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  • sábado, 19 de setembro de 2015

    Aposta na crise ou interesses escusos

    Diz o filósofo de Mondubim que, quando a miséria entra pela porta, a vergonha sai pela janela. Durante o período da grande depressão de 1929, a lei da selva retornou às principais metrópoles do planeta, principalmente naquelas em que a crença nos valores da civilização era mais aceita e difundida. Prostituição, contrabando, assaltos, falsificações e contravenções de toda espécie aumentaram assustadoramente. A miséria e a falta de perspectivas empurraram muitas pessoas e até mesmo famílias inteiras para o mundo do crime. Nunca se jogou e bebeu tanto como naquele período. As organizações do crime se fortaleceram e, com elas, aumentaram os casos de corrupção nos serviços públicos. Nem instituições como a polícia e os políticos ficaram de fora.

    Por baixo da miséria material, fermentou-se o caldo da miséria moral. Juntas, essas mazelas galgariam altos postos no comando das cidades. Poucas instituições ficaram a salvo da degradação geral. Numa análise mais detida, é possível constatar que a abdução da classe política, feita pelo submundo do crime, resultou em agravamento sem precedentes do quadro e, na visão da época, tornou ainda mais difícil a solução do caos instalado. Na história, em muitos casos onde polícia e políticos começaram a aparecer juntos na mesma manchete dos noticiários, era sinal de que o Estado estava em via de ser dominado pela bandidagem. Crises são as piores conselheiras.

    Na maioria das vezes, a saída rápida para um problema estrutural e complexo quase nunca é simples e quase nunca se resolve pulando a janela para fugir. Na crise em que está mergulhado o país, para muitos a maior desde sempre, não há soluções fáceis nem remédio eficaz. Não será com arrochos improvisados nos impostos e outras maquinarias que a crise vai arrefecer. Muito menos com a liberação dos jogos de azar e dos cassinos e bingos. Na verdade, a exploração desses negócios muitas vezes é feita por pessoas com sérias dívidas com a Justiça e longas fichas criminais.

    Usar a ideia de taxação sobre o jogos como estratégia para aumentar as receitas da União equivale a negociar a alma da nação, fazendo empréstimos à bandidagem, usando como garantia o bom nome dos cidadãos. Para um Estado em que a segurança pública não controla nem os chefões do crime confinados nas penitenciárias de segurança máxima, controlar os tentáculos da jogatina e seu enorme poder de influência parece até ficção do tipo realismo fantástico.

    A frase que não foi pronunciada
    “Somos árvores. Mostramos as nossas folhas, flores e frutos. Mas não saímos do lugar para efetivamente lutar pelos nossos direitos. A Dilma, sim. Fez isso quando era jovem.”
    (Palavra de um crítico ou admirador?)


    Por: Circe Cunha – Coluna: “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Google/Blog

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