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  • sábado, 26 de setembro de 2015

    ENTREVISTA: MARIANA XIMENES » Desafios da cena

    Em Prova de coragem, do diretor Roberto Gervitz, Mariana Ximenes vive uma artista plástica em busca de um sentido para a vida. Casada com um médico, Adri engravida sem o real consentimento do marido e decide levar adiante uma gravidez de risco. A personagem está em busca de uma felicidade na qual deposita muitas esperanças. É uma mulher comum. Nem de perto a psicopata de Clara, da novela Passione, ou da cantora de cabaré de Joia rara.

    A variedade de personagens é o que atrai a atriz de 34 anos quando decide se vai ou não mergulhar em um projeto. É preciso ter algo que a desafie. “Quando o Gervitz me chamou, ainda não tinha o roteiro”, conta Mariana, em entrevista durante o 48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no qual Prova de coragem foi exibido como parte da mostra competitiva. O próximo desafio é a série de terror Super Max, dirigida por José Eduardo Belmonte e José Alvarenga Júnior para a Globo. Com linguagem de cinema, roteiristas como Marçal Aquino, Fernando Bonassi e Raphael Montes, a série ainda não tem data para estrear. “É um seriado na Globo, sendo filmado como cinema, com diretores de cinema. Tem até foquista!”, comemora Mariana, que faz uma enfermeira na trama, por enquanto, misteriosa.

    Recentemente, a atriz filmou com Ruy Guerra uma participação em Quase memória, inspirado em livro de Carlos Heitor Cony, com Cacá Diegues. Quando soube que Diegues começaria a montar o elenco de O grande circo místico, ela tratou de se oferecer para um teste. “Às vezes, eu sei que o teste não está avaliando minha qualidade de atriz e acho que isso é importante, você ser avaliado naquele personagem, ver se o diretor te olha para fazer o filme dele. Estou mega aberta para fazer teste”, diz. No ano passado, a atriz também passou um mês e meio em Brasília para filmar a comédia romântica Depois de você, de Marcos Ligocki.

    Perfeccionista, Mariana gosta de se concentrar em todos os detalhes de suas atividades. Quando dá uma entrevista, desliga o celular para não ser perturbada. Se vai fazer fotos, gosta de escolher a luz correta. Se acha que não foi clara o suficiente em uma reflexão, liga novamente para a reportagem e reforça um ou outro ponto. E faz cada coisa no seu tempo. Até 2010, nunca havia experimentado as redes sociais. Além de reservada, não sabia muito bem como funcionavam. Há um ano e meio, fez uma inscrição no Instagram e outra no Facebook. Mariana percebeu que as redes sociais são canais diretos de comunicação com o público. “É um mundo e a gente não pode se fechar para ele”, diz. Abaixo, a atriz conta como se envolve na criação do personagem, fala sobre privacidade e comenta os trabalhos com os diretores.

    Você fez uma vilã marcante, que foi a Clara de Passione. E Adri, que tipo de personagem é?
    Não dá pra classificar se é mocinha ou vilã, na verdade, todos são um pouco de tudo. O que diferencia é o caráter, ter índole, caráter, ou não, ser inescrupulosa, que é o que caracteriza uma vilã. Mas a Adri não pode ser classificada nem como mocinha, nem como vilã, é uma mulher que quer exercer a profissão dela. Ela quer se expressar,  é uma artista e acha que não encontra a forma de expressão dela naquela árvore. É uma mulher tentando ser feliz, tentando se encontrar. É muito pouca a gama de personagens se você classifica como mocinha ou como vilã.

    Clara foi catártica para você. E Adri? Você tem mais ou menos a mesma idade que ela. Se identifica com ela?
    Qualquer criação de personagem para mim é uma busca dentro de mim e uma busca com quem eu estou jogando. Primeiro, veio o livro, o roteiro; aí, o Roberto e, depois, os atores. E também tem a cidade na qual você está, que também te modifica um pouco. Passei um mês e meio em Brasília (para filmar Depois de você) e foi uma experiência linda, que nem em Porto Alegre, onde passei quase dois meses. Ensaiamos e amo ensaiar e amo ser dirigida, sou completamente aberta com meus diretores. O jogo quem propõe é o diretor. O Roberto (Gervitz) propõe muito o jogo, então, quando você vai fazer um filme, que é um projeto dele há muitos anos, você parte para jogar o jogo dele. Claro que tenho a minha identidade, meu trabalho, e o instrumento é meu, é meu corpo, minha voz, mas eu estou aberta a ele. É assim que eu vejo.

    E como foi o processo de construção da personagem?
    Tem uma cena de escalada e eu fui fazer aula de escalada como o Armando Babaioff (também ator do filme). A gente fez um curso e escalou o Morro da Babilônia. Cada personagem me traz uma coisa nova, me proporciona algo. Esse me trouxe a convivência com os atores, com o Baba, a gente ficou muito próximo, e ganhei vários amigos, os gaúchos, os uruguaios, porque é uma coprodução, então ganhei mais a percepção de uma cultura com a qual eu não tinha muito contato. Quando você troca com outras culturas, você ganha. Sou muito aberta para aprender, tenho muita fome de aprendizado, muita disponibilidade, muito ouvido.

