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  • terça-feira, 5 de janeiro de 2016

    Para ler nas férias - ( Livros lançados nos últimos meses de 2015 para começar 2016 em dia com a leitura. Confira!)

    Uma seleção de livros lançados nos últimos meses de 2015 para começar 2016 em dia com a leitura. Confira!!!

    Existe um tipo de viagem que custa menos de três dígitos, é mais ecológica que uma hora dentro de um carro ou avião e pode levar o viajante a terras muito distantes sem necessidade de malas e documentos especiais. É um tipo de viagem ideal para as férias de baixo orçamento e grandes ambições, com bilhete disponível em qualquer livraria, biblioteca ou até mesmo a um clique de distância dos dedos do candidato ao embarque. E mesmo que o deslocamento seja físico e real, um bom livro não faz mal. O Diversão&Arte selecionou lançamentos recentes capazes de transportar o leitor para pequenos (e muitas vezes surpreendentes) mundos. Tempo de férias também é tempo de colocar a leitura em dia. Bom proveito!

    Ficção
    Um menino-escravo que teria convivido com o maior abolicionista norte-americano, um escritor frustrado armado de farpas contra o mundo da literatura e um secretário particular em uma Madri pós-franquista prestes a vivenciar a famosa Movida dos anos 1980. São muitos os cantinhos da ficção produzidos em 2015 e ainda quentinhos, recém-saídos do forno. A começar pelo curioso O pássaro do bom senhor, do americano James McBride.

    O romance ganhou o National Book Award, prêmio mais importante da literatura nos Estados Unidos, ao lado do Pulitzer, e é uma ficção histórica curiosa. Salvo de incêndio em igreja em 1966, suposto diário de ex-escravo chamado Henry revela a ligação do autor com o abolicionista John Brown. Henry teria convivido, durante a infância, com o personagem conhecido pela luta contra a escravidão. Originalmente um saxofonista e compositor, James McBride já publicou quatro romances. É muito apreciado pela crítica norte-americana e um de seus livros, Milagre em St. Anna, inspirou filme de Spike Lee.

    Gremista de Porto Alegre, Reginaldo Pujol Filho é uma das vozes irreverentes da literatura contemporânea brasileira e seu Só faltou o título vai na esteira provocativa da autoficção. É tudo mentira, garante o autor, mas o leitor fica confuso com as fronteiras entre realidade e ficção ao mergulhar na história de Edmundo, escritor frustrado, hater pré-internet, muito crítico quanto ao mundinho dos autores brasileiros contemporâneos.

    Lourenço Mutarelli transita na mesma fronteira. Seu O grifo de abdera mistura de personagens que, ao final, são apenas um. É confuso mesmo, mas Mutarelli brinca com a própria identidade e a fusiona à do narrador para criar um sujeito bizarro: ele jura ser ele mesmo e um outro. Enfim, é um caminho comum (e divertido) quando se trata de Mutarelli. Mais clássico, Javier Marías busca a história recente em Assim começa o mal. Escritor multipremiado — 21 prêmios, incluindo os prestigiados Femina (França) e Nelly Sachs (Alemanha) — e autor de 12 romances, o espanhol ficou conhecido no Brasil com Enamoramentos, publicado por aqui em 2012. Assim começa o mal tem a mesma linha narrativa e até retoma um personagem de Enamoramentos.

    Não ficção
    A figura de Oliver Sacks comoveu o mundo da literatura de não ficção em 2015. O neurologista escritor, autor de preciosidades como Tempo de despertar e Alucinações musicais, passou os últimos meses de vida após a descoberta de uma metástase preparando a autobiografia Sempre em movimento, publicada em julho de 2015, mas é um livrinho recém-chegado às livrarias que merece toda a atenção do leitor neste início de 2016. Gratidão tem apenas 62 páginas, mas é uma lição de vida sem pieguices ou conselhos. Tratam-se dos últimos textos escritos por Sacks antes de morrer, em agosto, e falam da expectativa da morte e da diferença que faz uma vida bem vivida quando se está próximo do fim.

