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  • domingo, 18 de outubro de 2015

    Percorrendo o Brasil: Pé e cerveja na estrada

    Edson pede carona e se hospeda em casas de estranhos para manter o projeto

    Depois de percorrer 76 cidades pedindo carona, paranaense sai de Brasília hoje para continuar a rodar o Brasil em busca dos melhores rótulos artesanais da bebida

    “Hoje, eu moro aqui. Inclusive, pode ficar à vontade.” Se você hospedar o publicitário Edson Carvalho, 36 anos, é assim que ele vai quebrar a formalidade. Mais conhecido como Viajante Cervejeiro, ele viaja o Brasil em busca de bons lugares para beber cerveja artesanal há 17 meses. O paranaense pede carona na beira da estrada e fica na casa de quem oferece um quarto. “Como não tenho residência, e minha vida é essa, preciso me sentir bem no lar das pessoas”, explica.

    Desde 1º de maio do ano passado, quando começou o projeto, saindo do Rio Grande do Sul, foram 102 camas, mais de 200 caronas, 76 cidades, oito estados e o DF, 197 bares e 10 quilos a mais — sem contar os infinitos relatos que encontra no caminho. “Todo copo de cerveja tem um passado por trás. Isso me chamou atenção. Também tive que aprender sobre história e geografia. A bebida tem ligação com a cultura de cada local. Além disso, existem as lendas do universo cervejeiro”, conta. O viajante pisou em solo brasiliense pela primeira vez na terça-feira e se surpreendeu com a diversidade candanga. “Aqui tem bem mais bares do que eu imaginava”, comenta (veja Confira).
    Por trás de cada rótulo, uma história. É em busca delas que o publicitário roda o Brasil
    Para se manter, Edson não precisa de muito e vive do que ganha ao trabalhar como jurado em bancas de concursos de cerveja. Ele também promove eventos, como cursos e oficinas sobre a bebida, além de vender produtos no site em que relata as andanças pelo país (viajantecervejeiro.com.br). 

    Conhecer a capital federal sempre esteve na lista de desejos do paranaense. “A presidente pode estar aqui dentro. Isso, para vocês, é comum, mas, para mim, não”, brinca o extrovertido andarilho. “Parece uma cidade de Playmobil. Tudo quadradinho, parecido.” O foco de Edson é encontrar os bares mais legais de cerveja artesanal. Nos intervalos, sobra tempo para o turismo. Em Brasília, andou pela Esplanada dos Ministérios e chegou à conclusão de que esta é uma cidade diferente. “É imponente. É a sede de importantes órgãos, como o Banco Central. Aqui você sente o poder”, avalia.

    Novo paladar
    A paixão pela bebida artesanal surgiu na primeira vez em que Edson foi morar fora do país, em Barcelona, no fim de 2005. “Estava caminhando por uma rua da cidade e decidi entrar em um barzinho. Os donos estavam tomando uma cerveja de malte defumado e me ofereceram. Desde então, comecei a gostar”, relembra. Quando voltou ao Brasil, o viajante sabia que queria se profissionalizar no ramo. Em Curitiba, encontrou um rapaz que estava abrindo uma loja e começou a trabalhar para ele. Aos poucos, estudou, fez cursos e hoje integra bancas como jurado de concurso de cervejeiros.

    De onde surgiu a ideia de unir trabalho, viagem e cerveja? O publicitário explica que começou na crise dos 30 anos. “Sentia que não estava construindo algo meu. Isso me incomodava. A ideia inicial era viajar sem propósito, meio mochileiro hippie, mas isso também me angustiava”, revela. A primeira intenção era percorrer o Brasil visitando microcervejarias. No entanto, a proposta não seria novidade. Foi então que Edson decidiu visitar e indicar bons lugares onde encontrar cerveja artesanal.

    Com o propósito em mãos, precisava diminuir os custos e praticou o desapego. Vendeu a casa, os móveis, as roupas, as lembranças de viagens e separou apenas o essencial, que cabia na mochila. “Brinco que vou lançar o programa Minha Mochila, Minha Vida. Aqui, tenho tudo. São sete camisetas, sete cuecas, uma calça, três bermudas, dois tênis, um chinelo, coisas de uso pessoal, canivete, isqueiro, abridor, máquina fotográfica, um tablet e carregadores”, descreve. “O mais difícil foi desapegar da rotina, da zona de conforto. As histórias das coisas materiais ficam com você”, afirma.

