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  • quinta-feira, 7 de abril de 2016

    #ENTREVISTA PAULO PRADO » Vírus que ameaçam o DF

    "Precisamos aumentar o nível de pesquisa naquela população (de Brazlândia) para saber o que está ocorrendo. Pode até estar circulando outro tipo de vírus que a gente não conhece"

    Especialista já acompanhou mais de 700 diagnósticos só este ano para analisar os sorotipos de dengue que circulam pela cidade. A equipe dele também monitora outros micro-organismos, como o H1N1

    Em apenas três meses, a capital federal registrou 98% dos casos de dengue notificados em todo o ano passado. Ao todo, a Secretaria de Saúde apontou 10.218 infecções — 1,3 mil em moradores do Entorno. Em 2015 inteiro, a marca alcançou 10.338 pessoas. Durante os últimos sete dias, houve 1.168 novas contaminações pelo Aedes aegypti — alta de 12,9%. Sete pessoas morreram em 2016.

    Alguns dos diagnósticos passam pelo Núcleo de Virologia do Laboratório Central (Lacen-DF). O chefe da unidade, o biólogo especialista em medicina tropical Paulo Prado, acompanha os resultados pessoalmente. Hoje, é uma das pessoas que mais sabe sobre a situação virológica da cidade. Só este ano, o órgão analisou 703 amostras e isolou 141 para identificar os sorotipos de dengue circulantes. Em 65% dos casos, a variante 1 é a responsável pela doença; em 29%, a 2, em 2,1%, a 3; e em 3,5% a 4. Esses e outros vírus, como os que transmitem as gripes H1N1 e Influenza B, são monitorados.

    “Para combatermos as doenças, precisamos saber o que circula na nossa população. Os diagnósticos ajudam a construir mecanismos para interromper a transmissão e conter o avanço do mal”, explica o biólogo Paulo Prado. Na instituição desde 2010, ele detalha a condição virológica da capital. “Já notificamos pessoas com os tipos 1 e 2 de dengue. É raro, mas é possível”, conta.

    Com base no trabalho de Prado e equipe, mais um Boletim Epidemiológico foi divulgado na noite de ontem. O documento mostra que 40 casos de zika já estão confirmados — sendo 11 em gestantes. Em 65% das situações, a infecção ocorreu na cidade. Dos 428 casos suspeitos de chicungunha notificados pelo governo local, 41 estão confirmados. O número é 1.750% maior do que o do ano passado, quando houve dois. A pasta garante que apenas oito casos (21,6%) são autóctones, ou seja, contraídos na capital.

    Pode haver subnotificação dos casos de dengue, chicungunha e zika?
    Acredito que sim. Até o quinto dia, o paciente tem a circulação do vírus no organismo. Nesse período, conseguimos identificar a doença pelo exame PCR (Proteína C Reativa). Depois, não se tem vírus, mas sim, os anticorpos que estão combatendo aquele micro-organismo. Para termos o diagnóstico, utilizamos o exame de sorologia, que consegue detectar até três ou quatro meses depois a circulação desse anticorpo. Hoje, fazemos sorologia para dengue e chicungunha, por isso, há um aumento significativo dos casos, sobretudo da segunda doença. Nos próximos meses, vamos começar a fazer de zika. Logo, o índice vai crescer.

    Qual a dificuldade de se fazer a sorologia para a zika? Sai mais caro para os cofres públicos?
    Não, é mais barato. A dificuldade é conseguir uma metodologia sorológica específica. Dengue, chicungunha e zika são parentes. Quando fazemos a sorologia para os anticorpos, muitas vezes, podemos ter reação cruzada. É possível ocorrer um diagnóstico positivo de dengue, mas é febre amarela, por exemplo: são vírus muito próximos. Não estamos conseguindo um diagnóstico muito preciso na sorologia de zika.

    Os testes rápidos são seguros?
    Esses testes devem ser muito bem avaliados. Realmente, são metodologias rápidas e oportunas para a saúde pública. Nós, como poder público, temos que ter o cuidado na avaliação. Fizemos a análise de uma empresa que forneceria kits para o DF.  O material não teve um bom desempenho e não foi comprado. Quanto menor a margem de erro, melhor é. É importante termos um diagnóstico rápido para o paciente e barato para o poder público. Mas, em casos de testes deficientes, podemos desencadear o aumento de mortes, subnotificação de doenças. Por isso, uma compra pode demorar e a rede ficar desabastecida.

