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  • domingo, 25 de outubro de 2015

    #PATRIMÔNIO » Os endereços de uma história

    Cobogós, pilotis,brise-soleis fazem parte do desenho dos primeiros blocos residenciais das superquadras, como a SQS 107. Formas que tornam Brasília única

    Nem tão exuberantes como os monumentos turísticos, os prédios residenciais não são menos interessantes. Por trás de uma arquitetura aparentemente simples, eles recontam curiosidades sobre a construção das primeiras quadras de Brasília

    SQS 202
    SQN 206
    SQN 408
    São tantas formas, curvas e retas a desafiar o olhar de quem circula por Brasília, que podem passar despercebidos os blocos residenciais. Na cidade monumental, a imponência dos prédios públicos se completa à discreta beleza das unidades de apartamentos. Sutis, eles são parte fundamental do urbanismo proposto por Lucio Costa. São a base da Superquadra, a joia do planejamento da capital e representam uma concepção humanística do que é a moradia. As histórias da construção desses prédios são pouco conhecidas. Cada um tem sua peculiaridade de estilo e conta um pouco do momento em que foi erguido.

    Os blocos da primeira geração de Brasília, construídos nas décadas de 1960 e 1970, têm projeto bem uniforme. “Eles têm volumes e dimensões iguais”, explica a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, Sylvia Ficher. O formato deles é tipo lâmina horizontal, o que não permite muitas ousadias para aproveitamento dos espaços. As plantas foram adaptadas com o tempo.

    Um dos exemplos são os blocos da SQS 107, projetados por Oscar Niemeyer. Primeiras unidades residenciais erguidas na capital, eles têm algumas características que foram corrigidas nos projetos seguintes. Uma delas se refere à disposição dos prédios e ao uso dos brise-soleis nas janelas, um artifício arquitetônico para proteção da claridade excessiva. No entanto, em algumas janelas, a instalação desses elementos se mostrou desnecessária e escureceu o interior do apartamento. Nos projetos posteriores, os brises foram usados com mais reserva e, em alguns casos, foram substituídos por cobogós.

    O Bloco G da mesma quadra, por exemplo, foi erguido em 1959 para o Instituto de aposentadorias e pensões dos empregados em transportes e cargas (Iapetc). Conta-se, inclusive, que o então presidente Juscelino Kubitschek, após uma vistoria, trocou a noite no Catetinho por uma nas acomodações no prédio. Naquele tempo, o piso do pilotis ainda era de cimento; e as paredes, de tijolinho à mostra. Uma reforma, em 1982, trocou a estrutura por mármore branco e granito. 

    Da década seguinte, o Bloco B da SQS 309 foi visto como um avanço no quesito de qualidade arquitetônica. Projetado pelo mineiro Marcílio Mendes Ferreira, o prédio foi construído para abrigar os funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF). Os apartamentos vazados têm boa ventilação. As lajes grossas oferecem privacidade e tranquilidade para os moradores. “Não escuto barulho nenhum dos vizinhos”, explica José Mário Cavalcanti, 80 anos. Ele se mudou para o prédio em 1975 e não troca o apartamento por nenhum outro local em Brasília. “Aqui é muito bom de morar. Quando cheguei, só tinham seis árvores plantadas. Fomos arborizando com o tempo”, explica.

    Outro fator que colaborou para essas mudanças foram as atualizações do Código de Obras, que estabelece as regras para as edificações do Distrito Federal. Da época da construção de Brasília até hoje, a legislação mudou quatro vezes: em 1960, 1967, 1989 e 1998. A versão de 1960, por exemplo, estabelecia forte diferenciação de fachadas: áreas nobres dos apartamentos, como salas e quartos, deveriam ficar para a frente. Atrás, por sua vez, estariam a cozinha e a área de serviço. Para os apartamentos da primeira geração, os cobogós tinha a função de esconder as atividades desenvolvidas nos fundos da unidade. Nas versões seguintes, a obrigatoriedade do seu uso deixa de existir.

    Ainda assim, algumas questões não foram corrigidas a contento, como a superpadronização da cidade em setores, conforme explica o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, Frederico Flósculo. “Para Lucio Costa, os blocos dos altos funcionários do governo seriam vizinhos dos subordinados deles. No entanto, era preciso correr contra o tempo e era mais fácil fazer superquadras padronizadas", destaca.

    Na outra asa
    Na Asa Norte, os blocos da SQN 408, projetados pelo arquiteto carioca Milton Ramos, eram um aglomerado de concreto em meio ao cerrado denso. O bloco D, por exemplo, fica em frente à Escola Classe 407, uma das primeiras unidades de educação primária de Brasília. “Era tudo terra, quando me mudei para cá. Não tinha nada asfaltado. A escola estava sendo inaugurada”, lembra Josefa Menezes de Carvalho, 81 anos. 

    O edifício foi construído para abrigar os militares do Corpo de Bombeiros. “Quando eu e meu marido chegamos, só havia poucas unidades ocupadas. Fomos umas das primeiras famílias”, conta. Josefa lembra que não havia também comércio local naquela época. O mais próximo ficava a cinco quadras de distância. 

    Projetado para acolher os professores da UnB e funcionários da CEF, os blocos da SQN 206 também são trabalho de Marcílio Mendes Ferreira, em parceria com o arquiteto Takudoo Takada. Os blocos foram erguidos entre 1977 e 1978, a partir de elementos pré-moldados, que eram sobrepostos até que o conjunto fosse finalizado. Essa opção tornou o processo de construção mais rápido. Foram 16 meses para erguer os 11 blocos. As fachadas têm brises. Cobogós compõem a fachada posterior com aplicações que dão mais volume à estrutura. Eles foram fabricados no canteiro de obras. A SQN 206 foi a primeira superquadra a ser erguida e urbanizada de uma só vez. Os pilotis são de mármore e há azulejos esverdeados, que remetem ao fim da década de 1970. O prédio conserva as características originais, sem grandes intervenções por ocasião de reformas.



    Fonte: Maryna Lacerda – Correio Braziliense – Fotos: Hugo Gonçalves Esp.CB/D.A.Press – Claudio Reis Esp.CB/D.A.Press

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