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  • domingo, 15 de novembro de 2015

    As mulheres na filosofia

    Nietzsche andou meio vilipendiado por um livro que, a partir de 99 frases, tentava popularizar as ideias do genial filósofo alemão para digestão rápida, como se fossem pílulas para estresse. Foi uma redução brutal da capacidade de pensamento do mesmo homem que escreveu o seguinte: “Que o homem tenha medo da mulher quando a mulher ama porque ela não recuará diante de nenhum sacrifício e tudo o mais para ela não tem valor. Que o homem tenha medo da mulher quando a mulher odeia porque o homem, no fundo de sua alma, é malvado. Mas a mulher, no fundo da sua, é perversa.”

    Mas com todo respeito ao vetusto filósofo, prefiro quando mulheres falam sobre as diferenças entre os gêneros. E dito isso, peço licença e saio de fininho, passando a palavra a uma leitora, Luiza Cavalcante Cardoso, que escreveu sobre a complicada relação entre homens e mulheres — um assunto recorrente neste espaço — com muito mais propriedade do que eu seria capaz. E ela começa com uma exclamação em forma de suspiro: “Ah! Mulheres”.

    “O problema é que somos diferentes nas emoções, na sensibilidade, no modo como vemos a vida e analisamos os fatos. Aliás, eles são sempre analisados, aumentados e distorcidos, a depender do nível de ansiedade. Fomos educadas no mito da virilidade e supremacia masculina. Até hoje a figura do pai é ainda a do mentor das decisões. Nem que seja para dizer ‘sim, senhora’ ao final. E mesmo hoje, ainda ganhamos menos que os homens nos salários. E ainda contamos com uma série de impedimentos: mulher linda e inteligente é coisa rara para muitos; chorar é coisa de mulher; e quando queremos discutir a relação há sempre um fugitivo ou um homem mudo por perto.

    Mas não somente isto. Ainda temos o famoso ciclo mensal, comprovadamente cheio de dificuldades como inchação, dores, e irritabilidade. Enquanto isto, os homens estão no mundo. Literalmente. Seus problemas e objetivos são outros. Veem mais longe do que nós. E mais objetivamente e linearmente. E, diga-se de passagem, não estão nem um pouco interessados na compreensão ‘deste poço de contradições’ à sua frente. No que não deixam de ter razão. Mas deviam se informar melhor. Ler sobre o assunto, para não se deixarem pegar pelas surpresas do caminho. (…)

    Ah, sim, o choro é um importante sinal. Quando é verdadeiro! Ele diz que precisamos de um carinho, de um olho no olho. Talvez isto seja mais importante para nós do que vencer a batalha. Mas não esqueçam: se vocês já passaram da fase apaixonada e querem se mandar para outra experiência, é inútil fingir. Na maior parte dos casos, antes de vocês mesmos notarem, nós já sabemos que o tiro saiu pela culatra. E então, tem as que esbravejam, se debatem inutilmente com a realidade. Ou as que tentam lutar com novas armas de sedução (o que vejo como inútil). E as que saem do caminho, cabeça erguida, com o orgulho em dia e a alegria no chão. Mas corajosamente reconhecem que o coração tem razões que a própria razão desconhece. E partem para viver novas experiências. Considerem essas reflexões e sejam muito felizes.”

    É preciso dizer mais?




    Por: Paulo Pestana - papestana@uol.com.br – Fonte: Correio Braziliense 

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