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  • sábado, 19 de setembro de 2015

    #Diagnóstico .(Por:André Gustavo Stumpf)

    Os médicos sabem que quando mais cedo for descoberta a doença, mais fácil será a cura e mais difícil é precisar o problema. Ao contrário, quanto mais tarde vier a ser descoberto o mal, mais difícil é a cura e mais simples será o diagnóstico. Nos anos 1960, o Brasil passou por séria crise econômica. O renomado economista Celso Furtado foi convidado a elaborar o que seria o ajuste fiscal da época. Foi chamado de plano trienal. Era a emergência para salvar o governo João Goulart, envolvido em crise política, inflação elevadíssima e crescimento pífio, depois dos alucinantes anos JK.

    O plano foi elaborado em poucos meses. Seu objetivo era retomar o crescimento do produto interno bruto no nível de 7% ao ano, depois do fracasso completo das políticas econômicas iniciais de João Goulart e também, pela primeira vez, iniciar um plano de distribuição de renda. Esse plano, que partia do princípio da gradual substituição de importações, colocava a culpa da disparada dos preços nos desequilíbrios estruturais da economia brasileira.

    Para alcançar o objetivo planejado, foram alocados 3,5 trilhões de cruzeiros para investimentos, a preços de 1962, supondo que isso ocasionaria aumento da renda per capita. Os objetivos eram contraditórios e o planejamento, equivocado: aumento dos impostos e tarifas, ignorando o efeito sobre os investimentos privados; redução do desperdício público, mesmo assim aumentando os salários; captação de dinheiro do mercado de capitais; e a tentativa de conseguir recursos externos, apesar da crescente hostilidade ao capital estrangeiro.

    Há uma certa similaridade entre os anos 1960 e o atual panorama brasileiro. O discurso do governo de agora é semelhante ao daquela época. A preocupação social revestia as ações do governo. Reforma agrária, na lei ou na marra, o enfrentamento com o Congresso, inflação elevada, descontrole das contas públicas e a dificuldade de chegar a um diagnóstico preciso do que está, de fato, ocorrendo na economia nacional. Hoje, o ministro do Planejamento cuida dos cortes nas despesas federais. O ministro da Fazenda trabalha no lado da elevação da arrecadação. Ficou fácil: cria-se um imposto, a CPMF com outro nome, e trata-se de fazer breve maquiagem nas despesas públicas. Assim a conta fecha. O contribuinte paga.

    Há outra semelhança. Jango era o líder do PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, herdeiro político de Getúlio Vargas. O populismo trabalhista é tradicional no Brasil. Ele atravessa a história e chega ao século 21 agasalhado, ao menos na teoria, pelo PDT, criado por Leonel Brizola, depois que, na redemocratização, ele perdeu a legenda — o PTB, para Yvette Vargas. Essa é a matriz do pensamento atual.

    Coincidência ou não, a presidente Dilma Rousseff iniciou a carreira política dentro do PDT, no Rio Grande do Sul, no governo Alceu Collares. Ela se transferiu para o Partido dos Trabalhadores depois que se acertou com o ex-presidente Lula. Foi ministra de Minas e Energia, presidente do Conselho Deliberativo da Petrobras, chefe da Casa Civil e, finalmente, presidente da República. Antes de chegar ao Palácio do Planalto, jamais concorreu a uma eleição.

    Não há, portanto, nada de novo. A história, ao que parece, está se repetindo. Jango, como se sabe, foi deposto. Era um homem rico. Mas viveu seus últimos dias no exílio. Dilma se esforça para não perder o poder. Ela fala abertamente na possibilidade de golpe e de impeachment. Chama para si os problemas que cercam sua administração. Seus antigos aliados começam a se distanciar do poder. O ex-presidente Lula ainda tenta ajudar, mas procura se proteger porque sonha com a eleição de 2018. Seu desgaste está chegando ao ponto crítico.

    O que se chamava naquela época de república sindicalista comete os mesmos erros. Não reconhece o Brasil como um país maior que suas abstrações. Trata as questões nacionais de maneira provinciana. A política externa foi abandonada. O país vive no território do improviso na política econômica. Não é possível cortar na própria carne porque os sindicatos não aceitam perder o poder. A solução viável é aumentar impostos, o que não agrada à maioria da sociedade. O impasse está sobre a mesa. Alguém terá que ceder. Os números da economia pioram como consequência direta da falta de confiança que o governo inspira. Quanto mais passa o tempo, mais fácil o diagnóstico e mais difícil é a cura. Ao fundo, a Operação Lava-Jato.


    Por: André Gustavo Stumpf - Jornalista – Fonte: Correio Braziliense 

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