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  • segunda-feira, 2 de novembro de 2015

    LAVA-JATO » Propina retomada após encontro com Cunha

    Cunha nega qualquer irregularidade e até a existência de contas em nome dele no exterior: procuradores suspeitam do pagamento de propina

    E-mail apreendido pela Polícia Federal aponta que delator do esquema de corrupção enviou US$ 3 milhões para o exterior dois dias depois de reunião com o atual presidente da Câmara na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro

    Documentos recolhidos pela Operação Lava-Jato apontam que o lobista e delator Júlio Camargo — que diz ter sido cobrado a pagar US$ 5 milhões ao deputado presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) — retomou pagamentos de propina atrasados exatamente dois dias depois de uma reunião do parlamentar na Petrobras. Ele iniciou a operação de remessa de US$ 3 milhões em suborno após encontro do peemedebista com o então diretor da Área Internacional da petroleira, Jorge Zelada, um dos presos da Operação Lava-Jato.

    A sequência de fatos consta de mensagens de correio eletrônico da secretária de Zelada, de comprovantes de pagamento exibidos pelo lobista e de depoimentos de outro operador do esquema de corrupção na estatal: Fernando “Baiano” Soares.

    O e-mail em questão pede autorização para que Cunha entre pela garagem da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, para se encontrar com o então diretor no heliponto da estatal. De acordo com a mensagem eletrônica, o encontro ocorreu em 12 de setembro de 2010. Informações contidas no Inquérito nº 4.146, instaurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar Cunha, apontam que Camargo deu início às operações fraudulentas de câmbio para efetuar as remessas de dólares em 14 de setembro daquele ano.

    No e-mail, que confirma a reunião, é mencionado também o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB). Ele afirma, no entanto, que não conhece Zelada e que nunca esteve com ele. “Para diminuir as cobranças, ainda em 2010, com o intuito de dar continuidade aos pagamentos das propinas das sondas, entre 14 de setembro de 2010 e 29 de dezembro de 2010, Julio Camargo promoveu a evasão e posterior reintegração de US$ 3.074.498,87, através de três operações de câmbio, sob a falsa rubrica de investimento no exterior, com o intuito de ter disponibilidade de valores em ‘caixa dois’ para pagamento de propina”, atesta a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

    Eduardo Cunha nega qualquer irregularidade e até a existência de contas em nome dele no exterior. A Procuradoria-Geral da República (PGR) suspeita que o congressista recebeu propina de dois esquemas diferentes na estatal. No primeiro, acusam o deputado de embolsar pelo menos US$ 5 milhões de Júlio Camargo, que conseguiu que a Petrobras comprasse dois navios do estaleiro Samsung em 2006 e 2007 por US$ 1,2 bilhão. No segundo caso, a suspeita é receber 1,3 milhão de francos suíços do lobista João Augusto Henriques, que conseguiu fazer a petroleira comprar metade de um campo de petróleo em Benin, na África, por US$ 34 milhões.

    Navios-sonda
    A sequência de fatos recolhidos pela Lava-Jato, ao menos num primeiro momento, parece unir os dois esquemas. Em depoimento em colaboração premiada com o Ministério Público, Baiano disse que Cunha lhe pediu doações eleitorais em 2010. Em resposta, propôs a ele usar o nome do deputado para cobrar a dívida de Camargo referente à venda dos navios-sonda. O deputado aceitou, segundo o colaborador dos investigadores. Metade do dinheiro ficaria com Cunha, pelo acordo entre os dois.

    Camargo estava atrasando os pagamentos da propina, que se arrastavam desde 2006. O último tinha sido feito em meados de 2009. Em 2010, no ano da conversa com Cunha, os subornos voltaram a ser pagos em 14 de setembro. Era exatamente dois dias depois que, “de ordem de Jorge Luis Zelada”, segundo e-mail da secretária do ex-diretor, o deputado e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), usam o heliponto da estatal. Era 12 de setembro, um domingo, e houve, “provavelmente, reunião de Eduardo Cunha e Jorge Zelada”, segundo parecer do Ministério Público. A autorização era para que o prefeito e o parlamentar voassem em helicóptero entre as 10h45 e 11h.

