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  • domingo, 20 de março de 2016

    #ENTREVISTA ROGÉRIO ROSSO » "O impeachment será votado em abril"

    Presidente da comissão que vai analisar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, deputado do Distrito Federal avisa que processo estará pronto para ser julgado no plenário da Câmara na primeira quinzena do mês que vem

    Há apenas 15 meses do início do primeiro mandato de deputado federal, Rogério Rosso (PSD) assume um dos cargos com maior visibilidade e pressão no atual cenário político brasileiro. Na última quinta-feira, o parlamentar de 47 anos se tornou presidente da comissão especial responsável por analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A escolha agradou à oposição e, ao mesmo tempo, acabou aceita pelo Palácio do Planalto, dado o trânsito de Rosso entre os dois polos.

    “Eu fui consultado na semana passada, falei que nunca tinha imaginado isso, mas que, se fosse por convergência da Casa, eu não poderia me furtar da presidência, uma vez que jamais expus a minha opinião sobre o processo.” E por que o consenso em relação ao nome de um parlamentar de primeiro mandato? “Essa pergunta é bom você fazer para os líderes”, disse Rosso, durante entrevista ao Correio na última sexta-feira. Na conversa, ele falou sobre a atual situação do país, o drama vivido por Dilma no Palácio do Planalto e as escutas telefônicas envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Ex-governador do DF, eleito em mandato tampão depois de uma crise, a Operação Caixa de Pandora, que teve a força de derrubar o então titular do Palácio do Buriti, Rosso tem habilidade para circular pela tempestade. Neófito no Congresso, ele conseguiu assumir a liderança de uma bancada com 32 deputados, receber Dilma para almoço em sua casa e se tornar, contraditoriamente, um aliado importante do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

    Roqueiro, fã de heavy metal, Rosso fechou-se em casa, em seu estúdio, no último domingo, quando o país foi palco de uma das maiores manifestações de sua história. Eleitor do tucano Aécio Neves (PSDB-MG) em 2014, ele conta que nunca votou no PT. Naquele dia, preferiu se resguardar de qualquer manifestação pública em relação aos acontecimentos que conflagram o país. Fã do pedal, pegou a moutain bike e fez uma trilha. Em seguida, trabalhou em suas composições musicais. A guitarra e o baixo são os companheiros em situações tensas. Nas próximas quatro semanas, enquanto liderar o processo de impeachment, não abrirá mão do rock. Para o momento atual, elegeu uma trilha sonora da banda britânica Iron Maiden: Dèjá vu. Nada mais simbólico.
    O processo do impeachment no Congresso é político. O que vai determinar o andamento dele na Casa? 
    São dois aspectos. O primeiro  é formal, jurídico da denúncia, dos prazos, da lei do impeachment e de seu rito especial. De outro lado, há a decisão de cada parlamentar. Nessa decisão, há variáveis que compõem a opinião de cada um. É claro que, por ser uma casa política, as ruas vão falar muito forte. Não tenho nenhuma dúvida disso. Porém, é importante também que neste momento, da comissão do impeachment, tudo aconteça dentro das regras, para que não tenhamos nenhuma interrupção ou suspensão. 

    O senhor teve uma ótima relação com a presidente Dilma Rousseff desde que assumiu aliderança do PSD. Vocês têm uma afinidade, o ciclismo, ela já foi almoçar na sua casa... Como podemos esperar a sua posição em relação a ela? Dá para apostar que o senhor é um aliado? 

    Nunca votei no PT, seja no DF ou para a Presidência da República. Nas eleições de 2014, nós ficamos com a Marina (Silva) no primeiro turno, até porque o PSD fez uma chapa com o PSB, com o Eduardo Campos. Após o seu falecimento, ficamos com a Marina e, no segundo turno, nós votamos no Aécio (Neves). O PSD entrou na base de sustentação do Governo Federal e fui escolhido o líder do partido. O PSD, desde o seu princípio, tem demonstrado muita divisão, temos parlamentares que votam com o governo e contra o governo. Foram poucas as matérias onde houve uma convergência plena ou absoluta da bancada e eu mesmo tenho divergido bastante. Então, é importante fazer essa separação. Com relação à presidente, uma vez fiz um dos encontros de bancada na minha casa, era um almoço onde também comemorávamos o aniversário do ministro (Gilberto) Kassab. Ela apareceu de última hora e foi muito bem recebida. Meu posicionamento até agora foi de muita cautela e imparcialidade e, como integrante da comissão do impeachment, e agora escolhido presidente, acho que a isenção é muito importante e a imparcialidade acima de tudo. 