    Para se locomover, o combustível é a fala. Sabe aquela pessoa que fica na beira da estrada pedindo carona com uma placa? Então, o Edson é uma delas e dá uma dica. “Nessas horas, não uso óculos de sol. O contato visual é muito importante”, diz. No banco do passageiro ou na boleia de caminhões, o publicitário ouviu muitas histórias e conheceu gente de todo tipo. Encontrou um sujeito chamado Ramone, que tem esse nome por conta do vocalista da banda de rock, mas, na verdade, gosta de pagode. A única vez em que o viajante ficou com medo de morrer na aventura foi por causa de um motorista de caminhão que cochilava ao volante. Ele pratica a ética dos caroneiros: os que chegam primeiro, sobem primeiro. Em todo esse tempo, apenas uma mulher topou dar carona para ele. O paranaense não se cansa de receber mensagens de motoristas que conheceu na estrada oferecendo ajuda.

    Participação
    Antes de partir para um novo destino, o viajante faz um roteiro com as cidades e os bares encontrados. “Publico nas redes sociais, e as pessoas me dão dicas e me ajudam a produzir o planejamento. É coletivo”, explica. É também pela internet que o rapaz pede hospedagem. Assim que fecha o percurso, anuncia e espera alguém se oferecer para recebê-lo. Assim, conhece novas pessoas e constrói grandes amizades. Entre os amigos encontrados na empreitada, está Felipe, o pulga. Felipe nasceu com um problema no coração e, durante muitos anos, a família não teve condições de arcar com a cirurgia. O rapaz sabia que não passaria dos 20 anos. “Ele estava preparado para morrer. Depois de alguns anos, conseguiu fazer o procedimento e me disse: ‘e agora? Não me preparei para viver’. Essa história eu nunca esqueci”, conta Edson.

    Aos poucos, o paranaense vai reunindo causos. Além dos bares, descobre estabelecimentos únicos, como a Cervejaria Canoinhense, a mais antiga em funcionamento no país, localizada em Canoinhas (SC). “Lá, uma parte do processo é feita no fogão a lenha. Uma senhora de 94 anos toma conta desde que o marido faleceu. É algo incrível”, diz. Também descobriu um bistrô, no Complexo do Alemão, que produziu a própria cerveja, e outro bar, em Porto Alegre, onde só entram conhecidos do dono. Com as andanças, Edson também ganhou relances de outros sotaques e aprendeu um novo vocabulário. “Sempre mudo em viagem. Depois desse tempo todo, aprendi a me adaptar, a me sentir à vontade na casa das pessoas. Não tenho amarras. Eu me sinto livre, como se fosse de todos esses lugares”, comenta.

    Em grande parte do percurso, o publicitário está só. “Estou sempre me confrontando. Estar sozinho faz a gente refletir. Eu me sinto mais seguro e independente”, avalia. Para ele, a maior coragem não é pedir carona ou ficar na casa de desconhecidos, mas tomar essa decisão. Para quem tem inveja do trabalho do viajante, ele alerta: “Trabalho muito: faço tudo sozinho, e tem toda a parte de escritório do site, dos eventos de que participo, de planejar as viagens e dos produtos”.

    De acordo com o planejamento de Edson, até o fim do ano que vem, ele terá percorrido todos os estados brasileiros. O viajante quer também publicar uma coletânea com crônicas e fotos e, depois, montar um roteiro de viagem para fora do país. Mas, por hora, vai fazer uma pausa. Depois de um ano e alguns meses de mochila nas costas, o peso começa a ser diferente. “Sinto falta dos meus amigos, da minha família. Apesar de estar sempre com as pessoas, tenho momentos de solidão. E hoje vi que não dá para fazer tudo seguido”, conta. Ele sairá de Brasília hoje. O viajante vai tirar dois meses de férias e depois dará continuidade ao trajeto. Em janeiro, volta ao DF, de onde segue viagem para Minas Gerais. Os mineiros que quiserem hospedar ou dar carona para ele podem entrar em contato. A selfie está garantida como forma de agradecimento. “Não consigo me ver fazendo outra coisa”, conclui Edson.

    Confira: Onde encontrar cervejas artesanais em Brasília, pelo Viajante Cervejeiro:

    *Mestre Cervejeiro.com Brasília
    CLSW 301, Bloco C, Sala 158 —  Sudoeste

    *Camberra Cervejas Especiais
    CLSW 101, Bloco B, Loja 54 —  Sudoeste
    Godofredo
    CLN 408, Bloco B — Asa Norte

    *Santuário
    CLN 214, Bloco C, Loja 27 — Asa Norte
    Pivo
    406 Sul, Bloco D, Loja 33

    *Empório Soares e Souza
    CLS 403, Bloco D, Loja — Asa Sul
    Grote Bier
    SCLN 409, Bloco A, Loja 19 — Noroeste

    *Cantucci Bistrô
    CLN 403, Bloco E, Loja 3 — Asa Norte
    Pinella
    CLN 408, Bloco B, Loja 20 — Asa Norte

    *Beer Selection
    Brasil 21 — Asa Sul


    Fonte: Roberta Pinheiro – Correio Braziliense – Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A.Press

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