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  • quarta-feira, 9 de setembro de 2015

    ALMIR PAZZIANOTTO PINTO: A decisão caberá ao povo

    A maioria dos políticos cultiva o hábito de analisar os fatos pela lente do seu estado. Encastelada em Brasília, o país é o seu reduto eleitoral; a nação, o círculo interno de negócios e de amizades. Pensa pequeno, age como míope, e reage como provinciana. Poucos tentam alargar os horizontes e entender que, de Uruguaiana a Macapá, de Natal a Rio Branco, as distâncias são extremas, embora menores do que os contrastes culturais, políticos, econômicos.

    A paranoia que tomou conta de algumas pessoas, cuja preocupação se concentra no esforço para derrubar Dilma Rousseff, sugere algumas questões, a primeira das quais é se acreditam que a maioria raciocina como elas. Dilma tem a guarnecê-la o Partido dos Trabalhadores, inconfundível com o Exército de Brancaleone, e legiões de beneficiários do bolsa família. Apesar de prisões e defecções, o PT não deve ser subestimado porque tem muito a perder, e lutará com a faca nos dentes para não decair do poder.

    Mas não apenas o PT. Como linha auxiliar existe a CUT, rica e turbulenta central sindical, cujo presidente convocou os filiados a, se necessário, pegar em armas e cavar trincheiras. À exceção da Força, a serviço dos objetivos de Paulinho, as demais irão às ruas mobilizadas com o dinheiro espúrio do FAT. Além das centrais, o MST, embora longe de ser milícia treinada, disciplinada e equipada, como imagina Stédille, tem no histórico violentas invasões de propriedades rurais indefesas.

    Dilma Rousseff, afinal, não é versão feminina do d. Quixote de la Mancha, o Cavaleiro da Triste Figura, cujo único aliado era o inútil Sancho Pança. Se ocorrer renúncia, inimaginável no caso da obstinada presidente Dilma, ou improvável impeachment, como ficará o país ao se instalar o vazio do poder? Quem a sucederá? Quem recolherá os despojos, com o ônus de convencer o povo de que possui legitimidade para presidir nação dividida e estraçalhada? Como recolocará nos trilhos a economia, o mercado de trabalho, as finanças públicas e privadas, a taxa de juros, a inflação, a ética e a moralidade? Como formará o ministério? Como se articulará com o Senado e a Câmara dos Deputados? Gozará de crédito e se beneficiará de período de trégua que lhe permita governar?

    Ninguém se engane. O povo está impaciente. Quem assumir a Presidência da República sem a consagração das urnas será alvo fácil de ferozes cobranças se não oferecer, em poucos dias, resultados que não conseguiria ao longo de anos. Com escassos recursos, combato o PT e Dilma Rousseff. Não por questões pessoais, que não as tenho, mas por entender que o partido chegou ao governo recorrendo ao populismo demagógico, à falsa promessa de extinguir a pobreza, à mentira, a acusações levianas e à pior corrupção da história.

    É por ser contrário ao PT, a Dilma e  Lula (o breve metalúrgico que, após rejeitar o peleguismo, a ele se associou, discordo da ideia de retirá-la à força da Presidência. Se o povo errou, deve aprender com o erro, para que nas próximas eleições não seja ingênuo e acredite em falsos profetas.

    Ademais, inexiste oposição como força organizada. O PSDB nasceu de divisão, para padecer de falta de coesão e de popularidade. O PMDB está marcado por se associar ao lulismo e dar sustentação a desmandos petistas. Criado como MDB para se opor ao regime militar, à medida que adquiriu poder entrou em crise de identidade. Hoje se sente incomodado por se achar ligado à presidente Dilma, mas não se decide a romper para vir a sentar -se na cadeira presidencial.

    A prudência recomenda que se deixe a decisão por conta do tempo. Afinal, não dispomos de partidos dignos de pertencer à primeira divisão. Todos integram a Série B, com alguns lutando para não serem rebaixados à Série C. A consolidação da democracia longe está de ser assunto encerrado. Ouvem-se aqui e ali protestos em favor do retorno ao autoritarismo, de pessoas que clamam pela volta dos generais.

    Não vejo autoridade na Câmara dos Deputados e no Senado para determinarem o impedimento. A cassação pelo Supremo Tribunal Federal é quase impossível. Em ambos os casos, a Nação será vítima de perigosa fratura, com resultados imprevisíveis. Deixemos o julgamento ao povo, em eleições livres. O voto universal é o único instrumento politicamente válido para pôr e tirar alguém do Poder.



    Almir Pazzianotto Pinto - Advogado, foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho – Fonte: Correio Braziliense – Foto: Google 

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