    E com relação a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Casa? Ele vai cobrar alguma posição? Pode ter um comando ou uma ascendência maior dentro da comissão? 
    Bom, da minha parte, a chance é zero. São 65 membros, dos quais 62 votaram com a gente, tanto governo quanto oposição. Só três votos que foram contrários, que foram votos de abstenção, o que mostra que existe um consenso na Casa em relação aos nomes. Pela decisão do STF, onde seria a indicação dos líderes, tanto em plenário quanto na comissão, a Casa começou a procurar nomes que conseguiriam uma convergência para essa comissão especial. Não procuraram o Eduardo Cunha. Fui consultado na semana passada, falei que nunca tinha imaginado isso, mas que, se fosse por convergência da Casa, eu não poderia me furtar da presidência, uma vez que jamais expus a minha opinião sobre o processo. 

    O senhor é parlamentar de primeiro mandato. Por que houve um consenso em torno de seu nome? 
    Essa pergunta é bom você fazer para os líderes.
     Há quem diga que foi por se sentar nas reuniões de Dilma e também nas de Cunha. Como é transitar entre essa relação? 
    Na sua cabeça pode ser antagônica, na minha não. É natural. Na medida em que sou o líder do partido, preciso manter uma relação harmônica com o presidente da Casa. Se não fosse assim, eu estaria atrapalhando o meu partido, porque é o presidente da Casa, quem escolhe os relatores. Então, são coisas distintas, inclusive, não só eu, mas todos os líderes das bancadas, temos encontros com o Eduardo Cunha todas as terças-feiras em sua casa. Isso desde que se iniciou a legislatura. Então, como líder, tenho que manter essa harmonia para o bem da minha bancada. Com relação ao Palácio do Planalto, nós também temos as reuniões com a base aliada, que raríssimas vezes foram com a presidente Dilma. Na maioria, foi com sua equipe ministerial, e assim é também a nossa atribuição como líder. O líder tem uma responsabilidade regimental. 

    E comovai ser agora, o senhor como líder e como presidente da comissão do impeachment? 
    Não irei participar das reuniões do Planalto. Antes dessa entrevista, eu estava na Casa e já tomei algumas decisões de caráter irrevogável. A primeira foi pedir para um dos nossos deputados me substituir. 

    Não se posicionar foi uma estratégia? O senhor já via uma possibilidade de assumir a comissão? 

    Não. Foi por uma característica pessoal. Nunca prejulguei ninguém. No campo do direito, não seria o meu perfil ser um magistrado, por exemplo. 

    O senhor participou de alguma manifestação? Chegou a ir para a Esplanada? 
    Não. 

    Que avaliação o senhor faz desse momento que país está vivendo? 
    Vivemos no meio da tempestade perfeita. Uma crise econômica muito grave, talvez a pior da história, uma instabilidade e uma crise política tão grave que se a gente não tomar cuidado na absoluta atenção à constituição, a gente pode dar inicio a uma crise institucional. Uma crise institucional no Brasil, que tem a sua redemocratização recente, pode provocar consequências muito ruins. Então, vejo com muita preocupação, mas também acho que essas manifestações serão, ou já estão sendo, muito importantes para a decisão dos parlamentares. 

    Para o impeachment é possível orientações de bancada ou é uma decisão individual? Ainda mais em um ano eleitoral. 

    É uma boa pergunta. Obrigado pela oportunidade de resposta. A bancada do PSD está livre para se manifestar da forma que quiser no plenário da Câmara dos Deputados com relação ao impeachment. 

    Mas é possível um líder orientar a bancada? 
    Da minha parte não haverá. Cada parlamentar do PSD vai votar de acordo com a sua consciência. 

