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  • quinta-feira, 21 de abril de 2016

    #ENTREVISTA: RODRIGO ROLLEMBERG » Hora de recuperar o alto astral da cidade

    "Essa divisão que tomou conta do país não foi feita por nós. Como responsáveis pela segurança, tivemos de tomar providências para que as pessoas pudessem se manifestar livremente sem problemas e foi o que aconteceu" "É claro que o fato de a admissibilidade produzir o afastamento imediato da presidente criará dificuldades para o seu retorno. No entanto, como temos um ambiente de muita instabilidade, qualquer previsão seria muito arriscada"

    Brasília chega hoje aos 56 anos num momento mais tranquilo para Rodrigo Rollemberg (PSB), em seu segundo ano de mandato, mas num turbilhão político nacional na Praça dos Três Poderes. Por isso, a principal missão do governador do Distrito Federal no momento é ajudar a criar um clima de paz entre os moradores da capital.

    Em uma entrevista ao Correio, Rollemberg fala sobre a polêmica divisão de grupos pró e contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff nas manifestações do último domingo. Uma separação que ele rejeita ser tratada como muro. O governador conta que a ideia considerada polêmica saiu da sua própria cabeça e foi colocada em prática pelas forças de segurança. Pela tranquilidade com que os protestos ocorreram no último domingo, ele acredita que tomou a decisão certa. A depender do ambiente nas votações do impeachment no Senado, as divisórias devem retornar à Esplanada.

    Sobre o futuro de Dilma Rousseff, Rollemberg acredita na aprovação da admissibilidade do processo de impeachment, o que levará ao afastamento da presidente do cargo. Quando o assunto é a possível delação premiada do ex-senador Gim Argello (PTB-DF), que teria arrecadado dinheiro de corrupção para bancar a chapa adversária à sua em 2014, Rollemberg desconversa. “Isso é assunto para a Justiça”, diz.

    O governador confessou, ainda, que no primeiro ano de gestão atuou internamente e destacou a intenção de ir agora mais para a rua. “Foi muito importante esse olhar (para dentro do governo), esse controle do gasto, essa estratégia de ampliação da receita, mas tenho convicção de que agora nós devemos governar mais para fora”, ressaltou. Negou, no entanto, estar trabalhando num projeto de reeleição. “Estou muito concentrado na perspectiva de ser um bom governador e entregar uma cidade melhor do que recebi. E para ser um bom governador é fundamental estar em contato com a população”, frisou.
    "Sinceramente, não vejo possibilidade hoje de o Congresso Nacional aprovar uma proposta dessa (eleições diretas) em tempo hábil de se realizar uma eleição até o fim do ano""Tenho uma avaliação que nesses primeiros 15 meses governei muito para dentro do governo, mas tenho convicção de que agora nós devemos governar mais para fora"

    O muro virou um símbolo da divisão do país. Vai continuar para as próximas fases do impeachment no Senado?
    A divisória que colocamos na Esplanada foi um instrumento para garantir a livre manifestação das pessoas, a integridade delas e do patrimônio público. Mostrou-se bem-sucedida. Pela primeira vez na história, nós tivemos uma manifestação de 80 mil pessoas com opiniões divergentes em um ambiente extremamente radicalizado. O esquema de segurança montado permitiu que as pessoas pudessem se manifestar livremente com segurança. Essa divisão que tomou conta do país não foi feita por nós. Nós, como responsáveis pela segurança, tivemos de tomar providências para que as pessoas pudessem se manifestar livremente sem problemas e foi o que aconteceu.

    E vai continuar?
    Provavelmente, sim. Se a expectativa para a votação no Senado for de um número grande de pessoas, com opiniões divergentes, em um ambiente de pouca tolerância política, como estamos vivendo, devemos manter todo o esquema de segurança que foi muito bem-sucedido.

    O senhor já foi senador e conhece bem aquela Casa. Acha que eles vão optar pela continuidade do processo?
    É provável que sim. Vai depender muito do momento que se der a primeira votação. São dois momentos: o primeiro é o da admissibilidade da continuidade do processo, e nesta fase é preciso apenas de 41 votos. Nesse sentido, é muito provável que o Senado aprove. Em relação ao julgamento propriamente dito, vai depender muito dos acontecimentos das próximas semanas e dos próximos meses. Mas é claro que o fato de a admissibilidade produzir o afastamento imediato da presidente criará dificuldades para o seu retorno. No entanto, como temos um ambiente de muita instabilidade, qualquer previsão seria muito arriscada.

