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  • sábado, 9 de janeiro de 2016

    Quando a paixão atrasa um povo (Semelhanças entre política e futebol...)

    Semelhanças entre política e futebol, da forma como são praticados hoje no Brasil, vão ficando maiores a cada dia. Partidos políticos e times de futebol estão tão iguais que, um dia, correm o risco de se confundirem. No campeonato da democracia, entram em campo as legendas partidárias com time devidamente escalado pelo técnico, geralmente, um líder partidário. No pleito da bola, os jogadores, comprados a preços fabulosos, formam o time de estrelas cujo líder é o treinador. Em ambas as agremiações, o cartola e maioral é também o presidente.

    Ao dono da bola corresponde o cacique da bancada. A bola e as negociações rolam soltas. O jogo é bruto: deslealdades, caneladas, catimbadas e votos secretos. Conchavos, bola fora, na busca por troféus recheados de dinheiro ou pela vitória nas urnas vale tudo.

    À cartolagem e aos líderes partidários interessam tanto o lucro das luvas, das transmissões e do patrocínio, quanto o loteamento dos cargos e as negociatas da venda de apoios. Vencer é lucrar. Para isso, o time tem que estar coeso ou o partido, unido. O objetivo é ganhar sempre. Não interessa a plateia. Muda-se o elenco do time ou troca-se de partido como quem muda de roupa, pouco importa. Vestir a camisa é para o tempo em que a ideologia falava mais alto que a grana.

    Esquerda ou direita jogam o mesmo jogo, o importante é avançar além do meio campo, além do que reza o estatuto e as leis. Marcar o gol vem primeiro. Regras vêm depois. No tapetão ou no Supremo estão as mesmas razões: ganhar sem os rigores enfadonhos do jogo limpo.

    Partidos políticos e times de futebol são iguais pelo que têm de pior. Na medida em que vão se reconhecendo como irmãos gêmeos, vão se afastando o público na geral, seja ativista, seja torcedor, seja fanático, seja militante. Desapontados pelo nível ruim dos jogos em campo e campanhas, eleitores, torcida organizada e público em geral deixam as arquibancadas e as arenas políticas em grandes levas. Os que ficam na torcida o fazem por questão pessoal, de gratidão ou de interesse.

    Deixadas quase a sós, à mercê do destino que buscaram com ganância desmedida, partidos e times perderão a razão de existir. Será o apito final. Fim do jogo para a democracia. Fim da paixão nacional. Sem bola, sem voto, sem gol.

    ******
    A frase que não foi pronunciada:
    “Espelho, espelho meu. Alguém merece um chute no traseiro mais do que eu?”
    (Jérôme Valcke, banido das atividades ligadas ao futebol pelo Comitê de Ética da Fifa, por nove anos.)


    Por: Circe Cunha – Coluna: “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog – Google

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