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  • segunda-feira, 16 de novembro de 2015

    A cidade que queremos

    Na semana passada, entrevistei, com Maryna Lacerda, o geógrafo Aldo Paviani, que honrou nossas páginas na edição de ontem. Ele contou que uma de suas palestras sobre Brasília se encerra com uma pergunta: “Que cidade queremos?”. A provocação seguiu meu rastro no fim de semana, algo como leves puxões nos calcanhares travando meu caminhar. Afinal, que Brasília eu quero?

    Vieram muitas respostas de fato, mas de forma geral podem ser resumidas a uma só.

    Quero a Brasília que se reconheça como Brasília. Tentarei ser mais clara: gostaria muito que toda a Brasília, que compreende o Plano Piloto e todas as cidades a sua volta, entendesse o significado de sua existência, a importância de ser um patrimônio e a imensa necessidade de preservação e do quanto isSo está associado à qualidade de vida. Ou seja, quero a Brasília consciente de si mesma.

    Gostaria muito que todos os brasilienses, caminhando pelo Plano Piloto, reconhecessem um Athos Bulcão. Que todos olhassem com olhos arregalados os jardins de Burle Marx. Que aprendessem na escola e em casa que todo esse verde que nos inunda na área central e nas superquadras tem como base a escala bucólica de Lucio Costa. São tantos os artistas de Brasília e suas fantásticas criações, merecedoras de reconhecimento e crédito.

    Conhecendo sua história, acolhendo os conceitos que a originaram, os brasilienses, que já são maioria absoluta no quadradinho, ganharão autoestima e orgulho por Brasília. E saberão, a partir daí, valorizar também o presente, que tem nos oferecido de bandeja uma leva de talentos inesgotável, sobretudo de cultura urbana. Olha o hip-hop de Ceilândia, olha o valor de nossos grafiteiros.

    Aldo Paviani também nos contou, no fim da entrevista, que certa vez foi convidado para fazer uma palestra no Texas para senhoras da sociedade. Sim, socialites. E o tema pedido era desmatamento, em especial na Amazônia. Ele confessa que estranhou. Mas depois entendeu perfeitamente: era dever daquelas senhoras há anos e anos preservar as árvores texanas. Graças a elas havia ainda muita marca de bala da época do faroeste nos troncos. São cicatrizes que contam histórias para os mais novos, para os turistas. Ai de quem se atreve a cortar um galho sem anuência delas.

    Brasília já tem marcas, além dos palácios e monumentos. Os pilotis, os jardins, as fachadas e tantas outras coisas contam histórias. Há muitos pioneiros, como Aldo, que ainda as narram de maneira espetacular. E apontam o dedo nas feridas feitas sem medo de quem possa não gostar. Temos o orgulho de dar voz a eles aqui no Correio.


    Por: Cristine Gentil – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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