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  • quinta-feira, 24 de setembro de 2015

    Em CPI, empresário diz que licitação do transporte no DF foi fraudada

    O empresário Wager Canhedo Filho (à direita) durante depoimento à CPI do Transporte da Câmara Legislativa (Foto: Isabella Calzolari/G1)

    'Quem não contratou Sacha Reck foi excluído', diz Wagner Canhedo Filho. Advogado que atuou em licitação nega irregularidades; ele é réu em ação.

    O empresário Wagner Canhedo Filho afirmou nesta quinta-feira (24) em depoimento à CPI do Transporte da Câmara Legislativa que a licitação realizada em 2012 foi fraudada e que só ganharam a concorrência empresas que contrataram o escritório do advogado Sacha Reck.

    O advogado, que tem escritório em Curitiba, participou da elaboração do edital que renovou o sistema de transporte coletivo da capital e já representou duas das empresas vencedoras da licitação. Sacha Reck nega irregularidade em sua atuação no processo de licitação.

    Em abril, ele e o ex-secretário de Transportes Walter Vazquez se tornaram réus em ação proposta pelo Ministério Público por suposto favorecimento a empresas que disputaram a licitação. O escritório de advocacia do qual Reck era sócio na época da licitação foi um dos alvos da 18ª fase da Operação Lava Jato.

    Canhedo é dono da empresa de transportes Viplan, que operou na capital federal por 44 anos. O empresário disse que a contratação do advogado foi determinada por Walter Vazquez e pelo ex-vice governador Tadeu Fillipelli.


    “Quem não contratou o escritório Sacha Reck, que estava julgando as propostas, foi excluído do processo, independentemente de ter uma tarifa técnica menor. Eu entrei com a minha empresa, tinha uma tarifa técnica menor em todos os lotes e fui excluído porque não contratei o escritório de Curitiba alinhado ao secretário de Transportes e à vice governadoria”, disse Canhedo.

    O empresário afirmou que contrataria o advogado caso soubesse da influência dele no processo de licitação. “Contrataria na medida em que se soubesse que ele iria participar da confecção do edital, do recebimento das propostas, do julgamento das propostas e declarar os vencedores. É claro que iria contratar, mesmo sabendo que ele estaria agindo de forma ilegal, porque isso é ilegal em qualquer lugar do mundo. [Mas] Era a regra do jogo.”

    Os deputados pediram provas documentais sobre as declarações do empresário. Ele disse que os documentos que tinha foram entregues ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Canhedo Filho falou que a receita e a despesa do sistema foram adulterados no certame.

    “Se colocou uma receita maior do que tinha e a despesa menor para manter o sistema em pé e fazer esse modelo de bacia e de tarifa técnica. Na medida em que isso não se confirmou, aí aumenta o subsídio do sistema porque a receita era menor e a despesa, maior”, disse Canhedo.

    O empresário declarou que o modelo de bacias penalizou os usuários. “Nós tínhamos 3,5 mil ônibus operando na cidade e enxergávamos a necessidade de aumentar mais ônibus. Imagina fazendo uma licitação onde se diminuiu mil ônibus do sistema. Penalizou muito mais o usuário”, disse.

    Ônibus que passaram a rodar no DF após licitação do transporte coletivo (Foto: Agência Brasília/Reprodução)

    “Esse sistema de bacia, se for ver hoje, passado um ano que essas
    empresas estão operando, já tem empresa operando em bacia que não ganhou e operando em outras bacias. É um sistema só preparado para que se pudesse ter uma tarifa por quilômetro maior que o passado.”

    Em nota, o ex-vice-governador Tadeu Filipelli disse que “não cabe fazer qualquer consideração à fala do empresário Wagner Canhedo Filho, que está sendo investigado pela Polícia Federal exatamente por criar empresas fantasmas para fraudar o fisco e para disputar a licitação do transporte coletivo do DF”.

    A Transit, associação que representa as empresas que operam no sistema do transporte público do DF, afirmou que só vai comentar o assunto depois de ter acesso à íntegra do depoimento de Canhedo.

    Sacha Reck
    Em mais de uma oportunidade, Sacha Reck negou envolvimento com irregularidades na licitação do transporte coletivo do DF.

    "Esse sistema de bacia, se for ver hoje, passado um ano que essas empresas estão operando, já tem empresa operando em bacia que não ganhou e operando em outras bacias. É um sistema só preparado para que se pudesse ter uma tarifa por quilômetro maior que o passado"
    (Wagner Canhedo Filho, dono da Viplan)

    O Ministério Público, porém, aponta que empresas representadas por Sacha Reck são habilitadas e vencem licitações onde a Logitrans – empresa de consultoria na área de transporte do pai dele, Garrone Reck – e o antigo escritório do advogado, Guilherme Gonçalves & Sacha Reck, atuavam na elaboração de editais.

    Sacha Reck já defendeu os interesses das famílias Constantino, dona da companhia Aérea Gol e ligada às viações Pioneira e Piracicabana, e Gulin, dona da viação Marechal, em Apucarana e Guarapuava. As três empresas venceram a licitação para operar bacias no DF. A Piracicabana ganhou a licitação com o valor máximo de tarifa prevista para o lote ofertado – R$ 2,6555.

    A sociedade Guilherme Gonçalves & Sacha Reck foi desfeita em dezembro de 2013, mas as novas empresas ainda dividem o mesmo prédio em Curitiba. O escritório prestou serviços eleitoriais para a senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR).

    Ao G1, Sacha Reck afirmou que a relação do ex-sócio com o PT no Paraná não teve qualquer influência nos contratos realizados no GDF na gestão do petista Agnelo Queiroz. "O Guilherme [Gonçalves] nunca esteve no DF para isso, acho que nem conhece o ex-governador. A contratação não se deu porque ele conhece a Gleisi, nada disso", declarou.

    Fonte: Isabella Calzolari
    Do G1 DF

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