    Como você busca o alimento para essa fome?
    Trabalhando, entendendo e compreendendo as outras pessoas, sendo aberta para outras pessoas. Sou muito aberta para receber e para dar também, é sempre uma troca. Não tem como. Sou aberta para as pessoas, a equipe, gosto de perguntar, de conviver, fui fazer escalada. Uma coisa bonita que o instrutor me perguntou é qual o objetivo da escalada. E disse “chegar ao topo”. Mas não. É o caminho, é o estar a caminho, superando cada dificuldade.

    Você mergulha também, né?
    Mergulho, mas isso faço por mim mesma, porque amo o fundo do mar, acho um mistério aquilo tudo. É um sonho, você desce, é um silêncio. Fiz batismo em Noronha. Na escalada, se alguém cair, você vai ter que cortar a corda do teu companheiro. A corda, na escalada é como o cordão umbilical. É tão bonito isso. É tudo uma simbiose. Para contracenar, a gente tem que estar unido como se fosse um cordão umbilical, um depende do outro.

    Em 2010, você não estava ainda nas redes sociais. As redes sociais consomem muito? É muita exposição?
    Sou uma neném ainda. Já tenho um Instagram e Facebook, um dia vou chegar no Twitter. O problema é que, quando estou aqui com você, eu estou aqui, não consigo ficar fazendo mil coisas. Preciso prestar atenção aqui agora. Mas é um mundo e a gente não pode se fechar para ele. Por isso, fiz o Instagram. E posto. As redes sociais são muito importantes, inclusive na divulgação do filme e no termômetro do filme. A gente não pode ignorar. E tenho contato direto, respondo. Quero comunicar, acho que a gente tem que se comunicar. E não posso estar em todas as sessões de cinema para ver a reação do público, então o Instagram é um termômetro. O Twitter, vou chegar lá.

    Tinha medo das redes sociais ou era só falta de tempo?
    Não. Era falta de tempo e de entender um pouco como é que funciona. Mas fui tomando gosto mesmo. Gosto de fotografar e gosto de imagem. A única coisa que dá trabalho é que não gosto de postar qualquer coisa. Sou perfeccionista. E Instagram, o ideal é que seja instantâneo. Às vezes, não consigo. Mas eu gosto e entendi que é uma ferramenta de comunicação direta.

    Sempre quis ser atriz?
    Sempre tive muita inquietude. Com seis anos, decidi que queria ser atriz. Não tinha ninguém na família e isso foi durando. Nunca me imaginei fazendo outra coisa. E não sabia que ia durar tanto, então sou muito grata por estar aqui. Não sei se conseguiria fazer outra coisa. O primeiro trabalho foi um comercial de Aquafresh, eu lembro de tudo. Sempre fui muito....não cara de pau, mas sou uma pessoa que liga quando quer, peço “posso fazer o teste”? Quincas berro d´agua foi assim, A máquina foi assim e, no ano passado, foi assim no filme do Cacá Diegues.

    Qual o lugar do cinema, do teatro e da tevê nesse universo?
    Eu gosto de tudo. E estou gostando cada vez mais de produzir. Produzi Um homem só, será lançado este ano, sou produtora associada de Prova de coragem. Gosto muito de fazer cinema, mas gosto de fazer televisão também. Um bom personagem em novela comunica tanto, é tão bom! Até hoje as pessoas se lembram de Passione e de Chocolate com pimenta. Chocolate faz 12 anos. É muito potente. E muito louco. Eu estava em Miami e os cubanos vieram falar comigo porque me conheciam de novela. Gosto muito de fazer novela. E amo estar no set de cinema. É muito diferente.

    Você é muito reservada. Como lida com essa coisa da fama?
    É uma questão de domar. E uma questão de ser natural. Faço televisão e me dei conta que estou há 17 anos na Globo. Você invade a casa das pessoas todos os dias. As pessoas vão te vendo crescer. Comecei com 17, hoje estou com 34, não sou mais uma adolescente. Como não querer que as pessoas cheguem a mim? Não tenho nenhum problema em tirar foto, eu tiro, sou superreceptiva com as pessoas. Ao mesmo tempo, gosto de ter minha privacidade, minha identidade. Acho que tem uma dosagem. Se você se expõe muito numa entrevista ou nas redes sociais, as pessoas querem mais e se sentem no direito de entrar mais. Mas eu posso falar sobre o meu trabalho, posso até falar sobre minhas opiniões, mas tem uma parte só minha, da minha família, dos meus amigos, e aí tem um limite mesmo.

    Do que tem medo e em que tem esperança?
    Tenho medo da situação atual do país, da política econômica. Tem que fazer uma avalanche para poder mudar. É tanta desigualdade social, tantos deficits nas coisas básicas, educação, saúde. A gente tem muito o que fazer. Minha esperança é que a gente consiga virar o jogo, que cada vez mais venham pessoas aptas a administrar nosso país, mas com muita honestidade, justiça e ética.


    Por: » Nahima Maciel – Foto: Rodrigo Nunes – Especial para o CB/D.A.Press – Correio Braziliense

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