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  • segunda-feira, 14 de setembro de 2015

    À BEIRA DE EXPLOSÕES E CONVULSÕES

    Carlos Chagas
    Confirmando o comentário de mestre Hélio Fernandes de que, no Brasil, o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera, assistimos a primeira metade de setembro aumentar as agruras nacionais. Mais grave do que a desclassificação de nossas potencialidades econômicas está o desemprego em massa que o governo esconde, tanto quanto a mídia.  Chegaremos ao final do mês com dois dígitos, ou seja, com mais de 10 milhões de cidadãos que já tiveram e agora não têm mais emprego. Nem se pense no fim do ano, que fatalmente aumentará esse número. Fazer o quê?
    Madame não sabe.  Nem ela nem seus ministros. Muito menos o Congresso. O empresariado dá de ombros, empenhado em compensar a redução de lucros com as dispensas sucessivas. As lideranças sindicais curvam-se a bissextos expedientes do tipo redução de salários e jornada de trabalho, cientes de ser essa apenas uma etapa no rumo de mais desemprego.
    O triste nessa história é que todos os capacitados a encontrar soluções estão empregados e sem ameaça de ficar sem trabalho. Estão garantidos deputados, senadores, ministros, tecnocratas, patrões e sindicalistas beneficiados pela estabilidade. Os outros que se danem, ainda mais restritos a um vergonhoso salário mínimo. Onde o processo vai dar é um mistério. Não erra, porém, quem supuser explosões e convulsões sociais em ritmo crescente.
    INCURSÃO INEXPLICÁVEL
    Estaria a crise na Argentina mais aguda do que no Brasil? Os números dizem que não, apesar de os portenhos enfrentarem parcelas de desemprego e inflação, mas como se justificará o engajamento do Lula na campanha presidencial dos nossos hermanos? Terá o primeiro-companheiro influência na decisão dos descamisados de lá? Os principais jornais de Buenos Aires, bem como o noticiário da  televisão, abrem espaço para a Operação Lava Jato e os escândalos verificados na Petrobras e adjacências, com ênfase para a participação do PT. Quantos votos terá o Lula conquistado para o candidato da presidente daquele país?
    GOVERNADORES EM DEBANDADA
    O palácio do Planalto tenta mobilizar os governadores, mesmo os da oposição, para um apoio maciço à ressurreição da CPMF,depois dessa nova maldade  ter sido anunciada e abandonada pela presidente Dilma. Parece difícil, pois os governadores andam com a popularidade lá em baixo, sem maior influência junto aos deputados e senadores de seus estados. Defender mais impostos, positivamente, não é a praia deles.
    BRIGA DE FOICE
    Anuncia-se para o final do mês o anúncio dos dez ou mais ministérios que serão extintos, mas é provável a frustração  de expectativas, pois todos os partidos com representação na equipe de governo reagem com virulência diante da hipótese de perderem espaço. Não se trata apenas de um confronto entre PT e PMDB, pois mais irritados com a vassourada são os pequenos partidos, daqueles com apenas um ministério. Ameaças tem chegado ao gabinete da presidente Dilma, na base da retirada de apoio parlamentar ao governo, no Congresso. Pode ser que a montanha gere um rato, na hora da decisão.

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