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  • sábado, 5 de março de 2016

    #UNB » Revolta na Casa Estudantil

    O prédio da CEU foi inaugurado em dezembro de 2014, mas já apresenta problemas como infiltrações e mofo

    Moradores de alojamento universitário reclamam de problemas estruturais recorrentes, como falta de luz e água, apenas dois anos após reforma no local. Instituição mudará atuação dos terceirizados para melhorar atendimento

    quebrados, infiltrações, falta de luz e de água. Esses são alguns dos problemas enfrentados pelos moradores da Casa do Estudante Universitário (CEU), na Universidade de Brasília (UnB), menos de dois anos após a reforma de mais de R$ 9 milhões (leia Memória). A prefeitura da instituição é responsável pelos reparos e pela manutenção do local, mas os alunos reclamam que o órgão não consegue atender toda a demanda.Um dos principais problemas é a queda constante de energia. No último domingo, faltou luz por mais de 24h. O problema no fornecimento começou às 5h, quando choveu forte no fim da Asa Norte. “Eu acordei na hora em que acabou e, no início, a Asa Norte toda ficou sem energia, mas logo voltou. E a CEU seguiu com o problema por horas”, denuncia a estudante de letras Ingrid Souza, 24 anos.

    No fim de semana, uma dificuldade dos universitários foi o contato com a Companhia Energética de Brasília (CEB), só possível por meio da prefeitura. Apenas no fim da tarde de domingo, a estatal constatou que a falha era interna, e a UnB não tinha funcionários para fazer o reparo. Cansados da falta de providências, alguns estudantes estiveram na reitoria em busca de solução na segunda-feira pela manhã. Após muita insistência, o reitor recebeu-os e autorizou uma licitação em caráter emergencial para a contratação de uma firma privada, que fez a troca do transformador danificado por volta das 18h do mesmo dia. O equipamento, no entanto, é provisório.

    As quedas no fornecimento, porém, são antigas. A estudante de sociologia Doralice Assis, 21 anos, queixa-se que, depois da inauguração da CEU, em dezembro de 2014, a prefeitura da UnB insistia que os apagões ocorriam porque a rede estaria sobrecarregada no local. Mas a jovem, a segunda a chegar ao novo prédio, incomoda-se desde o começo da estada. “Tive de chamar o plantão da elétrica três vezes, e só havia eu e outro morador aqui”, reclama.

    A jovem, que deixou São Paulo para estudar em Brasília, também esperou cinco meses pela troca do chuveiro queimado. E isso só aconteceu porque ela comprou o aparelho com dinheiro do próprio bolso. Para ela, a falta de comunicação entre os setores da universidade dificulta a melhoria. “Nós não temos recursos, estamos largados. Faltou energia aqui e não tínhamos contato com quem é o responsável. Também não temos um bom diálogo com a coordenação da Casa. Ficamos à mercê”, queixa-se.

    O morador da CEU Daniel Vieira, 20, diz que já foi solicitado que a Casa fosse tratada com prioridade. “Não somos um departamento, um instituto, uma faculdade ou uma sala de aula, que são usadas durante 1h30 e, depois, não têm mais ninguém. Sempre nos informam que não tem como, porque a demanda da universidade é grande e não há técnicos suficientes”, conta.

    O aluno de geografia relata, ainda, que, em maio do ano passado, o local ficou 15 dias sem água. Para tomar banho, os moradores se deslocavam para o Centro Olímpico ou para prédios da universidade com chuveiro. “Para resolver a situação temporariamente, a UnB conseguiu duas bombas emprestadas. A compra foi feita agora em 2016, mas não tem mão de obra para instalar. Quando falta energia, provavelmente falta água, pois não tem força para levar até a caixa d‘água”, lamenta.

    Para a estudante de geologia Nathália Almeida, 24 anos, a UnB peca no planejamento. O banheiro do apartamento onde ela vive apresenta mofo no teto por causa da falta de ventilação. Além disso, segundo ela, o prédio ficou duas semanas sem porteiro nos dois blocos porque o contrato dos terceirizados acabou. “Isso aqui à noite é escuro, várias pessoas que não são moradoras subiam e tudo ficou uma bagunça, não havia controle de nada. Tivemos vários casos de vandalismo, como paredes pichadas”, relata.

    “Sem dificuldades”
    Diferentemente do que dizem os alunos, a UnB nega que a Casa do Estudante Universitário tenha problemas estruturais. Em nota, a instituição alega que as infiltrações e os vazamentos não são generalizados nos dois blocos da CEU. Ao contrário, ocorrem em alguns locais específicos e são tratados e corrigidos sempre que identificados.

    A UnB informa, ainda, que passa por uma mudança nos modelos de contratação dos serviços terceirizados de natureza continuada, visando reduzir os custos, bem como melhorar a eficiência e o atendimento. Entre o término de um contrato e o início do novo, podem ocorrer curtos períodos em que a prefeitura não dispõe de mão de obra. Atualmente, o órgão passa pela transição de alguns desses acordos. Mas a previsão é de que todos estejam regularizados até a próxima semana. Em conclusão à nota, a UnB resume que “ao longo de 2015 atendeu satisfatoriamente a grande maioria das demandas de manutenção sem dificuldades”.

    Assistência
    A Casa do Estudante Universitário atende alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com renda familiar mensal de até um salário mínimo e meio per capita, regularmente matriculados em disciplinas dos cursos presenciais de graduação, cujas famílias residam fora do Distrito Federal (ou em regiões de difícil acesso) e não tenham imóveis no DF. As unidades são mobiliadas com camas, sofá, televisão, escrivaninhas, cadeiras, fogão, geladeira, micro-ondas e filtros de parede. Dois apartamentos contam com acessibilidade para atender deficientes.

    Memória - Negociação  atrasos
    Segundo um relatório da UnB, até o 2º semestre de 2010, a instituição oferecia aos alunos selecionados para o Programa de Moradia Estudantil 368 vagas lotadas em dois blocos da CEU. A obra, que deveria ter sido iniciada em julho de 2011, sofreu atrasos em razão da negociação estabelecida entre estudantes e a Administração da Universidade para viabilizar os trabalhos. A desocupação da Casa, prevista para fevereiro de 2011, só foi concluída em setembro. À época, os universitários puderam escolher entre auxílio-moradia — de R$ 510, naquele ano, mas com aumento em 2012 para R$ 530 — ou vagas em apartamentos locados pela Fundação Universidade de Brasília. Com orçamento de R$ 9 milhões, a entrega da obra estava prevista para março de 2011, mas, com os atrasos, o processo de licitação começou em novembro de 2011 e a construção teve início em janeiro de 2012, com previsão de entrega para janeiro de 2013, de acordo com o decanato. Mas só foi entregue em dezembro de 2014. Hoje, a CEU conta com 360 vagas.


    Fonte: Correio Braziliense – Foto: Carlos Moura/CB/D.A.Press 

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