    É um constrangimento ter um político como o Maluf na comissão? Um político que não pode sair do Brasil sob risco de ser preso pela Interpol..
    À medida em que o parlamentar está exercendo o seu mandato, ele está na plenitude dos seus direitos e garantias. Com relação ao Maluf, não serei eu que vou julgar esse constrangimento.

    E não é um constrangimento que o processo todo seja comandado pelo Eduardo Cunha, que é réu denunciado no Supremo por corrupção e lavagem de dinheiro? 
    Ele tem um processo no Conselho de Ética, no âmbito interno e no Supremo ele já é objeto de denúncias e também é réu em um processo. 

    Esse momento deve ser muito importante em sua carreira. O senhor está temendo algo? Algum ataque sobre a sua vida?
    Estou sereno, tranquilo. Repito, eu não estava esperando, acho que ninguém estava esperando uma missão como essa, mas estou muito tranquilo com relação a isso. Será um processo rápido. Dez sessões de defesa e mais cinco na comissão. Serão 30 ou 40 dias de análise pela Câmara dos Deputados. Estamos acostumados com esse jogo na política, porém vou procurar me concentrar o máximo possível.
    Há quem diga que foi por se sentar nas reuniões de Dilma e também nas de Cunha. Como é transitar entre essa relação? 
    Na sua cabeça pode ser antagônica, na minha não. É natural. Na medida em que sou o líder do partido, preciso manter uma relação harmônica com o presidente da Casa. Se não fosse assim, eu estaria atrapalhando o meu partido, porque é o presidente da Casa, quem escolhe os relatores. Então, são coisas distintas, inclusive, não só eu, mas todos os líderes das bancadas, temos encontros com o Eduardo Cunha todas as terças-feiras em sua casa. Isso desde que se iniciou a legislatura. Então, como líder, tenho que manter essa harmonia para o bem da minha bancada. Com relação ao Palácio do Planalto, nós também temos as reuniões com a base aliada, que raríssimas vezes foram com a presidente Dilma. Na maioria, foi com sua equipe ministerial, e assim é também a nossa atribuição como líder. O líder tem uma responsabilidade regimental. 

    E como vai ser agora, o senhor como líder e como presidente da comissão do impeachment? 
    Não irei participar das reuniões do Planalto. Antes dessa entrevista, eu estava na Casa e já tomei algumas decisões de caráter irrevogável. A primeira foi pedir para um dos nossos deputados me substituir. 

    Não se posicionar foi uma estratégia? O senhor já via uma possibilidade de assumir a comissão? 

    Não. Foi por uma característica pessoal. Nunca prejulguei ninguém. No campo do direito, não seria o meu perfil ser um magistrado, por exemplo. 

    O senhor participou de alguma manifestação? Chegou a ir para a Esplanada? 
    Não. 

    Que avaliação o senhor faz desse momento que país está vivendo? 
    Vivemos no meio da tempestade perfeita. Uma crise econômica muito grave, talvez a pior da história, uma instabilidade e uma crise política tão grave que se a gente não tomar cuidado na absoluta atenção à constituição, a gente pode dar inicio a uma crise institucional. Uma crise institucional no Brasil, que tem a sua redemocratização recente, pode provocar consequências muito ruins. Então, vejo com muita preocupação, mas também acho que essas manifestações serão, ou já estão sendo, muito importantes para a decisão dos parlamentares. 

    Para o impeachment é possível orientações de bancada ou é uma decisão individual? Ainda mais em um ano eleitoral. 

    É uma boa pergunta. Obrigado pela oportunidade de resposta. A bancada do PSD está livre para se manifestar da forma que quiser no plenário da Câmara dos Deputados com relação ao impeachment. 

    Mas é possível um líder orientar a bancada? 
    Da minha parte não haverá. Cada parlamentar do PSD vai votar de acordo com a sua consciência. 

    É um constrangimento ter um político como o Maluf na comissão? Um político que não pode sair do Brasil sob risco de ser preso pela Interpol... 
    À medida em que o parlamentar está exercendo o seu mandato, ele está na plenitude dos seus direitos e garantias. Com relação ao Maluf, não serei eu que vou julgar esse constrangimento.

