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  • quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

    Maltratada língua

    “Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura.”
    (Olavo Bilac)

    Fosse alinhada, pelo grau crescente de importância para o desenvolvimento da espécie humana, sem dúvida, a linguagem ocuparia o mais alto dos patamares. Graças ao aperfeiçoamento paulatino dessa faculdade cognitiva, foi possível estabelecer sistema de comunicação oral e inteligível entre os indivíduos, o que permitiu a transmissão e a troca de experiências pessoais sobre o mundo em volta.

    Ao lado da mão, a linguagem se destaca como a principal ferramenta que abriu o caminho evolutivo para a humanidade. Como atores da fala, as mãos representam, em seus infinitos gestos, o que se diz. É dessa união entre fala e mãos que vão surgindo os sinais e os códigos, que, posteriormente, serão fixados em argila e em pergaminhos.

    Nesse longo processo que vai da escrita cuneiforme ao mundo virtual dos computadores, a linguagem sempre se manteve presente graças à capacidade inesgotável de acompanhar as mudanças, adaptando-se aos novos tempos.

    A língua, no sentido de idioma, é sempre instrumento vivo. Por isso cresce, se desenvolve, transforma-se e pode, eventualmente, deixar de existir. Como elemento e bem cultural, seu valor é inconteste. Nesse sentido, faz-se importante destacar alguns fatos recentes, que mesmo isolados entre si, dizem respeito à língua como bem a ser preservado como joia rara de família.

    Antes, contudo, à guisa de mera ilustração, é preciso destacar que, de acordo com estudiosos da língua portuguesa, o mais antigo documento oficial datado, escrito em português, que chegou até nós (o Testamento de Afonso II, de 1214), prova, devido às convenções gráficas mais ou menos estáveis, que, no ambiente da Corte, já se escrevia em português há algum tempo. Com isso se harmoniza a datação da mais antiga cantiga trovadoresca, Ora faz ost’o senhor de Navarra, de João Soares de Paiva: o ano de 1196. E a Notícia de Torto, um documento privado sem data, mas situável por volta de 1214, atesta como a língua portuguesa era já usada, pontualmente, para registar apontamentos informais e efêmeros. Essa prática foi recentemente comprovada por uma Notícia de Fiadores, de 1175.

    Mas é a partir de 1255 que começa a produção regular de documentos escritos em português, primeiro na chancelaria régia, depois por toda a parte. (Instituto Camões). Nestes mil anos que nos separam dos primeiros arranjos da língua portuguesa, vemos que o idioma, falado por mais de 250 milhões de pessoas nos quatro continentes, é hoje a quarta língua mais falada no planeta, sendo, também,  o quinto idioma mais usado na internet. No Facebook, o português é a terceira língua mais usada e a que cresceu oito vezes mais em conexões entre 2010 e 2012.

    De acordo com estatísticas levantadas pelo Instituto Camões, aproximadamente, 335 milhões de pessoas falarão a língua portuguesa. Pela importância que vem ganhando como idioma global e pelo fato de ser a língua oficial falada em oito países, é de se supor que no Brasil, onde 205 milhões de cidadãos se entendem por meio desse idioma, a população e, principalmente, as autoridades, atribuam algum valor a essa herança cultural.

    O acordo ortográfico, prevendo mudanças na língua portuguesa, deverá entrar em vigor a partir de 1º de janeiro de 2016. O acordo para padronizar a ortografia da língua foi acertado pelos membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 1990. Com a nova medida, a língua portuguesa será alterada em 0,8% dos vocábulos, no Brasil, e 1,3% em Portugal. A intenção dos reformadores é facilitar o processo de intercâmbio cultural entre os países e ampliar a divulgação do idioma e da literatura. As 23 letras do nosso alfabeto passarão a ser acrescidas das letras K, W e Y, por exemplo.

    No Brasil, o flagelo de um governo que soube, como ninguém, reinventar a crise em todas as suas versões política, econômica e social, possui, na atualidade, uma “presidenta” alheia ao idioma, que o massacra a cada fala improvisada. De tanto se expressar de forma torta, Dilma tem lugar garantido na história do Brasil como a mandatária mais desleixada no uso da língua. Suas falas frequentes viraram idioma próprio: o dilmês. A coleção de frases sem sentido, no que os jornalistas chamam de terreno baldio da mente de Dilma, tem produzido um tal número de pérolas da língua que, reunidas em livro, se transformaram no best-seller do ano: Dilmês, o idioma da mulher sapiens, do jornalista Celso Arnaldo Araújo.

    Na era da mediocridade em que o Brasil está mergulhado, miséria pouca é bobagem. Para coroar o ano de pragas como o Zika vírus, a morte do Rio Doce e o incêndio no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, parece selar simbolicamente nosso destino de eternos terceiro-mundistas.

    A frase que foi pronunciada
    “Ganhamos quando repartimos. Essa é a matemática cristã.”
    (Padre Leo) 


    Por: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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