    O senhor conviveu com o ex-senador Gim Argello no Senado. Imaginava que ele estaria enrolado a ponto de o juiz Sérgio Moro decretar a prisão dele? Em algum momento,  suspeitou que pudesse ter alguma coisa errada naquela CPI da Petrobras?
    Em relação à CPI da Petrobras, não. Eu tive um momento, digamos assim, com o senador Gim Argello, em que apresentei um candidato alternativo à sua candidatura no Tribunal de Contas. Isso acabou inviabilizando a sua ida para o TCU, mas não tive nenhum conhecimento desses acordos relativos à CPI da Petrobras.

    Esse acordo que levou à prisão do ex-senador Gim Argello financiou uma candidatura de toda uma chapa que concorreu contra a sua na campanha de 2014. Eles tinham muito dinheiro na campanha? Já havia essa suspeita de que o dinheiro poderia ser fruto de corrupção?
    Esse é um assunto da Justiça. Vencemos as eleições com todas as dificuldades. Tivemos oportunidade, na ocasião, de dizer quais eram os interesses que estavam representados em cada candidatura, e isso é passado. Está nas mãos adequadas, que são as mãos da Justiça.

    Na sua opinião, Gim tem perfil para fazer uma delação premiada?
    O que a gente está percebendo é que muitas das pessoas envolvidas estão utilizando desse artifício para obter a redução de pena. Não tenho condições de julgar se o Gim fará ou não delação.

    Um dos presos nessa operação, que é uma etapa da Lava-Jato, Valério Neves, era o braço direito da presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS). Ela está fazendo uma campanha grande a favor da Lava-Jato e contra a presidente Dilma Rousseff . Acha que, de alguma forma, aquela prisão a constrange?
    Essa pergunta tem que ser feita para a presidente da Câmara. Tem que se conhecer quais razões levaram à prisão e qual é o envolvimento dele. A versão que tive conhecimento, e publicada pela imprensa, é de que ele teria ido à empresa para apontar quais seriam os partidos beneficiários da doação. Não podemos dizer de antemão que o partido que tenha recebido um recurso de doação de uma empresa soubesse da origem daquele recurso. Temos de ter muita cautela e, por isso, considero importante registrar que isso está nas mãos adequadas. Quem tem condições de avaliar essas questões é a Justiça. Com qualquer prejulgamento, poderíamos estar cometendo uma injustiça. 

    Voltando à questão do muro, como foi tomada a decisão de se fazer a divisão? Como o senhor avalia o resultado desse trabalho?
    Previa, desde o início, que teríamos momentos muito tensos com a situação política no Brasil. E decidi que a minha maior responsabilidade era garantir que as pessoas pudessem se manifestar livremente e garantir a integridade física delas e do patrimônio. Isso me levou a tomar uma decisão que hoje considero correta, embora tenha sido incompreendida por muita gente — a de que não deveria explicitar uma posição sobre o impeachment. O fato de não manifestar uma posição me dava condições melhores de dialogar com os diversos lados buscando garantir a segurança em um momento muito delicado da história do nosso país. 

    Houve muita pressão?
    Tinha como grande desafio o dia da votação do impeachment, porque nossa expectativa era de que tivesse algo em torno de 100 mil pessoas com opiniões diferentes em um ambiente extremamente radicalizado. Isso poderia resultar em uma confusão envolvendo centenas de milhares de pessoas. Então,  tomamos todas as precauções. Em determinado momento, depois de um fim de semana muito preocupado e refletindo sobre isso, convoquei a secretária de Segurança, o comandante da PM e o chefe da Casa Militar e submeti a eles a ideia de fazer uma divisão no centro da Esplanada que pudesse comportar de um lado o movimento pró-impeachment e de outro lado o movimento anti-impeachment. E aí veio a competência das nossas forças de segurança que desenvolveram essa ideia da forma mais adequada possível. Nós resistimos a todas as pressões que vieram de todos os lados no sentido de buscar modificar o nosso protocolo de segurança. 

    O senhor falou em pressão de todos os lados. Poderia citar quem mais pressionou? 
    Da Câmara dos Deputados, o presidente, Eduardo Cunha, nos solicitou por duas vezes que liberássemos o gramado em frente ao Congresso. Recebi quatro parlamentares também fazendo a mesma solicitação e, para todos, disse que era impossível, pois nós entendíamos que seria muito arriscado deixar concentrar muita gente em um ambiente tão apertado. De membros do governo federal, o pleito (foi) para deixar o acampamento do MST  permanecer ao lado do Teatro Nacional. E a gente tinha definido desde o início, em comum acordo com a direção dos movimentos, que ninguém poderia acampar na área da Esplanada dos Ministérios. Na véspera, alguns grupos ligados à força sindical e ao movimento pró-impeachment tentaram fazer. Não deixamos e encaminhados para o Parque da Cidade. No domingo, foi o grupo dos sem-terra, que, após muito diálogo, nós conseguimos convencê-lo a fazer a transferência para o Mané Garrincha.

