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  • sexta-feira, 6 de novembro de 2015

    Ladroagem virtual - (vítimas cotidianas de golpes de operadoras de telefonia e de tevê)

    Por: Severino Francisco

    Caro leitor, peço licença para relatar um assalto que sofri na tarde de ontem. O caso é o seguinte: coloquei R$ 20 de crédito em um celular pré-pago. Dois minutos depois, sem que eu tivesse feito nenhuma ligação, aparece um aviso e eu leio: você gastou R$ 3,90, o seu saldo é de R$ 16,10. Meia hora mais tarde, novo apito e débito: R$ 3,90. Nas horas seguintes, mais alarmes e, ao fim do dia, eu não tinha mais nenhum crédito. Não contratei qualquer serviço adicional. Desconfio que fui alvo de uma ladroagem virtual.

    Todos nós somos vítimas cotidianas de golpes disfarçados das operadoras de telefonia e de tevê. No fim do ano passado, ocorreu um pico de luz no condomínio onde moro e não recebi mais o sinal da tevê a cabo. Ao tentar o contato com uma famosa operadora do ramo, experimentei as primeiras cenas do enredo absurdo que me aguardava. Fiquei conversando com uma máquina durante uns 15 minutos, que me conduzia a 20 opções de serviços até chegar a que me interessava. É como se, para ir do Cruzeiro ao Guará, você fosse obrigado a passar antes por Unaí, Anápolis, Águas Lindas, Anápolis, Varjão, Abadiânia, Recanto das Emas e Condomínio Jardim Botânico.

    Quando, finalmente, eu consegui falar com a atendente, a ligação caiu. Recomecei toda a caminhada por aquela selva selvagem de informações inúteis. Finalmente, expliquei o meu problema à consultora, que pediu o meu telefone para o caso de a ligação cair. Caiu, mas é claro que ela não retornou a ligação. Parei, rezei e pedi a todos os santos paciência.

    Repito o mesmo processo exasperante umas cinco vezes. Nada. Exijo a presença de um técnico. A visita é agendada duas vezes, mas o profissional não aparece. Na terceira vez, ele comparece e, a certa altura do trabalho, me pergunta: “O senhor tem uma escada para me emprestar?” Eu digo a ele: “Como assim? Você está de gozação comigo?” E ele me responde: “Não. Se o senhor precisava de escada, teria que agendar por telefone, pois só temos uma para atender a toda a região”.

    Logo explico novamente e um consultor me promete: “Em 72 horas, o sinal será reestabelecido”. Digo a ele que essa solução não vale, foi a mesma que me deram há dois meses e, já sem paciência, me entrego ao delírio: “Vocês são um caso de polícia. Da próxima vez, ligo para o 190”. Finalmente, depois de dois meses de suplício, o sinal foi reestabelecido. Agora, me roubam créditos descaradamente. Vou reiniciar o périplo pelo inferno burocrático virtual.

    Kafka é o profeta da terceirização, ele previu o absurdo que tomaria conta dos serviços públicos no Brasil. Eles enlouqueceram, ninguém se responsabiliza por nada e ninguém é punido. É por isso que, para eles, o crime compensa. Socorro, Anatel, Procon, Dilma, Ministério Público, Bope, Capitão Nascimento, Sérgio Moro, Grita Geral!!! Chamem a Anatel!!!


    (*) Severino Francisco -editor de Cultura e colunista do Correio Braziliense

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