordenação política do governo, ontem, em que Dilma e o vice-presidente Michel Temer reuniram 12 ministros e os líderes do governo no Congresso.

    "As medidas estão sendo tomadas para que esse ambiente seja superado em breve", disse o ministro Edinho Silva, da Comunicação Social.


    Fonte: Francisco Dutra - Especial para o Jornal de Brasília

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