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  • sexta-feira, 25 de setembro de 2015

    A arrogância matou o PT

    Desolado, cabeça encostada em uma das paredes do anexo do Planalto, um petista de carteirinha lembrou-me uma frase dita por um dos ícones pop da esquerda, o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara: “A arrogância matou a revolução e a guerrilha”. Para completar, em seguida, com um olhar triste de quem viu a utopia se perder pelo pragmatismo. “Erramos muito nesses últimos três anos. Concordo com Che. A arrogância matou o PT”,  disse-me ele.

    Aos defensores do impeachment e críticos dos anos petistas no poder, pode parecer frase cínica dita por alguém que viu os seus ídolos serem flagrados em malfeitos. Mas não. É análise precisa, ressentida e dolorida de alguém que foi chão de fábrica, que viu a ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva desde os tempos do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo até chegar à Presidência da República em 2002.

    “Nós erramos muito. E erramos nas relações políticas com todos aqueles que estiveram no nosso caminho”, disse-me o militante. Para ele, o PT errou ao adotar um “relacionamento comercial com a direita”, ao não saber dosar o enfrentamento político, errando na avaliação quanto ao momento de atacar e de conciliar-se.

    O PT também foi arrogante na relação com os aliados, ao pensar que era homogênico e canibalizar os aliados de esquerda. Isso teria levado ao rompimento com o PSB. O divórcio com os socialistas e a morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo de 2014 foram um desastre para a democracia. “Perdemos uma opção de candidatura e aliança pela esquerda”, lamentou.  Errou também no trato com o vice. “Ele tem um histórico democrata. Não podíamos fazer o que fizemos com ele”.

    Por fim, o PT teria sido arrogante na relação com os movimentos sociais. Era natural que esses ocupassem setores do governo em 2003, quando Lula chegou ao poder. Mas a continuação desse processo foi péssimo pois, agora, manietados pelos gabinetes de Brasília, os representantes da sociedade civil organizada não conseguem implantar suas bandeiras no governo e tampouco manter o poder de mobilização das ruas. Morreram nas duas extremidades. “Sou apenas militante. Mas sei que muitos de nós têm esse mesmo sentimento”, resumiu o petista, desaparecendo nos corredores do Planalto.


    Por: Paulo de Tarso Lyra – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog/Google

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