    E não é um constrangimento que o processo todo seja comandado pelo Eduardo Cunha, que é réu denunciado no Supremo por corrupção e lavagem de dinheiro? 
    Ele tem um processo no Conselho de Ética, no âmbito interno e no Supremo ele já é objeto de denúncias e também é réu em um processo. 

    Esse momento deve ser muito importante em sua carreira. O senhor está temendo algo? Algum ataque sobre a sua vida?
    Estou sereno, tranquilo. Repito, eu não estava esperando, acho que ninguém estava esperando uma missão como essa, mas estou muito tranquilo com relação a isso. Será um processo rápido. Dez sessões de defesa e mais cinco na comissão. Serão 30 ou 40 dias de análise pela Câmara dos Deputados. Estamos acostumados com esse jogo na política, porém vou procurar me concentrar o máximo possível.

    Imagina que esse período será de quanto tempo? Há uma intenção do Eduardo Cunha de acelerar o processo? 
    Dentro dos padrões de sessão da Casa e utilizando todo o prazo que tanto a presidente Dilma quanto a comissão têm e contando o dia de hoje (sexta), que já teve uma sessão representada por 10% da Casa, 51 parlamentares, tivemos uma hoje, três na semana que vem, sobram seis, na outra semana serão cinco, sobra uma e na outra semana, na segunda-feira. Ai entra o prazo da comissão especial, são cinco. Terça, quarta, quinta e sexta tendo sessões, nós teríamos condições de ter a votação do relatório na outra segunda-feira. Portanto, imagino que, sendo esses prazos cumpridos nos seus limites, a partir do dia 11 de abril, o relatório do processo de impeachment poderá ser levado ao plenário. De 11 a 15 de abril, na primeira quinzena de abril. Não se trata de antecipar ou ganhar prazos, se trata do rito. Sabe quantas reuniões da comissão especial houve no impeachment do Collor? Três. 

    E esses casos guardam outras semelhanças? 
    Ambiente político e econômico distintos. Diria, do ponto de vista político que, era muito pequena a sustentação do presidente Collor. Vejo um pouco diferentehoje. Ainda há partidos importantes, como o próprio PMDB, mesmo com todas as questões envolvendo o partido. Não fui às manifestações que ocorreram em 1992. Tinha 24 anos, nem sonhava em entrar na vida política... 

    O senhor foi às manifestações dos caras pintada? 
    Não. A única manifestação da qual participei foi a da rodoviária, o badernaço. 

    Dilma hoje tem mais sustentação política do que o Collor tinha? 
    A Dilma iniciou o processo com mais sustentação. Não sei se ela terminará o processo assim. 

    Naquela época, os grandes partidos estavam todos do mesmo lado e, bem ou mal, o PT é um partido que ainda mobiliza, não é? 
    É isso aí. Do ponto de vista do ambiente, estamos no inicio do processo de impeachment, a sustentação política no âmbito do Congresso é maior neste momento. 

    Suficiente para mantê-la? 
    Aí nós veremos nos plenários. As manifestações estão contribuindo para as decisões do parlamentar. 

    O senhor já disse que não participou das manifestações contra o Collor, mas a sua esposa é amiga do Collor e da família. Vocês hoje saem juntos. Acha que ele foi injustiçado naquela época? 
    Nos vários encontros que tivemos, todos eles ótimos, nunca conversei de política com ele. Não faço perguntas que não deixem as pessoas à vontade. Sobre o processo de impeachment,  nunca conversei com ele. 

    Nunca? E sobre quais assuntos os senhores conversam nas viagens, nos encontros? 
    Assuntos que outras pessoas conversam em encontros. Todos fora da política. 

