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  • sábado, 20 de fevereiro de 2016

    #SAÚDE » Nas trincheiras dos laboratórios - (Especialista da Universidade de Brasília fala sobre os avanços da ciência no combate ao Aedes aegypti)

    José Elias de Paula descobriu as propriedades do timbó, mas morreu em 2013: pesquisa recomeçou há pouco tempo com professor de Ceilândia


    "A questão é que é algo a longo prazo. Porém, agora, com a decisão do presidente (norte-americano Barack) Obama, que destinou 1,8 bilhão de dólares para os estudos, vai sair algo mais rápido" (Pedro Luiz Tauil, do Núcleo de Medicina Tropical da UnB)

    Especialista da Universidade de Brasília fala sobre os avanços da ciência no combate ao Aedes aegypti. Um remédio contra o mosquito começou a ser elaborado na instituição, mas morte de professor atrasou o processo. UCB também desenvolve estudo

    Enquanto população e governo lutam no dia a dia contra o Aedes aegypti, especialistas e estudiosos no assunto buscam na ciência informações e soluções a respeito. A expectativa é clarear as muitas dúvidas sobre a dengue e as outras doenças trazidas pelo mosquito, como a zika e a chicungunha, além de investir em pesquisas capazes de descobrir vacinas, métodos de infertilização do inseto ou até a extinção da praga. Na Universidade de Brasília (UnB), uma pesquisa feita em 2013 sobre o uso da planta Serjania lethalis, também conhecida como timbó, está sendo reavaliada.

    Há três anos, o professor de botânica José Elias de Paula e o servidor da Prefeitura da UnB Marcílio Sales começaram a fazer experimentos com um pó feito do caule da árvore que, dissolvido em água, tinha ação mortal no mosquito. José Elias morreu ainda em 2013. “Ele era como um pai pra mim. Muito amigo mesmo. Daí, a gente foi coletar material para pesquisa e, um dia, decidimos testar o timbó. A ideia do professor era que a pesquisa acontecesse, que funcionários, alunos, sociedade, todos tivessem acesso à planta para que pudessem fazer o veneno natural e acabar com esse mal. Ele já previa esse problema com a dengue”, afirmou Marcílio ao Correio. José Elias morreu pouco tempo após fazer a descoberta, mas ainda conseguiu comprovar e registrar o uso do timbó no combate aos insetos.

    Mesmo com os efeitos comprovados, a pesquisa só foi reativada há poucos meses pela universidade. O epidemiologista e professor da UnB no polo de Ceilândia Marcos Obara voltou a estudar as propriedades da planta, com seis estudantes da graduação. A reportagem tentou contato com o professor, mas, segundo a Assessoria de Comunicação da UnB, ele não foi localizado. “O professor conversou comigo e disse que tinha interesse em continuar. Não sei por que a pesquisa parou quando o professor morreu, por que não usaram o remédio, pois esse surto poderia ter sido evitado”, observou Marcílio.

    Longo prazo
    Um dos especialistas de Brasília, Pedro Luiz Tauil, do Núcleo de Medicina Tropical da UnB, reconhece o valor de pequisas sobre o assunto, mas pondera. “A questão é que é algo a longo prazo. Tem que testar, validar, e, infelizmente, isso é demorado. Porém, agora, com a decisão do presidente (norte-americano Barack) Obama, que destinou 1,8 bilhão de dólares para os estudos, vai sair algo mais rápido”, observou.

    Segundo o professor, hoje, o objetivo básico de todas as pesquisas sobre dengue é para alcançar o controle do mosquito e a criação de uma vacina eficaz e segura. A última liberada, explica Pedro, não protege contra todas as variações da doença. “A vacina protege mais contra um, menos contra outro. E, operacionalmente, também é muito ruim. É recomendada apenas para pessoas com mais de 9 e menos de 45 anos. Ou seja, não atende os extremos de idade”, disse.

    Sempre atento a todas as novidades que surgem sobre o tema, o professor ressalta uma experiência como a mais promissora, testada atualmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Lá, os cientistas analisam a resposta do Aedes a uma infecção bacteriana. Os pesquisadores aplicam wolbachia — um gênero de bactérias que infectam artrópodes, incluindo uma alta taxa de insetos — nos mosquitos; e o resultado tem sido satisfatório.

