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  • domingo, 11 de outubro de 2015

    Prelúdio em dor maior - EMB: Escola de Música de Brasília

    Por meio dos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, ficou estabelecido, com clareza, a noção de bem cultural imaterial como sendo as práticas e os domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas. Essa mesma definição está de acordo com a convenção da Unesco para a salvaguarda do patrimônio cultural imaterial, ratificada pelo Brasil em 1º de março de 2006.

    Importante ressaltar que o patrimônio imaterial foi entendido como aquele que é transmitido de geração em geração e, constantemente, recriado e apropriado por indivíduos e grupos sociais como importantes elementos de sua identidade. É exatamente nessa categoria que se enquadra a Escola de Música de Brasília, fundada em 1974 pelo maestro Levino Alcântara e berço de grandes talentos da capital e do Brasil.

    Patrimônio de Brasília, a EMB reúne músicos de várias tendências, que se desdobram em inúmeros outros grupos de instrumentistas espalhados pela cidade, tocando do clássico à MPB, num amálgama de gêneros sem preconceitos, onde desponta o talento e o virtuosismo dos artistas, reconhecidos aqui e no exterior. Depois de mais de quatro décadas formando músicos, a EMB, como a maioria das instituições públicas da capital, vem experimentando  processo de esvaziamento lento e contínuo e que pode, para muitos, culminar no seu fechamento.

    Essa morte anunciada, na qual governos passados tiveram grande parcela de responsabilidade, teve início com o desmantelamento da Fundação Educacional nos anos 1990, dentro da proposta administrativa que se abria. Os desacertos sobre a competência de gestão e mesmo as discórdias sobre a real importância, dentro do novo organograma de ensino da capital, empurraram a EMB para um beco sem saída das instituições de caráter acessório, cujo funcionamento, ou  não,  não acarretaria grande perda para o regular.

    Vista a partir daí, começou a lenta descida rumo à decadência. Ao contrário do que ocorre nos países civilizados, onde a sociedade toma para si a manutenção de teatros e sítios de cultura, por meio da ação de benfeitores e padrinhos da arte, no Brasil das altas taxas de impostos, tudo fica à mercê de governos.

    Quando ocorre, como agora,  a falência do Estado, fulminado pela incompetência e corrupção, os primeiros levados ao sacrifício, curiosamente, são os artistas e os centros de cultura, dentro da visão aparentemente simplista e ignorante de que  arte não enche barriga. Aparentemente, porque a sociedade brasiliense começa a desconfiar do interesse do setor imobiliário na área.


    ***

    A frase que foi pronunciada:

    “Estou pensando em criar um vergonhódromo para políticos sem-vergonha que, ao verem a chance de chegar ao poder, esquecem os compromissos com o povo.”
    (Leonel Brizola)


    Por: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google - Arquivo Público do DF

    Um comentário:

    1. Deus meu!, chega de decadência cultural, de jogar fora o que é bom! O que é que está acontecendo com nosso país??? O caso da Escola de Música é sintoma de doença grave.

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