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  • domingo, 6 de dezembro de 2015

    #MOBILIDADE » Brasiliense não abre mão do carro

    Engarrafamento no Guará: o Distrito Federal está entre as unidades da Federação com o maior número de veículos por habitante

    Pesquisa realizada pela Codeplan em 11 regiões administrativas revela que, por conta do sistema público ineficiente, moradores do DF privilegiam o transporte individual. E quem depende do coletivo não hesita: se pudesse, migraria para o automóvel

    escriturário Cláudio Roberto Araújo, 55 anos, não sabe o que é andar de ônibus. Morador do Guará, ele utiliza o carro diariamente para chegar ao trabalho, no Setor Comercial Sul. Nem mesmo a facilidade de ter uma parada perto de casa e do escritório o convence a deixar o veículo em casa. “A última vez que utilizei o transporte público foi porque o carro estava na revisão. Até daria para ir de ônibus. Nunca tentei por conta da comodidade do carro”, admite. Cláudio não está sozinho: a maioria dos donos de automóveis não abre mão da comodidade. E quem depende do coletivo não titubeia: se pudesse, migraria para o transporte individual.

    A preferência do brasiliense em relação ao automóvel é comprovada pela primeira vez na capital pela Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad). O levantamento, realizado em 11 regiões administrativas do Distrito Federal, revela que, mesmo quando trabalha próximo de casa, a maioria das pessoas prefere ir para o trabalho de carro. Das regiões administrativas pesquisadas até agora, Sobradinho e Guará lideram em número de veículos e também encabeçam a lista da preferência pelo automóvel para se deslocar. Brazlândia, por sua vez, é onde as pessoas mais andam a pé. Já o Recanto das Emas lidera o ranking dos deslocamentos de ônibus.

                   Cláudio Araújo, 55 anos, poderia usar ônibus, mas prefere o automóvel
    empregada doméstica Maria do Rosário Oliveira, 60, não tem alternativa. A moradora do Recanto das Emas trabalha no Lago Norte, não tem veículo próprio e nem conhece alguém que faça o mesmo trajeto e que possa oferecer uma carona. “Gasto de uma hora e meia a duas horas para ir ao trabalho e voltar para casa, todos os dias. De carro, eu não levaria nem uma hora”, avalia.

    Além da demora para realizar o trajeto, Maria do Rosário se queixa de que os motoristas não costumam cumprir o itinerário. Perguntada sobre a possibilidade de locomover-se de automóvel, ela não hesita.“Se pudesse comprar um carro, não andava mais de ônibus. Demora muito e é muito cansativo, cansa”, reclama.

    Planejamento
    Brasília está entre as capitais com o maior número de veículos por habitante. Para cada grupo de 1,8 morador, existe um carro ou moto registrada. A renda per capita alta contribui para uma taxa de motorização tão elevada. E isso não seria nenhum problema, não fosse a dependência do brasiliense em relação ao carro para se deslocar. Com um sistema de transporte precário e com grande parte dos postos de trabalho concentrados no Plano Piloto —  distante das cidades de origem — são poucos os que se animam a deixar o carro na garagem e seguir de ônibus, de metrô, a pé ou de bicicleta.

    Renan Joseph de Moraes, 19 anos, está louco para ingressar no grupo dos motorizados. Morador de Santa Maria — segunda colocada no ranking das regiões onde as pessoas mais utilizam o ônibus para chegar ao trabalho —, ele precisa chegar diariamente ao Plano Piloto. “Pretendo aprender a dirigir no segundo semestre de 2016 e aí vou abandonar o ônibus. Para Santa Maria,o coletivo passa em um horário diferente a cada dia. Como não sei que horas o transporte vai passar e não posso chegar ao trabalho depois de 7h, então estou na parada todos os dias às 4h30”, conta o militar.

    A Pdad revela que os residentes do Guará são os que mais usam o próprio veículo para ir trabalhar (87,54%), seguidos dos de Sobradinho (46,68%). Mas há exceções. Moradora do Guará, Ana Carina Carlos, 50 anos, tem carro mas dá preferência ao transporte coletivo para chegar ao Setor Bancário Sul, no Plano Piloto. “Na frente da minha casa, tem um ponto de ônibus e desço na porta do trabalho. Não tenho necessidade de usar o carro. E onde trabalho, é muito complicado achar vaga em estacionamento”, disse.

    A gerente de Pesquisas Socioeconômicas da Companhia de Planejamento (Codeplan), Iraci Peixoto, diz que o levantamento da Pdad pode auxiliar no planejamento de trânsito e do transporte urbano a partir da realidade de cada região. “Fizemos o cruzamento de informações relacionando a renda, a escolaridade e o uso do transporte público. Quanto maior a renda e a escolaridade, menos as pessoas usam o transporte público”, conta.

    Paulo César Marques, engenheiro e doutor em estudos de trânsito, concorda que um dos méritos do levantamento é oferecer ao poder público elementos concretos para a adoção de medidas capazes de melhorar as condições de deslocamentos da população. Revela ainda que as deficiências do transporte público não se resumem ao movimento pendular — das regiões administrativas para o Plano Piloto e vice-versa —, mas também estão presentes dentro das próprias cidades. “Existem problemas na rede local de transporte. E se é ruim, não faz diferença se a pessoa trabalha longe ou perto de casa, ela vai escolher o automóvel”, diz.

    Marques cita o caso do Guará, uma das localidades com grande quantidade de veículos e alto índice de deslocamento com automóvel. “No Guará tem metrô. Mas as pessoas precisam chegar até a estação e, para isso, dependem de um sistema de transporte que alimente o metrô. Se esse sistema é deficitário, elas precisam do carro para chegar ao metrô. Uma vez dentro do veículo, continuam nele”, disse.

    Fonte: Adriana Bernardes – Paula Braga – (Especial para o Correio) Fotos: André Violatti-Esp/CB/D.A.Press

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