    Como apoiador do governo local, e sabendo da dependência do DF em relação à União, acha que haverá retaliação por eventual  posição que tomar na presidência da comissão do impeachment ? 
    Não. O primeiro encontro da presidente com o governador Rodrigo Rollemberg, inclusive o Correio relatou, dada a circunstância financeira desastrosa daquele momento, foi marcado por mim. Então, vejo que é o contrário, que se eu não tivesse uma posição isenta, talvez sim, mas acho que tudo sempre depende da postura da pessoa, da forma com que ela tem as suas relações políticas. Acho que qualquer relação que um parlamentar tenha com o governo do DF é uma relação importante. Na minha avaliação, se obviamente conduzido de uma forma imparcial e isenta, nada reflete nas relações com o Distrito Federal. 

    O PSD tem dois ministérios. Ter dois ministros no governo pode influenciar os parlamentares do partido? 
    Há uma diretriz partidária, mas a postura do PSD na Câmara é a de mais absoluta liberdade. 

    E se o ministro Kassab pedir para votarem contra? 

    Ele não pedirá. 

    Com essa confusão política toda, onde alguns partidos já retiraram o apoio político ao governo, o PSD já avaliou se vai manter? 
    Olha, cada parlamentar está livre com relação ao processo de impeachment. Não houve nenhum movimento do ministro Kassab com relação a retirada do PSD da base do Governo Federal. Em algum momento, que seja para ficar ou para sair, isso vai existir. O ministro Kassab é um homem de muita palavra, é conhecido por sua lealdade e é muito correto nas suas atitudes. Então, se for para acontecer, isso se dará da forma mais transparente possível, mas ainda não está na agenda do partido.

    Na semana passada, o governo deu como última cartada a nomeação do ex-presidente Lula como chefe da Casa Civil. O senhor acha que ele conseguirá reverter essa situação para a presidente ou dar uma sobrevida? 
    Estive com o Lula apenas uma vez. O respeito como uma figura que dirigiu o país, mas acho que a nomeação do presidente Lula para dirigir o Ministério teve dois momentos: o momento anterior ao vazamento das gravações e o posterior. No momento anterior, ali parecia que seria uma recuperação, não só de uma articulação com o Congresso, mas de uma organização política com o Governo Federal. Depois das gravações, a minha percepção é que se transformou em um problema, na medida em que judicializou-se essa questão tanto em instância federal quanto no Supremo e trava-se nas ruas uma discussão muito acirrada sobre esse assunto. Vejo commuita preocupação. 

    Qual é a sua opinião, como advogado, sobre a decisão do  juiz Sérgio Moro, de levantar o sigilo das interceptações telefônicas das investigações sobre o ex-presidente Lula? 

    Ao longo desses últimos dias foram várias as análises dos grandes e bons juristas que entendem, nesse país, sobre isso. Respeito todos os ângulos, mas o juiz Sérgio Moro tem agido com bastante cautela, com bastante precisão no seus atos, dada a relevância da Operação Lava-Jato e seus desdobramentos. Então, não quero julgar essa iniciativa do Moro, mas ressalto a forma correta com que ele tem agido. 

    Muita gente acha que foi vingança, por sair da esfera de investigação da força-tarefa de Curitiba. O senhor concorda? 
    Prefiro não acreditar que possa existir algum sentimento de vingança entre instituições e entre os poderes.

    Depois do processo de impeachment da presidente Dilma, o Congresso vai cuidar das denúncias contra o presidente da Câmara? 
    Uma coisa é o processo de impeachment e outra é um trabalho judicial, um trabalho policial. Então são coisas distintas. 

    Se o impeachment não tivesse sido paralisado em dezembro, a situação seria mais tranquila para o governo do que agora?
    Depois da delação do Delcídio do Amaral, a situação tem se instabilizado a cada dia. Há quem diga que a cada hora. Se o impeachment prosseguiria naquele momento, nós nunca saberemos, mas a tensão aumenta cada vez mais.

    Qual o maior dos problemas que o país enfrenta neste momento?