    A irreverência de Xico Sá é sempre uma boa opção de humor inteligente capaz até de alimentar reflexões sérias. Último volume da trilogia Modos de macho & modinhas de fêmea, Os machões dançaram tem sua atualidade em um ano marcado por #meuprimeiroassédio e #meuamigosecreto. A internet e as redes sociais, aliás, se revelaram fonte generosa para o cronista. De tanto observar o que acontece por lá (e por outras paradas também), Sá voltou com tipos hilários. Tem o Macunaemo, o “típico brasileiro metropolitano. O Homem de Ossanha, “cara que provoca, assanha a moça no campo virtual e, na vida real, sempre cai fora com uma desculpa furada”, e o macho alfa, bem, é uma utopia. “Como pode existir um homem com tantas convicções inegociáveis, com tanto arrojo e determinação em uma era de tantas incertezas?”, se pergunta Xico Sá.

    Para quem prefere temas mais sérios, dois livrinhos dignos de atenção merecem um lugar na mesa de cabeceira. Carta aos escroques da islamofobia que fazem o jogo dos racistas ajuda a compreender por que as intenções do jornal satírico francês Charlie Hebdo nunca foram racistas. Escrito por Stéphane Charbonnier, um dos jornalistas mortos no atentado de fevereiro contra o jornal, o manifesto discorre sobre racismo, islamofobia, liberdade de expressão, crenças, democracia e outros temas ligados às tensões sociais e raciais na França de hoje. “Se você acha que a crítica às religiões é expressão de racismo”, diz Charb. “Então, boa leitura, porque esta carta foi escrita para você.” Em Se liga no som — As transformações do rap no Brasil, o músico e antropólogo Ricardo Teperman investiga as transformações na maneira de fazer e ouvir rap no Brasil. Não é um ensaio para esgotar o tema, e sim para abrir uma porta de pequisa para um gênero capaz de dar voz à periferia das grandes cidades.

    Poesia
    Não há maneira mais lírica de começar o ano do que munido de bons versos. E Carlos Drummond de Andrade sabia disso. Não foi o próprio poeta quem organizou Receita de Ano Novo, que a Companhia das Letras publicou em dezembro, mas ali estão alguns dos poemas que falam de mudanças, recomeços, festas de fim de ano e renovação. Vale a leitura descompromissada, assim como vale revisitar os versos de Adélia Prado, agora todos juntos em Poesia reunida. A publicação da editora Record comemora os 80 anos da autora, completados em 13 de dezembro de 2015.

    Estante

    Gratidão
    De Oliver Sacks. Tradução: Laura Teixeira Motta. Companhia das Letras, 64 páginas. R$ 19,90

    Se liga no som — As transformações do rap no Brasil
    De Ricardo Teperman. Claro Enigma, 178 páginas. R$ 29,90

    Carta aos escroques da islamofobia que fazem o jogo dos racistas
    De Stéphane Charbonnier. Casa da Palavra, 96 páginas. R$ 34,90

    Os machões dançaram
    De Xico Sá. Record, 192 páginas. R4 32

    Assim começa o mal
    De Javier Marías. Tradução: Eduardo Brandão. Companhia das Letras, 520 páginas. R$ 49,90

    O grifo de Abdera
    De Lourenço Mutarelli. Companhia das Letras, 280 páginas. R$ 44,90

    Só faltou o título
    De Reginaldo Pujol. Record,322 páginas. R$ 45

    O pássaro do bom senhor
    De James McBride. Tradução: Roberto Muggiati. Bertrand Brasil, 378 páginas. R$ 45

    Poesia reunida
    De Adélia Prado. Record, 544 páginas. R$ 70

    Receita de Ano-Novo
    De Carlos Drummond de Andrade. Companhia das Letras, 92 páginas. R$ 34,90



    Fonte: Nahima Maciel – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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