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  • terça-feira, 20 de outubro de 2015

    Abraço dos afogados

    O acordo em negociação entre emissários de Dilma Rousseff e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por mais escandaloso que pareça, é mais um exemplo de que a política brasileira segue circunstâncias, e não princípios. Eduardo Cunha jura não haver trégua nem guerra com o Planalto, mas lamenta que o maior escândalo de corrupção do mundo ocorra em um governo brasileiro. Essa alternância de ataques públicos e propostas indecorosas na alcova conduz-nos à conclusão de que, no atual momento, não há situação nem oposição no Brasil. O que existe é junção de interesses, tão somente. Curiosamente, Cunha tomou emprestadas ontem as palavras recorrentes utilizadas por Dilma: disse que foi eleito de forma legítima, inexistindo a possibilidade de ter o mandato abreviado. Seria discurso combinado?

    Independentemente da retórica brasiliense, os próximos capítulos da novela do impeachment no Congresso e do destino de Eduardo Cunha na presidência da Câmara serão definidos mais pelos desdobramentos da Operação Lava-Jato na Justiça e menos pelas conversas não republicanas de Brasília. Há meses assistimos a um espetáculo indicado para quem tem estômago forte: a cada decisão do juiz Sérgio Moro, com implicações mais profundas entre os poderosos do país, os políticos buscam desesperadamente um arranjo para salvar o pescoço. É o abraço dos afogados em meio ao maremoto cujo epicentro está em Curitiba.

    Nota-se, mais uma vez, o claro embate entre a lei e a política. O julgamento do mensalão foi considerado um marco – para os mais realistas, até um ponto fora da curva –, um exemplo da supremacia da Justiça sobre o pragmatismo de Brasília. Mas o épico no plenário do Supremo Tribunal Federal foi insuficiente, ao menos na ótica do cidadão comum, para diminuir a certeza de que as práticas políticas pouco se alteraram. Reeleita com a promessa de construir um novo governo, Dilma Rousseff não apenas reproduz a conhecida barganha de cargos na Esplanada por votos no Congresso – drama comum a presidentes, como confidenciou recentemente Fernando Henrique Cardoso –, como também está longe de ser livre de novas crises e escândalos. Se a presidente tem dificuldade em chancelar o trabalho do seu ministro mais importante – Joaquim Levy – como garantir lisura de gente que desembarcou apenas por arranjos partidários? E como assegurar a vitória no Congresso em favor do segundo mandato, apesar de todos os anéis e ministérios entregues? Hoje, só existe uma palavra de ordem em Brasília: sobreviver.

    Por: Carlos Alexandre – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog-Google

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