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  • sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

    Políticos vão e vêm. Eleitores não veem

    Um dos grandes problemas com os políticos brasileiros é que eles, depois de eleitos, acreditam ser possível seguir adiante sem o aval dos cidadãos, principalmente dos eleitores. A maioria simplesmente vira as costas para o populacho. Tranca-se em gabinetes refrigerados em confabulações infindas de toda ordem travadas apenas com gente do mesmo status.

    Ao verem-se cingidos pela aureola tênue do poder, acreditam piamente ter entrado, para sempre, num mundo novo, onde vão pairar acima dos demais por um bom período.

    Santo Agostinho costumava dizer: “A soberba não é grandeza, mas inchaço, e o que está inchado parece ser grande, mas não é saudável”. Postos na confortável torre de marfim, passam a se sentir verdadeiramente “no céu”. Ocorre que, apartados daqueles que, de fato, o alçaram ao cume, perdem o ponto de referência, mas, ainda assim, não se dão conta e prosseguem, falsamente libertos.

    Dissociados da origem, se convencem da independência total. A partir desse ponto, passam a ser representantes apenas dos próprios desejos, alargados ad infinitum, com as novas companhias. Caras mordomias, bajulações, novos trajes, novos restaurantes, novos carros, novas residências, novas amizades. Tendo provado os acepipes do cargo, acabam fisgados pela gula da alma. Desse ponto em diante, fundem-se com o entorno e tornam-se iguais aos demais.

    Como a vida boa parece escorrer ainda mais ligeira, apenas por ser boa, passam a utilizar grande parte do tempo de mandato no garimpo de novos veios que possam reconduzi-los ao céu. Como o caminho que leva ao paraíso, tem que passar, necessariamente primeiro pela terra e pelo eleitor, nosso político volta a calçar, temporariamente, as sandálias da humildade e a correr atrás do voto.

    Transformado em bilhete premiado, o voto é perseguido como água fresca no deserto. Por ele, mesmo as mais vexaminosas situações de humilhação e prostração são permitidas. Por ele, vendem a alma que já não possuem. Untam a mãe de cola, cobrem com penas de aves e a vendem como galinha gorda no mercado mais próximo. Para voltar ao céu, nossos sapos entram na viola, violam leis, falsificam assinaturas, recebem dinheiro sujo e rolam na lama. Quem fica no inferno é o mesmo que os colocaram no paraíso

    ***


    A frase que poderia ser pronunciada
    “Pela inoperância, excesso de funcionários para pouca eficiência e roubo do tempo do cidadão, a proposta é que se troque o nome para Esplanada dos Miniestéreis”
    (Cidadão revoltado com o vaivém e ele não se encontra.)


    Por: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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