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  • sábado, 19 de setembro de 2015

    O Lago Paranoá merece mais carinho

    Deus fez o mundo. Os homens fizeram as cidades. E as cidades sempre nasceram à beira de rios e lagos, porque sem água doce a vida não prolifera. Vale lembrar o ensinamento do arquiteto norte-americano Buckminster Fuller sobre a espaçonave Terra: “Nosso planeta não vem com manual de instruções”. E, sem manual de instruções, o ser humano teve, tem e terá sempre que aprender a conviver com as questões que envolvem a sustentabilidade das cidades. No manual, estão a preservação de mananciais e o reúso da água.

    Se, no passado, todos tinham pela água a cultura da abundância, hoje o conceito mudou. A crise hídrica chegou silenciosa para bater forte à porta de cada um. Brasília nasceu no meio do cerrado, cercada de águas. Aqui, em Planaltina, está o Parque das Águas Emendadas, onde o Córrego Vereda Grande desliza para o norte, encontra o rio Maranhão que vai alimentar a Bacia Amazônica. Para o sul, o córrego Brejinho engrossa o Córrego Fumal, desce para o Rio São Bartolomeu, depois Corumbá, desaguando no Rio Paranaíba e formando, então, o Rio Paraná. É a bacia do Prata. E outras nascentes pegam a direção leste para alimentar a Bacia do Rio São Francisco.

    No ponto onde foi construído o Plano Piloto nasceu o Lago Paranoá. Concebido depois da publicação do Relatório da Missão Luiz Cruls, em 1904, quando esteve aqui o engenheiro e paisagista Auguste Glaziou. O paisagista francês pensou a barragem do Paranoá, que só foi construída em 1959 pelo presidente JK. O lago é formado pelas águas represadas do Rio Paranoá e alguns riachos. Com 48km², o lago dá mais vida, beleza, umidade e lazer aos brasilienses. Mas, infelizmente, nem todos os brasilienses respondem com carinho, proteção e civilidade ao que o lago lhes proporciona.

    A ação que deu origem ao Projeto Lago Limpo começou em 2011. A cada ano, um mutirão de brasilienses solidários retira do Lago Paranoá cerca de 8 toneladas de lixo. É incrível pensar que já se retirou do lago, só em quatro operações, quase 30 toneladas de lixo. Além da limpeza pura e simples, o projeto tem forte inserção ambiental e educacional, pois ajuda na conscientização das pessoas para a sua preservação.

    Do dia 15 até hoje, a Adasa e vários parceiros como a Escola de Mergulho Scubadu, a Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe), a Brasal, o Sesi, a Polícia Ambiental, o Corpo de Bombeiros e o Ibram deram as mãos para fazer um mutirão de limpeza do Lago Paranoá. Nesse mutirão, além da fiscalização para identificar captações de água não outorgadas, está sendo feita uma capacitação com professores da rede pública sobre gestão de recursos hídricos e destinação correta de resíduos sólidos.

    A parceria com a Sesipe é muito importante. São cerca de 90 reeducandos a percorrerem as margens das quatro pontes (das Garças, Honestino Guimarães, JK e do Bragueto). Durante três dias, eles recolhem todo o lixo próximo às pontes. É lixo de todo  tipo: desde carrinhos de supermercados, monitores de computador, pneus, mangueiras, garrafas de plástico e de vidro, sacolas, sofás etc. Essa parceria traz benefícios variados, tanto para a sociedade quanto para os reeducandos. Além da conscientização, os presos se sentem úteis em colaborar com a limpeza do lago. A iniciativa ajuda na ressocialização, os detentos têm contato com outras pessoas, redução da pena e ainda ganharam de conhecimentos sobre ecologia.

    O Projeto Lago Limpo coincide com o Clean Up Day, o Dia Mundial da Limpeza de lagos, mares e rios. Neste sábado, a limpeza será com os mergulhadores da Escola Scubadu e com soldados do Corpo de Bombeiros para a retirada do lixo do fundo do lago. O local será o Lago Norte. Na radiografia dessa ação do Lago Limpo está a má educação de quem tem alto poder aquisitivo. É o lixo de quem tem lanchas, dinheiro e usufrui da beleza do lago, mas não tem as preocupações devidas para preservá-lo. São retirados do lago embalagens PETs, garrafas e taças de vinho e de champanhe, latas de cerveja e refrigerante, baterias de celular e outras engenhocas eletrônicas.

    A participação de professores e alunos, de famílias proprietárias de lanchas e de funcionários de algumas empresas no recolhimento do lixo, além de participação de oficinas de reciclagens marcam novo tempo para o Lago Paranoá: o tempo da tomada de consciência de que o lixo chega ao lago de todos os pontos. O lixo vem de longe. Vem pelas redes fluviais. É jogado nos passeios e nas ruas do Guará, da Asa Norte, do Gama ou de Taguatinga e, mais cedo ou mais tarde, poluirá o Lago Paranoá. Abraçar o Lago Paranoá com carinho e lutar por sua preservação é dever de todos. É ação de cidadania. Todos serão beneficiados.


    Por: Rodrigo César Gorgulho - Técnico da Adasa e um dos coordenadores do Projeto Lago Limpo – Fonte: Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Google

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