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  • quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

    Brasil sem crédito

    A complicada crise econômica ficou pior com o rebaixamento do Brasil para o grupo de países especulativos pela agência de classificação de risco Fitch, a segunda das três maiores do mundo. A decisão decorre do descompromisso do governo com as metas de superavit primário como propôs o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que deverá deixar a pasta, para agravar ainda mais a imagem brasileira. Ele defendia redução de gastos públicos em 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano. No fim, o governo baixou para 0,5%, que poderá chegar a zero.

    A crise econômica está ancorada no deficit fiscal e tenderá a se tornar mais aguda no próximo ano com a recusa do Executivo de enxugar a máquina pública e cortar despesas. Em setembro, a Standard & Poor’s excluiu o Brasil da lista de bons pagadores. A Moody’s, que mantém o país entre as opções de investimento, avisou que estuda a possibilidade de adotar avaliação semelhante à das duas outras.

    As análises convergem para o fato de que o país enfrenta profunda recessão e recomenda cautela na expansão dos negócios. A perda de credibilidade torna mais difícil reverter a crise econômica. Afugenta investidores externos e reduz o ingresso de dólar no mercado. Com isso, além de encarecer a moeda norte-americana, aumenta a inflação, o que obriga o Banco Central a elevar a taxa de juros.

    O próprio governo fica sem condições de recorrer a empréstimos externos. O custo do dinheiro para nações com baixa credibilidade é muito mais alto. Dessa forma, os investimentos públicos ficam comprometidos. Mais: depois de uma década, os Estados Unidos elevaram os juros.  Empresas dispostas a investir vão preferir o mercado norte-americano, mais seguro e rentável. O impacto da decisão do Federal Reserve seria facilmente amortecido se o Brasil estivesse com a economia organizada.

    O esforço da equipe econômica para elevar a receita da União em 2016 esbarra no conflito personalizado entre os presidentes da República, Dilma Rousseff, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A tensão chega próxima ao ápice com a abertura do processo de impeachment da chefe do Executivo e o avanço da Operação Lava-Jato, que não poupa parlamentares, ministros, empresários e banqueiros, acusados de corrupção.

    Assim, o pacote de ajuste fiscal está parado no Congresso Nacional. Os apelos do titular da Fazenda não têm eco no parlamento e tampouco no Executivo. Aprovar as proposições da equipe econômica poderia tirar o país do atoleiro, mas o mérito seria da presidente, inadmissível pela oposição. A aposta ficou no quanto pior melhor, não importando as perdas que a opção causa à sociedade e retarda a retomada do desenvolvimento. Hoje, tão ou mais grave do que a perda do grau de investimento, é o fato de interesses rasteiros se sobreporem aos da nação e de imporem retrocessos econômicos e sociais com dimensões incalculáveis.


    Fonte: “Visão” do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog – Google 

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