    O diagnóstico é lento? O tratamento depende desse resultado?
    A extração do material genético leva até 2 horas; o exame, mais uma hora. É uma metodologia rápida, mas, por causa do momento que estamos vivendo, demanda mais tempo. Não temos uma grande equipe. Há 40 pessoas no Núcleo de Virologia, mas apenas três executam o serviço. O resultado tem saído entre 3 e 4 dias. Temos recebidos, em média, 50 amostras de pacientes do DF para análise por dia. Além dessas, atendemos Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Já chegamos a receber 100 amostras de Mato Grosso e liberamos os resultados em 20 dias. O paciente é tratado enquanto analisamos o vírus causador da doença, independentemente da situação.

    Apenas o diagnóstico clínico basta? Por que a população como um todo não é submetida ao exame laboratorial?
    O diagnóstico do médico é seguro e soberano. E muito caro. Em média, para cada amostra analisada, ou seja, cada vírus identificado sai em torno de R$ 150. Essa não é uma metodologia usada em esquema de rotina, mas sim na alta e na média complexidades. O trabalho serve para monitorar os vírus que circulam na cidade. Em situações excepcionais, o médico envia amostras do paciente para fazermos a análise antes de fechar o diagnóstico.

    Essas informações norteiam o trabalho da Vigilância Epidemiológica?  
    Para combatermos as doenças, temos saber o que está circulando na nossa população. Os diagnósticos ajudam a construir mecanismos para interromper a transmissão e conter o avanço do mal. Por exemplo: Brazlândia tem se destacado na epidemia este ano. A partir da próxima semana, vamos receber até 20 amostras da cidade a fim de averiguarmos os vírus que estão por lá. Vamos fazer testes para todos os tipos de dengue, chicungunha e zika. Precisamos aumentar o nível de pesquisa naquela população para saber o que está ocorrendo. Pode até estar circulando outro tipo de vírus que a gente não conhece.

    O monitoramento das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti demorou a começar? Isso explicaria a tríplice epidemia que vivemos hoje? 
    Em agosto de 2015, o DF fazia análises para zika. O primeiro caso foi de um visitante do Nordeste. Depois, vieram os casos de Santo Antônio do Descoberto até chegarmos à situação que ocorreu na Asa Norte. Logo que identificamos a circulação do vírus aqui, notificamos a Vigilância Epidemiológica para tentar bloquear a transmissão. Temos um panorama fidedigno e ações de acordo com a realidade da saúde pública.

    Este ano, o tipo 3 da dengue voltou a circular no DF. O vírus foi identificado rapidamente? 
    Com o exame de PCR, começamos a identificar vírus que antes passavam despercebidos. Historicamente, o tipo 1 da dengue circula mais na cidade. Depois, a variante 2. Este ano, quando identificamos o sorotipo 3 (em um morador de Taguatinga), pedimos para a Vigilância Epidemiológica monitorar a região.

    Já tivemos casos de pacientes terem mais de uma infecção transmitida pelo mosquito ao mesmo tempo? 
    Já notificamos pessoas com os tipos 1 e 2 de dengue. É raro, mas é possível. Este ano, já tivemos situações dessas no DF. Um paciente de Goiás, que analisamos a amostra, teve zika e chicungunha. Esses quadros de coinfecção são confirmados com muito cuidado.

    Quais outros vírus são monitorados nesse regime? 
    O exame PRC é usado para bactérias e fungos. Essa é uma das metodologias mais utilizadas. Hoje, acompanhamos o desenvolvimento da tuberculose, hepatites, rotavírus, todos os tipos de dengue, chicungunha e zika.

    E os vírus da gripe? 
    Ao todo, monitoramos 11 tipos de vírus que causam infecções respiratórias. Existem protocolos para muitas doenças. Agora, o que mais avaliamos é a circulação da Influenza B e do H1N1 que apresentaram aumento.


    Fonte: Otávio Augusto – Foto: Helio Montferre-Esp-/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

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