    Houve até um desentendimento entre a Força Nacional e a PM...
    Houve um desentendimento pontual porque a Força Nacional entrou em ação para dar segurança ao movimento sem autorização do Governo de Brasília e ela não poderia atuar sem a solicitação do governo. Pedi, então, ao comandante da PM para que fosse ao local e determinasse a imediata retirada da Força Nacional, e assim foi feito.

    A repercussão do muro foi de um símbolo da discórdia nacional. Isso, de alguma forma, o incomodou?
    Tinha muita segurança de que não havia alternativa melhor que aquela. Estamos vivendo um ambiente da crítica muito fácil. Ouvi muitas pessoas, algumas até com responsabilidade e notoriedade, fazendo críticas. Só respondia: “Aponte uma alternativa melhor”, e nenhuma foi capaz de mostrar uma opção melhor do que aquela que se mostrou muito bem-sucedida.

    Com o resultado que o muro trouxe, esse mesmo modelo pode ser aplicado em manifestações futuras caso haja um número expressivo de pessoas em outros protestos na Esplanada?
    A gente fez aquilo por necessidade, mas o nosso desejo é que não precise fazer isso. O nosso desejo é ter uma cidade e um país que as pessoas possam conviver com opiniões divergentes de forma respeitosa sem se confrontarem nas ruas. O problema é que tivemos, no dia da posse do ex-presidente Lula (como ministro-chefe da Casa Civil), uma demonstração do que poderia acontecer se não tivéssemos tomado essa providência. 

    Depois, as pessoas entraram em um clima de humor em relação ao muro...
    Achei muito bacana vários posts que tivemos nas redes sociais, das pessoas regando as flores, das pessoas jogando vôlei… Foi interessante quando visitei o Centro Cultural do Conic, ao longo desta semana, e uma menina falou bem assim: “Só não gostei daquele muro, tira aquele muro”. E respondi: “O que que eu ponho no lugar?”. Ela falou: “Põe flores”. Eu desejo que, um dia, a nossa cidade seja assim, mas ainda não é.

    Houve um público menor do que o esperado no dia da votação. O senhor atribui isso ao muro ou ao receio de confronto? 
    Essa questão é para ser vista pelos analistas políticos, porque não foi só em Brasília. Em todas as unidades da Federação, houve um número menor de pessoas, tanto pró-impeachment tanto contra o impeachment. 

    No aniversário de Brasília do ano passado, a cidade estava um caos. Sente -se mais a vontade agora?
    Nós assumimos o Governo de Brasília na pior situação de todas as unidades da Federação. Salários atrasados, 13º salário atrasado, horas extras atrasadas, antecipação de férias atrasada. Um rombo de R$ 6,5 bilhões entre dívidas do governo anterior e buracos no orçamento de 2015, o que nos obrigou a tomar medidas duras ao longo de 2015. Foi um ano muito austero, ainda mais agravado pela crise econômica que nós tivemos no país em 2015. Isso deu resultados. Hoje, Brasília está em uma situação muito melhor do que a maioria dos estados. Estados importantes, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul estão atrasando e parcelando salário. Nós estamos pagando os servidores em dia, o 13º dos aniversariantes do mês em dia, pagamos antecipação de férias dos professores no quarto dia do ano — coisa que nãoacontecia há muito tempo —, estamos pagando os prestadores e fornecedores de serviço do nosso governo praticamente em dia, estamos pagando parte da dívida que herdamos... Portanto, estamos organizando a cidade. Nós não estamos ainda em uma situação folgada, porque temos uma realidade econômica nacional muito grave. Mas o ambiente está muito melhor, e a gente espera superar esse ambiente político radicalizado, essa intolerância que tomou conta da política  para que possamos resgatar o alto-astral, a alegria, e para que o país possa viver um outro momento. Eu sempre fico pensando nos ditados populares. Um deles é que depois da tempestade vem a bonança, e eu estou esperando a bonança.

    Não chegou ainda?
    Ainda não.
    "Estamos fazendo algumas obras que me tocam profundamente, como a infraestrutura do Sol Nascente. Na última semana, visitei, vi e compartilhei da emoção das pessoas ao ver chegar o asfalto às suas ruas"
    "Acredito muito na capacidade da cultura de construir um novo momento para a história do país"

    E o aniversário de Brasília?
    Viveremos, no plano local, um ambiente melhor do que tínhamos no ano passado, mas no ambiente nacional mais tenso do que no ano anterior.

