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  • domingo, 13 de setembro de 2015

    À QUEIMA-ROUPA: Lúcio Rennó, Presidente da Codeplan


    Lúcio Rennó, Presidente da Codeplan

    A economia do DF caiu no segundo trimestre consecutivo, como mostrou estudo do Índice de Desenvolvimento Econômico (Idecon) do DF, registrado pela Codeplan. A que se deve isso?
    A crise econômica e política que assola o país, a redução da capacidade de investimento e compra do Estado no DF e Brasil, o desaquecimento do mercado imobiliário, índices altos de desemprego, diminuição na oferta de crédito, combinado com juros e inflação alta inviabilizam qualquer possibilidade de crescimento econômico. Há retração, mas ela foi menor no segundo trimestre do que no primeiro. É importante destacar que, ao contrário do Brasil, a situação do DF dá sinais de recuperação. 

    Nos serviços, atividade mais forte no DF, também houve retração, com forte impacto no comércio. Os moradores do DF estão com medo de gastar?
    A redução nas oportunidades de crédito, os juros altos e o aumento de preços exigem do consumidor maior rigor e cautela no momento das compras. Os bons negócios escasseiam e isso faz com a maioria da população reduza seus gastos. Isso aconteceu principalmente com eletrodomésticos (29,9% de redução), veículos (18,5% de redução) e material de construção (11,9% de redução).

    Mesmo a agropecuária sendo parte pequena da economia do DF, não deixa de ser preocupante ver que houve uma queda de mais de 20% no setor no segundo trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado. O que provocou isso?
    Problemas climáticos estão na essência do problema. Houve muita chuva no começo do ano e estiagem prolongada mais recentemente. Cabe destacar que as áreas plantadas no DF são pequenas, o que torna os resultados dessa atividade econômica especialmente sensíveis a eventos climáticos, pragas e outros fatores.

    Nossa economia no DF é baseada principalmente na renda do servidor público. O que pode acontecer se houver atraso de pagamentos da folha de pessoal do GDF neste fim de ano, com o agravante de o governo federal ainda ter anunciado cortes em ministérios?
    A capacidade de compra e investimentos do governo está completamente comprometida pelos gastos com pessoal e custeio, que são muito engessados. O governo terá que fazer cada vez mais cortes para poder honrar contratos vigentes, equacionar dívidas do passado e pagar salários. Capacidade de investimento e compra, nem pensar. A situação é dramática.

    É possível prever um cenário assustador no fim do ano?
    Tudo isso aponta para um cenário muito difícil no fim do ano. Contudo, cabe ressaltar que os salários do funcionalismo público são bastante altos, principalmente no GDF: em média, bem superiores aos salários da iniciativa privada. Assim, a capacidade de compra do funcionalismo, mesmo com atrasos salariais, não se dissipará por completo. Mas esses são todos elementos que se retroalimentam, e podem piorar a crise. Há que se ter muita responsabilidade de todos os envolvidos — governo, sindicatos, Câmara Legislativa, servidores — para que possam cooperar e encontrar soluções.

    Na sua opinião, como o DF poderia se blindar para sentir menos os impactos da crise nacional?
    O DF precisa criar mecanismos para estimular a diversificação da economia local, o que contribuiria para aumentar a arrecadação. Uma boa notícia do Idecon é que os serviços de informação e outros serviços, como alojamento e alimentação, continuam apresentado resultados positivos, ou seja, mesmo na crise, há aspectos da nossa economia que continuam a crescer. Um projeto consistente de desenvolvimento, que diminua a burocracia para abertura de negócios e que ofereça estímulos consistentes com contrapartidas claras para empreendimentos novos são muito importantes.


    Fonte: Ana Maria Campos – Coluna “Eixo Capital” – Correio Braziliense – Foto: Google

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