    “Os mosquitos que foram infectados passam a não infectantes. Não transmitem mais. É uma técnica australiana, já foi testada em vários países e, agora, no Rio. Acho que é a melhor até então”, afirmou. Outra pesquisa, com técnica inglesa, de conhecimento de Pedro é uma com mosquitos transgênicos. “Os machos que fecundam as fêmeas silvestres não têm sucesso. A prole não se desenvolve e os mosquitos vão acabando”, explicou.

    Matadora de peixes
    A palavra timbó vem do tupi e significa vapor ou fumaça. É um conjunto de plantas, em grande parte encontradas na forma de cipó. A casca e a raiz dessas árvores contêm uma substância tóxica, que os indígenas usavam para pescar. Eles esmagavam essas partes da planta e jogavam o sumo no rio. Os peixes boiavam, temporariamente inertes, e os nativos aproveitavam para pegá-los. Em algumas regiões também é chamada de tingui. No sul, algumas espécies são utilizadas para adubação verde.

    Para saber mais - Os costumes do mosquito
    O Aedes aegypti é um mosquito de hábitos domésticos. Vive dentro ou ao redor da casa e de outras construções frequentadas por seres humanos. Dessa forma, sempre está próximo do homem. Tem hábitos preferencialmente diurnos e alimenta-se de sangue humano. Segundo os pesquisadores, as fêmeas são as responsáveis por transmitir o vírus. A reprodução dos mosquitos ocorre em água limpa e parada, onde as fêmeas, que precisam de sangue para fecundar, põem os ovos. Elas costumam picar as pessoas, geralmente, ao amanhecer e ao entardecer. Escondem-se embaixo dos móveis e nos cantos das paredes das casas. Eventualmente, o Aedes aegypti pode picar à noite, quando uma pessoa se aproxima do local no qual ele costuma se esconder. A contaminação ocorre quando o mosquito introduz o vírus na corrente sanguínea humana por meio da picada.

    O vetor é o alvo
    Pedro Luiz Tauil é um dos maiores especialistas no combate ao Aedes aegypti no Brasil. Por isso mesmo, acompanha de perto as pesquisas realizadas em todo o país. Recentemente, fez palestra na Universidade Estadual de São Paulo na qual detalhou a evolução do mosquito desde 1779. Segundo ele, o trabalho dos cientistas precisa ser acompanhado por ações do governo, como o diagnóstico mais rápido. O esforço maior, para o professor, é a eliminação do vetor, também responsável por transmitir várias doenças, como febre amarela, encefalite equina e Mayaro.

    Tauil cita um estudo feito no arquipélago de Fernando de Noronha, que utiliza a técnica de energia nuclear no animal. A área escolhida foi a Vila da Praia da Conceição, onde mosquitos machos, esterilizados com radiação gama, são liberados no ambiente para competir com os selvagens na hora do acasalamento. Quando eles conseguem, passam espermatozóides inviáveis, que são utilizados pelas fêmeas durante todo o seu processo de postura dos ovos, sem gerar novas larvas do inseto. Como a fêmea do mosquito costuma ficar disponível para acasalar apenas uma vez ao longo da vida, o cruzamento com machos estéreis impede a reprodução. O objetivo é que haja uma diminuição da densidade populacional do Aedes.

    Católica
    Ainda na capital federal, a Universidade Católica de Brasília (UCB) tem uma pesquisa em cima do vírus zika que está para sair do forno. Uma das especialistas à frente da proposta de estudo é a professora de pós-graduação em ciências genômicas e biotecnologia Paula Andreia Silva. Segundo ela, a ideia é começar um trabalho para descobrir exatamente qual vírus circula no Distrito Federal. “Sabemos qual circula no Nordeste, no Rio de Janeiro, por exemplo, mas as amostras obtidas no DF não têm informação genética alguma que nos mostre quais são”, explicou Paula, que deu entrada em um pedido de financiamento público para custear a pesquisa. “Tendo essa informação, saberemos se é o mesmo que circula em outros estados ou se o genoma é diferente, justamente para fazermos essa comparação. E o objetivo é poder, futuramente, isolar esse vírus e propor outros trabalhos, inclusive, dentro do nosso próprio grupo, no sentido de testes antivirais”, afirmou a professora.


    Fonte: Camila Costa – Correio Braziliense

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