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  • segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

    #ARTEURBANA » Muros com toque feminino - (Coletivos de grafite formados apenas por mulheres)

                 O Risofloras é engajado em trabalhos sociais e no poder das mulheres
                        Camila Siren desenha sua própria personagem em muros pela cidade

    Coletivos de grafite formados apenas por mulheres ainda são minoria, mas já começam a chamar a atenção

    Os muros de Brasília deixaram de ser brancos e cinza e passaram a ser coloridos pelos grafites dos artistas da capital. Os desenhos que trazem cor às ruas da cidade são muitas vezes assinados por homens e, raramente, por algumas mulheres. Há, entretanto, grupos de grafite formados somente pelas meninas que buscam levar arte e crítica social por meio de suas pinturas.

    O coletivo Risofloras, formado por Veronica Pires, Camila Leite e Edilene Colado, é um deles. As meninas de 19, 20 e 28 anos, respectivamente, integram um dos únicos coletivos inteiramente formados por mulheres no grafite em Brasília. Nas artes do Risofloras, as garotas reivindicam a força das mulheres. “O Risofloras segue a linha de empoderamento feminino. A gente pinta para reivindicar a força da mulher”, disse Camila Leite, estudante de artes plásticas na Universidade de Brasília.

    A ausência das mulheres no meio é explicada pelo fato de o grafite ainda ser visto como vandalismo. “Por isso temos dificuldade em sair para as ruas para pintar. Algumas meninas sentem medo. Elas têm o trabalho, mas não mostram porque não é seguro”, diz Camila.

    Camila Siren também trabalha com a arte de rua, porém, sozinha. A grafiteira de 18 anos está na carreira há 2 anos e concorda que ainda há poucas mulheres no meio. “Isso ocorre por um fator social. Muitas meninas deixam de pintar, ou até mesmo experimentar, pela insegurança que sentem sozinhas nas ruas.” Siren conta que leva de 40 minutos a 1 hora para fazer uma pintura. “Esse tempo todo fico à deriva de qualquer perigo.”

    Entretanto, Siren acredita que a quantidade de mulheres no meio está aumentando. “Cada vez mais, aparecem garotas tirando os desenhos do papel e colocando na parede.” Segundo ela, o preconceito com o grafite vem da origem dessa arte, que surgiu nos guetos e era um ato de vandalismo. Somente depois essa arte urbana foi para galerias e museus.

    Origem do grafite
    O grafite surgiu no Império Romano, mas só ganhou força no Bronx, em Nova York, na década de 1970, como forma de manifestação artística. É um movimento das artes plásticas em que o artista usa a arte para interferir na cidade usando espaços públicos e manifestando indignação social por meio de pinturas nos muros. O principal nome na arte urbana é Jean-Michel Basquiat (1960-1988), conhecido como o primeiro grafiteiro de Nova York. Basquiat começou a pintar os muros em 1977 e em 3 anos já havia se tornado um artista reconhecido que revolucionou o modo de ver a arte nos Estados Unidos e no mundo, proporcionando maior visibilidade ao grafite, que ganhou status de arte. Ainda hoje Basquiat é uma referência para os artistas de rua.


    Fonte: Correio Braziliense – Coluna “Diversão & Arte” – Fotos: Rodrigo Zago/Divulgação – Marcelo Fereira/CB/D.A.Press.


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