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  • domingo, 13 de setembro de 2015

    Sobrou para a Petrobras

    A Petrobras, maior empresa brasileira, volta a ser vítima da equivocada política econômica dos governos de Lula e Dilma, sendo atingida em cheio pelo rebaixamento de sua nota de crédito pela mais influente agência internacional de rating, a Standard & Poor’s (S&P). O rebaixamento veio 24 horas depois de a agência ter rebaixado a classificação do país. Cortou dois níveis no rating da empresa, que, desta vez, perdeu o selo de boa pagadora, passando à condição de grau especulativo (BB), abaixo da nova nota do país (BB+).

    Por mais que o governo — seu principal controlador — queira amenizar, esse golpe na credencial da estatal no mercado mundial de crédito era tudo que a Petrobras não precisava. A empresa viu seu caixa sangrar durante os últimos anos, ao ser obrigada pelo governo a congelar os preços da gasolina, apesar de importar boa parte do que vendia no mercado interno a preços mais altos.

    Além disso, a estatal do petróleo foi prejudicada por decisões que resultaram em maus negócios — como a compra de uma refinaria em Pasadena (EUA) ou a perda de recursos investidos em projetos decididos por influência política e depois abandonados por sua pouca viabilidade, como refinarias no Ceará e no Maranhão.

    Tudo isso, sem contar o destrutivo efeito de escandalosa corrupção investigada pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal e do Ministério Público, conduzida pela Justiça Federal de Curitiba. Além do terrível desgaste na imagem e na credibilidade internacional da Petrobras, as apurações levaram a empresa a reconhecer perdas de R$ 6,194 bilhões em balanço divulgado em abril, em que também registrou a redução do valor de seus ativos em R$ 44,3 bilhões.

    Com amplo programa de investimentos pela frente — o que inclui a ampliação dos trabalhos de exploração das jazidas do pré-sal — tem sido hercúleo o esforço da atual diretoria para melhorar a administração de seus custos, aumentar a geração de caixa e deixar para trás os danosos efeitos dos superfaturamentos e das decisões mal orientadas dos últimos anos.
    Esse esforço inclui até mesmo a difícil e ambiciosa redução de seus custos operacionais em US$ 12 bilhões até 2019. Esse programa passa pela redução da jornada de trabalho e de 25% nos salários de seu pessoal entre 2015 e 2017.

    A diretoria afirma que o rebaixamento não afetará o financiamento de curto e médio prazos da empresa, que já estaria contratado sem cláusulas atreladas ao rating das agências classificadoras. Mas o que se teme são os vencimentos da dívida e os investimentos futuros. Em seus balancetes de junho, a Petrobras acusou dívida líquida de R$ 323,9 bilhões, sendo 80% em dólares.

    A perda do grau de investimento pelo país na semana passada colocou mais pilha na desvalorização do real, que já vinha refletindo os percalços do governo para fazer o ajuste fiscal. É claro que isso impacta a dívida da empresa. Além disso, deve ocorrer o clássico efeito da elevação dos juros a serem pagos na contratação de novos financiamentos. A Petrobras, patrimônio de todos os brasileiros, nunca precisou tanto de apoio, inclusive de seu acionista controlador.

    Fonte: “Visão" do Correio Braziliense – Foto: Google 


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