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  • domingo, 8 de novembro de 2015

    Artigo: Inveja pra valer - (Por: Jane Godoy)

    Parece que, a partir desta semana,  começamos a trilhar um bom caminho, quando o assunto é a educação ambiental. Parece! Isso porque foi aprovada e publicada a Lei nº 972/95, que vai regular e punir todos aqueles que jogarem lixo nas ruas, praças e calçadas, mesmo que seja minúsculas guimbas de cigarros “multas para quem jogar lixo na rua deve demorar para virar realidade e pode ter efeitos limitados”. Pelo menos foi o que as tevês mostraram por meio de matérias, destacando, inclusive, uma fiscal andando apressada para pegar um rapaz que teria jogado a guimba do cigarro na calçada.

    Por coincidência, grupos de 30 ou 40 pessoas de Brasília viajaram para a Ásia, exatamente nesta época do ano. Com as facilidades do WhatsApp, notícias chegam a cada minuto, ilustradas por fotos tiradas por cada um, por onde passam. Comentários sobre as folhas de outono que começam a pintar de vários tons de amarelo os parques e jardins, a beleza das construções, dos prédios, monumentos, esculturas, templos (fotos).

    No entanto, tive o capricho de contabilizar todos os comentários e, o que mais compareceu em meio às verdadeiras reportagens turísticas foi a limpeza de ruas, praças, jardins, escadarias dos templos, de tudo. “Não se vê um só pedacinho de papel ou qualquer outra coisa no chão”, disseram uns. “O que mais me espanta é a limpeza do chão, que deixa a gente com inveja ao ver tanto zelo e capricho com o meio ambiente por aqui” completam outros.

    Enquanto isso, nesta terra tupiniquim, precisamos mandar recados para que limpem depósito de lixo em frente à Casa de Apoio da Abrace, para citar só um episódio de nossa luta inglória pela educação das pessoas e o cuidado dos órgãos destinados a tal.

    Chegamos, então, a uma preocupante conclusão: de nada adiantará qualquer lei, que sabemos, como em todos os outros casos, cairá no esquecimento e, como mostrou a tevê, a fiscalização se perderá diante da impossibilidade de coibir esse comportamento defeituoso do brasileiro, que não recebeu desde os bancos escolares e até mesmo em casa, com exceções, é claro.

    Para isso, basta observar os pátios das escolas depois da hora do recreio. Sejam elas particulares ou da rede pública. A filosofia, pelo visto, é deixar sujar para depois limpar, quando deveria ser o contrário: não sujar.

    Antes de aprovar uma lei como essa, deveria ser baixado um decreto severíssimo punindo, de maneira implacável, as escolas que não colocassem em seus currículos a educação ambiental, a começar pelas próprias salas de aula cujas carteiras são rabiscadas e arranhadas com estiletes (como eu vi num importante colégio de Brasília), e pátios que ficam imundos depois do intervalo, com copos descartáveis “voando” pelo chão. É daí que deve partir a lei da preservação ambiental, em parceria com as famílias, que deveriam, também, ser educadas e chamadas às falas durante as reuniões de pais e mestres.

    Esta frase antológica e antiga, “a educação vem do berço”, é o que há de mais correto quando o assunto é asseio, limpeza, cuidados, zelo, preservação. É da escola e da família que deve vir a educação da criança, mostrando a ela que existem lixeiras para receberem o lixo. As crianças são diamantes brutos que vêm ao mundo para serem lapidados. E, como sabemos, o valor daquelas pedras tão lindas, resistentes e brilhantes se baseia na qualidade e no valor de sua lapidação...

    Com as crianças acontece o mesmo. No futuro ela valerá pela sua lapidação e polimento, que só a família e a escola poderão dar. Não adiantam leis lá na frente, se não souberam aplicá-las e fazê-las funcionar “no berço”. E isso se aplica não só no ato de sujar as ruas, como também no trânsito, no respeito à natureza, aos mais velhos, aos professores, aos deficientes, aos negros, aos diferentes e aos especiais.

    Cá estamos de novo naquele velho e tão cantado refrão: um país que não ensina regras de cidadania, patriotismo, limites e respeito ao próximo para suas crianças e jovens; que retirou do currículo escolar a matéria educação moral e cívica, sob a desculpa ignorante de que “era coisa de milico na ditadura”, sofre agora e quiçá para sempre com essa falta de freio, de poder para reverter esse quadro tão sinistro e sem perspectiva de dias melhores. Lamentável.

    Podem vir leis e leis e mais leis, ainda mais como essa de não jogar lixo nas ruas. Tenho pena dos fiscais, como aquela moça que foi atrás do rapaz que jogou toco de cigarro na calçada.

    Vão apanhar!


    Por: Jane Godoy – Coluna 360 Graus – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog – Google 

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