    Paes disse ao jornal O Globo que naquele domingo tinha agenda de campanha com Cunha naquele horário, mas não se recorda de terem voado de helicóptero e disse desconhecer Zelada. O deputado não comenta o assunto. O Correio tentou entrar em contato com o advogado de Zelada, Alexandre Lopes/ no entanto, ele não respondeu ao recado deixado.

    Dois dias depois do encontro, Júlio Camargo inicia série de três depósitos no exterior de total US$ 3,07 milhões para quitar os compromissos com Baiano, que disse já utilizava o nome de Cunha para fazer as cobranças. As remessas foram feitas em contas do próprio Camargo no Banco Merril Lynch, nos EUA. Mas, com o dinheiro lá, ele tomou empréstimo na instituição em nome de uma empresa do doleiro Alberto Youssef. Segundo Camargo, o doleiro lhe entregou dinheiro em espécie no Brasil, que foi repassado a Baiano. Já Baiano afirmou que os valores em espécie eram entregues ao deputado Eduardo Cunha.

    Cronologia
    2010
    Segundo o lobista Fernando Baiano, o deputado Eduardo Cunha concorda com a proposta de obter doações eleitorais por meio do uso de seu nome para cobrar o lobista Júlio Camargo por uma dívida de US$ 16 milhões.

    12 de setembro de 2010

    E-mail mostra encontro entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha; o prefeito do Rio, Eduardo Paes; e o então diretor da Petrobras Jorge Zelada na petroleira. Era época de uma negociação para compra de poço petrolífero em Benin, costa oeste da África.

    14 de setembro de 2010
    O lobista Júlio Camargo retoma os pagamentos atrasados com Fernando Baiano. Para isso, envia US$ 3,07 milhões para contas do exterior indicadas pelo lobista que, a essa época, já estava em parceria com Eduardo Cunha.

    Fontes: depoimentos de Fernando Baiano e Júlio Camargo e e-mail da Petrobras



    O caminho do dinheiro

    Para investigadores da Lava-Jato, o encontro de Cunha no heliponto da Petrobras é um dos principais caminhos para se comprovar que o parlamentar praticou corrupção no caso do poço de petróleo em Benin. Para outros crimes dos quais ele é suspeito — evasão de divisas, sonegação e lavagem de dinheiro —, a existência de quatro contas na Suíça não declaradas já é considerada prova robusta da participação do deputado nessas condutas criminosas.

    Para provar o crime de corrupção — o que normalmente é mais difícil —, a ideia é considerar que provável reunião de Zelada e Cunha no episódio do heliponto da estatal acontece em meio a uma sequência de decisões internas da companhia sobre a compra do campo de petróleo.

    Em junho de 2010, a Petrobras fez várias avaliações técnicas para saber se compraria metade do bloco 4, que pertencia à Companhia Beninoise de Hydrocarbures (CBH), do português Idalécio de Oliveira, também dono da Lusitânia Petroleum. Em 12 e 23 de novembro de 2011, após o episódio do helicóptero, a petroleira brasileira envia propostas de compra às empresas do empresário português. Em 26 de novembro, Idalécio aceita o negócio. A diretoria e o conselho de administração da Petrobras autorizam a compra em dezembro de 2010 e janeiro de 2011, respectivamente.

    Em 3 de maio de 2011, a Petrobras paga US$ 34,5 milhões à CBH. O dinheiro segue para a Lusitânia Petroleum, dali para o lobista Henriques e, a seguir, para uma conta de Cunha na Suíça. Tudo acontece entre maio e junho daquele ano. 

    Fonte: Eduardo Militão – João Valadares – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog-Google

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