    Estamos no meio de uma tempestade perfeita. A crise econômica é grave. O desemprego aumenta, a inflação é crescente, os juros impedem que a economia se desenvolva. Os dados microeconômicos também têm todos os seus indicadores negativos. A variação do dólar não permite uma fixação dos investimentos das empresas brasileiras e estrangeiras. A bolsa de valores se comporta de uma maneira atípica. A instabilidade econômica está vinculada e retroalimenta a política, que retroalimenta a economia. Temos de trabalhar para superar isso, votando projetos importantes. Mas o assunto do impeachment trava uma agenda positiva

    Depois desse vendaval, o Brasil vai ficar melhor?
    Bom, se é verdade que depois da tempestade vem a bonança, a gente pode pensar que sim. Mas só vira bonança a tempestade se você conseguir enfrentar os gargalos, para que você possa, realmente, construir um país melhor. Eu diria que as crises são tão caras e tão graves que custa demais não aproveitá-las.

    A Lava-Jato é um marco, imprescindível para essa mudança?
    Acho que sim. Mas tendo sempre cautela, os requisitos constitucionais, respeitando os preceitos legais, a presunção da inocência, o contraditório. Tudo isso sendo respeitado, vejo que é muito importante para o país.

    Tem gente dizendo que, dada a importância da Lava-Jato para o país, e dada a quantidade de parlamentares envolvidos, o melhor seriam novas eleições. O senhor concorda?
    Eu topo. Se isso for possível para solucionar os problemas do Brasil, topo.

    Antecipar eleições neste clima aumenta o risco de um aventureiro sendo eleito presidente?
    De fato, existe uma clara criminalização da política. Separar o joio do trigo no momento de uma efervescência política é muito difícil. Abre-se espaço para novos nomes. Acho até bom que se abra, desde que sejam nomes que realmente conheçam o país, tenham cuidado com a coisa pública. Não vejo nenhuma dificuldade. 

    Qual será a postura do STF nas próximas semanas? Sempre há o risco de o processo ser judicializado. O Supremo vai interferir?
    O STF mostrou, com a celeridade que enfrentou o tema dos embargos, 48 horas depois do prazo, que entende o momento. Manteve a decisão tomada no ano passado. Na minha avaliação, o STF vai respeitar a independência e harmonia dos poderes, garantindo que o processo transcorra da forma mais natural possível.

    Temos duas locomotivas que são o impeachment e o processo do TSE. Pelo que está posto até o momento, o trem do impeachment vai chegar mais rápido ao fim. Uma decisão influencia a outra?
    Imagino que independente do resultado da questão do impeachment, o TSE vai julgar. Não saberia dizer o prazo desse julgamento. Mas a minha percepção é que ele vai julgar esse processo. Se julga este ano, tem novas eleições. Se julga no ano que vem, tem eleições indiretas.

    O cidadão legitima esse Congresso para eleger um novo presidente?
    Se está previsto na Constituição, tem que respeitar, senão não seria uma democracia. 

    A crise se agravou muito a partir da delação do Delcídio. Mas o impeachment que tramita na Câmara é em cima das pedaladas fiscais.A presidente teve as contas aprovadas pela Comissão Mista de Orçamento. A questão Delcídio será aditada ao processo ou esse debate será informal?
    Questão muito delicada, que requer estudos, consultas e avaliações porque a Comissão de Impeachment tem um objetivo: o crime de responsabilidade da presidente no pedido acolhido pelo presidente da Câmara. Para incluir novos fatos, tem que ter um cuidado muito grande para que você não cometa erros que alterem os prazos ou suspendam os processos. Esta resposta precisa ser dada com cautela

    Mas não fica muito esquizofrênico? A questão do Delcídio agrava, mas não vai ser debatida? Muitas pessoas acreditam que isso pode engessar o processo na Câmara, já que se trata das pedaladas...
    A questão é crucial. Existe um rito constitucional, a comissão foi instalada, foi objeto de deliberação do STF com uma finalidade. Recentemente, houve um aditamento por parte do denunciante de novos fatos. Mas temos de tomar cuidado para não deixar nulo um processo.

    No caso do Collor, ele sofreu um impeachment por causa de um Fiat Elba. Mesmo que esse objeto fique restrito às pedaladas, na medida que forem surgindo os fatos, a situação vai se agravando?
    Sim. A nossa atribuição na comissão é respeitar a Constituição, a jurisprudência, a decisão do STF e as normas do processo. Mas o parlamentar é soberano no seu voto. É um desafio para todos.

