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  • terça-feira, 15 de dezembro de 2015

    Senador Cristovam Buarque: Foram golpes

    A campanha Impeachment é Golpe é um golpe em si contra as instituições porque tenta iludir o povo, escondendo que a interrupção do mandado de presidente está prevista na Constituição. É golpe também contra a história ao tentar confundir essa campanha com a campanha do Brizola, com arma na mão contra os tanques do Exército que cercavam as instituições. A eleição do Cunha e o que tem sido visto na Câmara dos Deputados nas últimas semanas é golpe diário dado na consciência da envergonhada população brasileira. Mas esses dois são apenas exemplos de golpes que o povo brasileiro vem sofrendo.

    Os governos Dilma e Lula deram golpes ao se apropriarem da máquina do Estado como se fosse propriedade dos partidos da coalizão. Petrobras, Eletrobras, Nuclebras, Correios foram saqueados por propinas e manipulações para servir a propósitos eleitorais: o desmonte dessas empresas foi golpe contra as instituições econômicas. Manipular as contas públicas e tratá-las sem responsabilidade foi golpe contra a sociedade brasileira, ao comprometer o funcionamento do governo e o futuro do país, provocando inflação e corte de verbas em setores prioritários.

    Perder a guerra contra um mosquito que agora provoca uma das nossas maiores tragédias epidêmicas foi golpe sério contra a população. Sem esquecer o golpe de deixar sem pleno desenvolvimento intelectual milhões de crianças que não recebem a educação necessária para o aproveitamento dos cérebros normais. Adotar o slogan publicitário Pátria Educadora apenas para efeito de marketing é golpe na alma do povo brasileiro.

    É golpe contra o povo ter reduzido a tarifa de luz para ganhar votos, sabendo que teria de elevá-la logo depois da posse e, mesmo assim, deixando o sistema elétrico desorganizado. Como também é golpe encher de tristeza e perplexidade toda a população brasileira, inclusive os antes combativos militantes do PT.

    É longa a lista de gestos golpistas dados pelo governo e os partidos que apoiam a presidente Dilma. Mas é também golpe dizer que o impeachment da Dilma resolverá os problemas do Brasil. É golpe não alertar que, qualquer que seja o novo presidente, o Brasil não vai se reconstruir sem grandes reformas estruturais que exigirão sacrifícios da população. Esconder isso é como reduzir tarifas para ganhar eleição: é golpe.

    O Brasil tem sido golpeado e o impeachment não é golpe porque está previsto na Constituição, mas para ele ser dado é preciso seguir rigorosamente a Constituição nos artigos que definem as causas e os ritos do impeachment. Será golpe não analisar, avaliar e julgar se a presidente cometeu os crimes previstos na Constituição para justificar a interrupção de seu mandato.

    Se tivéssemos um regime parlamentarista, poderíamos interromper o mandato do chefe de governo, o primeiro-ministro, apenas por motivos políticos, sua incompetência, sua perda de credibilidade e de confiabilidade, mas no presidencialismo o presidente é também chefe de Estado, representa a nação e, por isso, tem mandato. Sua substituição exige o rigor e o cuidado da lei. Caso contrário, seria golpe, mesmo que desejado pela maioria.

    Mas também é golpe comprovar que ela cometeu crime e votar contra o impeachment por apego a cargos no governo ou por ser do partido que a apoia. O governo Dilma é tão reconhecidamente ruim por ter feito o que seu ministro da Fazenda e seu marqueteiro queriam e por estar tão rodeado de corrupção que a quase totalidade da população percebe que mais três anos de governo seriam desastrosos para o Brasil, mas também seria desastroso substituí-la antes do prazo sem seguir a Constituição.

    O melhor para o Brasil é que o processo de impeachment continue, sem golpes contra as instituições políticas para podermos consertar seus golpes contra nossas instituições econômicas e sociais, contra a imagem do Brasil no exterior e contra nossa autoestima nacional.


    (*) Cristovam Buarque - Professor emérito da UnB e senador pelo PDT-DF – Foto/Ilustração: Blog – Google – Fonte: Correio Braziliense

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