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  • sábado, 17 de outubro de 2015

    Escola de balé: Cidadania na ponta dos pés

    Kátia Moraes com parte de suas alunas: lista de espera de 1.179 meninas que sonham em fazer sua aula

    Professora constrói, com o próprio dinheiro, escola de balé para atender a 150 crianças de seis regiões carentes do DF. Sem patrocínio, o projeto sobrevive com a venda de pizzas e de árvores de ipê

    O Projeto Sociocultural Dançar é Arte, que oferece aulas gratuitas de balé para crianças carentes de seis regiões do Distrito Federal, acaba de concretizar um sonho. Depois de 13 anos ocupando espaços concedidos, mas com vários obstáculos para a permanência, ganhou uma sede para chamar de sua. Idealizadora da iniciativa, a bailarina clássica e professora Kátia Moraes resolveu construir, com recursos próprios, um local dedicado ao ensino da dança dentro da propriedade, em uma chácara no Lago Norte.

    Após ser despejada de um espaço emprestado na Granja do Torto, o desejo e o amor da bailarina fizeram com que, em 2013, ela e o marido começassem a construção de uma escolinha de balé dentro da chácara da família. Com muitas dificuldades, há poucos meses, concluíram o projeto. Atualmente, a estrutura conta com espelhos, linóleo, barras de dança e, até mesmo, decoração. “Ao ver meu desespero, meu marido disse que enfrentaríamos a situação juntos. Ele fez um empréstimo, construiu a escola e está pagando ainda”, conta Kátia.

    O Projeto, atualmente, atende 150 crianças da Granja do Torto, do Paranoá, de Itapoã, do Varjão, de Ceilândia e da Estrutural. Mas a fila de espera já conta com 1.179 meninas. Sem nenhuma ajuda financeira para funcionar, depende da venda de pizzas, de árvores de ipê — produzidas com galhos secos e material reciclável —, além de parceiros pontuais. Os produtos são fabricados por Kátia com a ajuda dos pais das alunas.

    A principal dificuldade, segundo a idealizadora do projeto, é o transporte para trazer as crianças até a escolinha. Kátia dá aulas aos sábados. Às terças e quintas, conta com mais dois professores — um de balé e um de hip -hop. Há cinco anos, o projeto está sem nenhum patrocínio nem investidores que possam ajudar a bancar o custo para manutenção. “Precisamos de figurino, material didático e pedagógico, uniformes e lanche. Tudo isso tem um custo muito alto. Para o atendimento de 150 crianças, precisaríamos de R$ 50 mil por mês. Há cinco anos, não temos nem 10% desse valor. Mas a gente vai levando.”

    Melhoria de vida
    Além de aulas de balé, hip-hop e oficinas socioambientais, o projeto ajuda as crianças nas áreas social e educacional. Muitas, inclusive, apresentaram mudanças de comportamento em casa. “Quando comecei a ter aula de balé, foi como um sonho. Desde pequena eu queria me tornar uma bailarina. Quando eu entrei, para mim, foi uma festa. Mas me ajudou também a desenvolver o trabalho de casa porque o que a gente aprende aqui a gente pode levar para casa também. Aprendo a ter mais disciplina, a me comportar melhor, a ser mais amiga”, conta Ana Gabriela Almeida, 13 anos. E a mãe dela, a diarista Adriana Batista de Almeida, reconhece essa mudança e admite: se tivesse que pagar uma escola particular, não teria condições. “Se ela fosse para uma academia, teria que desembolsar 300 e poucos reais por mês, e eu não teria condições. Aqui, como é de graça, ela também se esforça mais para continuar no projeto, dá mais valor”, relatou a mãe.

    Alunas do projeto já se apresentaram diversas vezes, ao longo dos últimos anos, no Teatro Nacional. Há poucos dias, algumas tiveram a oportunidade de desfilar para uma marca infantil, Je Suis Petit, no Capital Fashion Week. Talia Priscila Soares, 8, contou a experiência, emocionada. “Foi muito bom, arrumaram a gente, desfilamos e entramos todas juntas pra agradecer o público. Nós já nos apresentamos várias vezes para muitas pessoas: no aniversário de 55 anos do Hospital de Base, no Palácio do Buriti e, até mesmo, no Teatro Nacional. A gente fica com vergonha, porque, se errar, vão rir de nós, mas é vida de bailarina. Já aprendi aqui muitas coisas boas com a tia Kátia”, diz a menina.

    Kátia lembra-se de algumas experiências emocionantes que já vivenciou ao longo desses anos, como quando levou algumas crianças para uma audição em Joinville, Santa Catarina, do Balé Bolshoi — uma das principais companhias de balé e ópera do mundo, com sede na Rússia e escola em Santa Catarina. Em 2013, inclusive, recebeu a visita do balé russo na instituição. “Mas o que mais me comove é ver a mudança no dia a dia delas. Recebemos até uma aluna indígena, com muitas dificuldades de sociabilização. A mãe dela nos procurou e hoje ela está bem diferente. É um trabalho maravilhoso.”

    Feira
    O Projeto Sóciocultural Dançar é Arte estará vendendo pizzas de massa de batata e árvores cenográficas de ipê produzidas com material reciclável e proposta socioambiental na Feira Internacional das Embaixadas, no Estádio Mané Garrincha, a ser realizada em 28 de novembro, das 9h às 18h. As árvores custam a partir de R$ 40 e a pizza, R$ 5 a unidade.

    Quer ajudar o projeto?
    Entre em contato com Kátia Moraes: 9280-2083 / 8542-0510 (WhatsApp) ou pelo Facebook: Projeto Sociocultural Dançar é Arte.

    Fonte: Caroline Pompeu – Especial para o Correio Braziliense – Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A.Press

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