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  • terça-feira, 1 de dezembro de 2015

    Polícia Civil do DF prende líder do Movimento de Resistência Popular

    Outras seis pessoas acusadas de extorsão foram detidas nas primeiras horas desta terça-feira (1º), e três estão foragidas. Apreenderam-se armas e dinheiro com o grupo
    A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nas primeiras horas desta terça-feira (1º) o líder do Movimento de Resistência Popular (MRP), Edson Francisco da Silva, de 35 anos, a esposa dele, Ilka da Conceição Carvalho, de 26 anos, e outros cinco integrantes do grupo. Três estão foragidos. As investigações apontam que eles extorquiam dinheiro de pessoas beneficiadas com o auxílio-aluguel, concedido pelo governo de Brasília a famílias sem condição comprovada de moradia.
    O valor de R$ 600 é exclusivo para arcar com aluguel de imóvel residencial. No entanto, de acordo com a Polícia Civil, cada beneficiário era coagido a repassar R$ 300 à liderança do movimento. "Inicialmente, a cobrança era de R$ 50 por mês. Eles falavam que o dinheiro era necessário para manutenção do grupo", informou o chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, responsável pela operação, Luiz Henrique Sampaio.
    Os criminosos fingiam ter influência sobre a lista de beneficiados e ameaçavam retirá-los do programa. "Depois, isso evoluía para ameaças verbais e até mesmo violência física, com uso de arma de fogo", contou o delegado. A investigação teve início em setembro, depois que vítimas do grupo começaram a fazer denúncias.
    A polícia espera que, com a divulgação das prisões, outras pessoas denunciem os abusos. Já estão comprovadas pelo menos 80 vítimas do golpe.
    Presos
    Além de Edson e Ilka, detidos em Brazlândia, na casa dos pais da mulher, foram para a cadeia Gilson Arcanjo da Silva, de 36 anos; Edmilson Gonçalves, de 44 anos, e a esposa dele, Sandra Pereira Meireles, de 30 anos; Berto Florêncio dos Santos, de 27 anos; e Diego Barbosa de Souza, de 34 anos. As prisões ocorreram em Ceilândia, em Planaltina, no Recanto das Emas, em Samambaia e no Plano Piloto.

    Com Gilson, apreenderam-se quatro armas de fogo, munição e uma espada. Os policiais também recolheram uma algema, uma balança de precisão e uma pequena porção de maconha, além de documentos que auxiliarão nas investigações e do carro utilizado por Edson e a esposa. "Chamou a nossa atenção o fato de ele e Ilka circularem em um veículo de R$ 85 mil, adquirido no início deste ano", destacou Luiz Henrique Sampaio. O carro foi parcelado, e mais de R$ 30 mil já foram quitados. O casal ainda alugava um apartamento de classe média, em Taguatinga, no Residencial Varandas — palavra que dá nome à operação deflagrada hoje (1º), às 5 horas.
    A delegacia especializada ainda apreendeu parte do material furtado do Hotel St. Peter em setembro, como televisores, chuveiros elétricos, bebidas e roupas de cama e de mesa. Segundo as investigações, a maior parte dos produtos não foi recuperada por já ter sido vendida. Também foram apreendidos R$ 26 mil na casa de um dos foragidos. A suspeita é que esse dinheiro seja referente à extorsão do auxílio-aluguel pago há poucos dias pelo governo.
    Homicídio
    Edmilson Gonçalves do Nascimento, um dos integrantes do grupo que fazia a segurança do líder do MRP, cometeu um homicídio há cerca de duas semanas, em Padre Bernardo (GO). Segundo o delegado, Edson procurava pessoas com histórico criminal para assumirem a função de segurança. A maior parte tinha envolvimento com tráfico de drogas. Eles recebiam parte do dinheiro extorquido.

    "O Edson ocultava a riqueza. A gente percebia que, quando ele ia para o acampamento, parava o carro longe", resume Sampaio. O grupo responderá por extorsão, formação de quadrilha armada, furtos e, eventualmente, lavagem de dinheiro. Os crimes podem render até 30 anos de prisão. "Individualmente, ainda temos tráfico de drogas e homicídio."
    Articulação
    O Movimento de Resistência Popular foi criado após Edson Francisco Silva e outros militantes serem expulsos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), em maio deste ano, por violação grave dos princípios do grupo. Desde então, Edson organiza invasões a locais e espaços públicos e privados reivindicando o pagamento de auxílio-aluguel para as famílias que o seguem. A polícia ainda investiga a denúncia de que o homem já cobrasse, dentro do MTST, parte do auxílio-aluguel dos beneficiários.

    Vindo de São Paulo, Edson começou a atuar na capital do País em julho de 2011. Nessa época, reunia-se com lideranças comunitárias da Estrutural, de Ceilândia e de Brazlândia para convencê-las a agir de forma mais agressiva. O objetivo seria ganhar visibilidade midiática. A articulação lhe rendeu o posto de coordenador regional do MTST no DF.
    Primeira grande invasão
    A invasão em Ceilândia Norte, que ganhou o nome de Novo Pinheirinho, foi a primeira grande ação organizada por Edson em Brasília. Em 21 de abril de 2012, cerca de mil pessoas ocuparam as proximidades da QNR. Após negociação com o governo, 1.449 famílias foram cadastradas em programas sociais de moradia. Dessas, 620 passaram a receber, durante três meses, o auxílio-aluguel, na época de R$ 408.

    Denúncias de que o coordenador e outros militantes estariam cobrando uma cota em cima do auxílio-aluguel de algumas famílias criaram um mal-estar com a coordenação nacional do MTST. Edson foi expulso.
    Em 17 de maio deste ano, um grupo liderado por Edson reuniu-se em Ceilândia Norte, na Praça da Bíblia, onde decidiu promover uma manifestação na Rodoviária do Plano Piloto no dia seguinte. A ação atraiu mais pessoas, chegando a 250 participantes.
    Em junho, o grupo invadiu por quase três dias o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), da 614/615 Sul, e, em 1º de julho, a sede da Secretaria de Fazenda, no Setor Bancário Norte. Depois de sair do órgão no dia seguinte, o movimento ficou até 12 de setembro em um estacionamento do setor. Depois, invadiu o Hotel St. Peter, no Setor Hoteleiro Sul. Ainda em setembro, os integrantes foram levados ao antigo Clube Primavera, em Taguatinga. Em 23 de outubro, eles seguiram para o antigo Torre Palace Hotel, no Setor Hoteleiro Norte, onde continuam até hoje.
    Fonte: Mariana Damaceno, da Agência Brasília - Foto: Mary Leal/Agência Brasília

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