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  • sábado, 17 de outubro de 2015

    O Brasil não merece

    Há aqueles que relativizam a corrupção. Se for do PT, é revolucionária. Faria parte de um processo sem o qual seria impossível garantir apoio de parte da direita, da esquerda fisiológica e da elite endinheirada ao governo e ao projeto redentor do partido. O mensalão, ou o pouco da roubalheira organizada que emergiu com o escândalo, mostra que a estratégia é essa desde o início. Estão aí os dutos abertos do petrolão para comprovar. Nos dias atuais, o “rouba, mas distribui” destronou o “rouba, mas faz” e aprofundou o assalto aos cofres públicos no país. Educação que é bom, ó!

    Hoje, os pixulecos atribuídos a Maluf, PC Farias e outros parecem coisa de “batedores de carteira” perto da  quadrilha montada para saquear a Petrobras. Há fortes indícios de  que o dinheiro roubado da empresa foi lavado como se fosse doação na Justiça Eleitoral. Parte da ladroagem teria ajudado a eleger “bons companheiros”. É disso que trata ação no TSE que pode levar à cassação de Dilma e Temer. Antigamente, quando descobertos, os ladrões fingiam vergonha de ter o nome estampado nos jornais. Nos dias atuais, os bandidos são saudados como “guerreiros” do povo brasileiro. Na internet, direitistas históricos posam de lulistas desde criancinhas, assassinam reputações de quem ousa denunciar os crimes — e recebem “likes” de “esquerdistas”.

    Chega a ser inacreditável. Mas, do mensalão, o esquema evoluiu para um grau de sofisticação e de desvio de recursos públicos incalculáveis. Parte da Operação Lava-Jato — sobretudo a comandada pelo juiz Sérgio Moro, Polícia Federal e uma força tarefa do Ministério Público — já identificou que o modelo de sangria do petrolão foi replicado em outros setores da administração pública. Existe a suspeita e também indícios de que há enes CPMFs (R$ 32 bilhões) escondidas em contas secretas mundo afora, além da Suíça.

    Irônico é que uma peça menor dessa gigantesca engrenagem foi escolhida para pagar o pato por todos os vilões: Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara e inimigo número 1 da presidente Dilma. Sim, tudo indica que ele embolsou propina do petrolão e deve responder pelos crimes. Apesar de até petistas de carteirinha saberem que ele não é o chefe da quadrilha, a implacável cassada do procurador-geral da República ao Cunha Malvadão pode virar a salvação do chefe e dos principais culpados pelo assalto do século. Tão grave quanto isso é a negociata que ocorre nos subterrâneos da República para salvar tanto o mandato de Cunha quanto livrar Dilma de um possível processo de impeachment. O Brasil não merece. Ou merece?

    Por: Plácido Fernandes Vieira – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog/Google

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