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  • quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

    A tragédia do Guará


    Por: Severino Francisco 

    Escrevo ainda em estado de choque com a notícia da morte de um homem de 51 anos, Eli Roberto Chagas, ao buscar o filho na porta de uma escola particular do Guará, situada na QE 40. Lembrei uma situação dramática vivida por minha mulher, minha filha e meu filho em assalto, na frente de uma pizzaria próxima à Esaf. Felizmente, tudo terminou bem; no entanto, eu poderia ter perdido a família ali.

    Mas voltemos ao crime do Guará. Em um primeiro momento, a tragédia parece ser regida pelo mais completo absurdo, como se fosse um desastre natural movido por forças imprevisíveis e incontroláveis. Contudo, logo em seguida, as informações juntam as peças de um quebra-cabeças possível que reduz o absurdo dos acontecimentos.

    Segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública, realizado em agosto de 2015, a QE 40 do Guará 2 é uma das quadras mais perigosas do DF para donos de carros e pedestres. Nos primeiros sete meses de 2015, ocorreram 81 furtos em veículos, 35 roubos de carros e 27 assaltos a pedestres. No total, houve 338 ocorrências na quadra, correspondentes a 18% dos delitos de toda a região administrativa do Guará.

    O administrador regional do Guará também já havia pedido, diversas vezes, reforço do policiamento na região, mas sem sucesso, sob a alegação de que “o efetivo era insuficiente”. E mais: no mês passado, o delegado Rodrigo Larizzatte, da 4ª Delegacia de Polícia do Guará, fez um desabafo na internet contra a decisão de um juiz das chamadas audiências de custódias que libertou um casal de traficantes, sob a alegação de que não pertenciam a nenhuma organização criminosa, embora não faltassem provas cabais contra ambos. Por sinal, Larizzatte é o mesmo delegado que conduz as investigações sobre o assassinato de Eli Roberto.

    Está aí traçado o roteiro de uma tragédia anunciada. Nada tem a ver com as justificativas de fato isolado ou fora da curva; esse crime é um ponto dentro da curva. Com esse quadro, era possível prever e propor uma ação preventiva. Para que servem as estatísticas?

    Além disso, a polícia precisa entrar em um acordo com o Ministério Público; não pode a polícia prender e o MP soltar os bandidos. Alguns juízes têm tomado decisões estapafúrdias e irresponsáveis diante de todas as evidências dos meliantes. Em que planeta vivem esses meritíssimos? Em Nova York, a violência foi controlada por meio de uma política de tolerância zero. E, em Brasília, qual é a estratégia? Prender e soltar? Tolerância 1.000?

    Não sou a favor da redução da maioridade penal, mas entendo que algumas leis que tratam das infrações praticadas por menores de 18 anos precisam ser revistas. Há situações de um paternalismo e de uma infantilização que beiram o disparate. Por exemplo: caso o delito contra Eli Roberto tenha sido cometido mesmo por um menor de idade, seria qualificado de “infração análoga à de latrocínio”. É algo de uma demagogia e de um cinismo atroz. Como se um adolescente não soubesse que está praticando um assassinato bárbaro, cruel e covarde.

    Em vez da postura conformista de considerar a tragédia do Guará como mais um “fato fora da curva”, seria desejável que o crime bárbaro fosse tomado como limite do inaceitável. Não é possível que isso ocorra e a cidade permaneça refém de bandidos.


    Por: Severino Francisco – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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