    No caso do GDF, o senhor assumiu em uma situação de terra arrasada e hoje o Brasil vive também um momento muito crítico. Como encara isso? É destino? Como o senhor cai entra nessas histórias? 
    Precisaria ter um reservado com Deus para ver se ele me explica isso porque são coisas que não estão nos nossos planos. Como iria imaginar que em um ano e três meses de mandato teria uma convergência em torno do meu nome para a base da Câmara dos Deputados? Como poderia imaginar que estaria aqui de novo, seis anos depois de assumir o GDF, dando a primeira entrevista sobre um processo difícil. Então, realmente, são coisas de Deus. 

    Para quem faz política numa unidade da federação em que a presidente Dilma Rousseff tem os mais altos índices de rejeição, com um futuro político longo pela frente, a opinião pública conta muito nessa hora?
    Independente do que está acontecendo, você tem que manter as suas posições. Vejo como uma responsabilidade. Talvez se já tivesse um outro no comando da comissão, que já tivesse se posicionado, poderia ser um risco até para a própria comissão. Então, vejo com a maior tranquilidade. Não estou pensando nas próximas eleições. 

    O que pretende fazer para enfrentar  essa fase tranquilamente?
    Essa madrugada já foi em um sono a menor porque comecei a ler o processo e responder a rede social. Fui dormir às 4h30 e acordei às 6h30 para pedalar. A quantidade de demandas que chegarem vou tentar atender. A sociedade quer saber o que vai acontecer, os prazos. O que ajuda? Acho que o esporte, família, a música.

    Qual a música tema dese momento?
    Não fujo das minhas raízes roqueiras. Eu estou compondo uma música chamando The New Parlament. Ela já estava sendo feita há uns seis meses. Mas, em homenagem ao Iron Maiden, maior banda de metal da atualidade, que tocará em Brasília, nesta semana, escolho a música: Dèjá vu.

    Sua rotina vai mudar muito?
    Não. Pedalo uma hora e meia, malho meia. No outro dia, pedalo uma hora e meia e nado meia. No outro dia, pedalo uma hora e meia e corro. É das 6h às 8h30, 9h. Só assim para aguentar.

    "Nunca votei no PT, seja no DF ou para a Presidência da República”

    "Não se trata de antecipar ou ganhar prazos, se trata do rito. Sabe quantas reuniões da comissão especial houve no impeachment 
    do Collor? Três"

    "Respeito todos os ângulos, mas o juiz Sérgio Moro tem agido com bastante cautela, com bastante precisão no seus atos"

    "Estamos no meio de uma tempestade perfeita. É grave a crise econômica. O desemprego aumenta, a inflação é crescente"

    "O STF vai respeitar a independência e harmonia dos poderes, garantindo que o processo transcorra da forma mais natural possível"
    Rock, bike, família e política - Fã de heavy metal, tem um estúdio em casa para compor

    Nasci no Rio de Janeiro e vim para Brasília com menos de um ano. Meu pai, agora aposentado, era servidor público e professor. Minha mãe, geógrafa, sempre cuidou da família. Estudei na Escola Normal, Cor Jesus, Setor Leste, Sigma, Uniceub e na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Na adolescência, pescava muito no Lago Paranoá. Sempre curti acampar na Chapada dos Veadeiros e não perdia um show de rock no Galpãozinho e no Teatro Garagem. Gosto de pedalar logo cedo, de manhã, depois corro, malho ou nado. Mas a minha paixão é a música. Tenho um estúdio em casa e outro no sítio. Não piso no sítio há mais de um ano. Não tenho tempo, desde que assumi a liderança (PSD). Meus quatro filhos estão crescendo. Gosto mesmo de heavy metal. Nos últimos meses, comecei a compor o rock New Parliament. Mas vai sair apenas no fim deste processo. Não pretendo mudar o nome para New Government.


    Fonte: » Ana Dubeux » Ana Maria Campos » Denise Rothenburg » Leonardo Cavalcanti » Paulo de Tarso Lyra – Fotos: Rodrigo Nunes- Esp.CB/D.A.Press – Arquivo Pessoal – Correio Braziliense

      

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