    Com a projeção que vocês têm do orçamento e da arrecadação, vai dar para fechar um ano tranquilo? 
    No ambiente econômico que nós estamos, ninguém pode dizer em abril que vai fechar o ano tranquilo em dezembro. Por isso, nós temos que tomar as precauções. Não podemos relaxar na manutenção de gastos. Temos que ter muita qualidade no uso do recurso público para que possamos chegar ao fim do ano sem sobressaltos. Até porque, temos que pagar uma dívida que herdamos do governo anterior, mas estamos trabalhando com afinco, com muita dedicação. A gente espera poder chegar ao fim do ano pagando todos os nossos compromissos em dia. E uma satisfação muito grande é que, apesar dessa crise toda, nós estamos com investimentos importantes na cidade que vão contribuir muito para a qualidade de vida da população. É importante registrar que em 15 meses já entregamos 7,2 mil apartamentos, sobretudo no Residencial Paranoá Parque e no Parque do Riacho. Já entregamos 12 mil escrituras no Distrito Federal; fizemos a desobstrução da orla na Península dos Ministros e estamos aguardando a decisão judicial para concluir a construção de uma ciclovia e abrir aquele espaço para o uso da comunidade. Além disso, estamos fazendo algumas obras que me tocam profundamente, como a infraestrutura do Sol Nascente com rede de esgoto, drenagem pluvial e pavimentação. Na última semana, visitei, vi e compartilhei da emoção das pessoas ao ver chegar o asfalto às suas ruas, e isso significa uma mudança de patamar de qualidade de vida. 

    Esta crise nacional abafa a divulgação do trabalho do GDF? 
    De certa forma, sim, porque grande parte do noticiário nacional e local são tomados pela cobertura da crise. Essas coisas estão acontecendo e muita gente não sabe disso. É um desafio que nós temos, inclusive, de comunicar isso para um conjunto da população, porque muita coisa tem sido feita e deve ser acelerada nesse período seco, sobretudo as relativas às obras que vão melhorar muito a qualidade de vida da população.

    A Câmara Legislativa do DF continua propondo e aprovando uma série de leis que contrariam uma das prioridades do seu governo que é o combate a grilagem. Até quando a Câmara vai continuar prestando esse desserviço à população?
     Nós temos procurado sensibilizar os parlamentares de que, muitas vezes, atender o interesse de um grupo individual é uma ilusão quanto à percepção do próprio resultado eleitoral em função dos interesses coletivos de toda a comunidade. E, hoje, tenho convicção de que a maior parte da população de Brasília é contra invasões, contra grilagens e contra a ocupação desordenada do solo, porque isso prejudica todo mundo. Primeiro, é uma apropriação indébita de um patrimônio que é público, de um patrimônio que é de todos. A Bruna Pinheiro (diretora da Agência de Fiscalização do DF) deu um exemplo outro dia que só uma chácara vendida em Vicente Pires daria para construir um hospital que a população de Brasília está perdendo em função da ganância de alguns grileiros. Mas é, também, um prejuízo para o trânsito, para a saúde, e para o aumento da criminalidade, porque, junto da invasão de terra, estão outros crimes que dão sustentação àquilo. 

    O senhor criou a Secretaria de Cidades, mas ainda não nomeou ninguém. Por que essa demora? Está negociando com a Câmara?
    Nós temos a decisão de criar a Secretaria de Cidades, mas estamos com dificuldade em função da contenção de gastos e da impossibilidade de criar mais cargos que contrariam  a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Como nós fizemos um corte muito grande no governo em dois momentos: no início, quando reduzimos de 39 para 24 secretarias, e, depois, quando diminuímos de 24 para 17 — e agora são 18 secretarias — reduzimos 5 mil cargos comissionados. Então, todas elas estão muito enxutas e nós estamos com dificuldade de remanejar cargos para criar a de Cidades. Estamos estudando como e quando fazer isso e qual o melhor momento para efetivar a Secretaria de Cidades.

    E já tem um nome para assumir?
    Não.

    Criação de cargo não vai na contramão de um país que está em crise? Como o senhor justifica e vai explicar para a população que precisa ter mais uma secretaria?
     Não queremos criar cargos. Iremos remanejar cargos. Exatamente porque todas as secretarias estão muito enxutas é que nós estamos com dificuldade de fazer esse remanejamento para criar a Secretaria de Cidades. O que está claro para a gente é que nós precisamos melhorar a interlocução com as regiões administrativas e as administrações regionais. E tenho uma avaliação que nesses primeiros 15 meses governei muito para dentro do governo e foi muito importante esse olhar, esse controle do gasto, esta estratégia de ampliação da receita, mas tenho convicção de que agora nós devemos governar mais para fora.

    E aí entra a figura do prefeitão Rodrigo que a cidade carece?
    A cidade carece efetivamente. Brasília precisa de um governador que tenha capacidade de articular com os demais, com o Congresso. Brasília é a capital do país, nós temos sempre interesses nacionais, mas temos o dia a dia da cidade, que precisa ser cuidado, que é o trabalho de prefeito. Por exemplo, hoje (segunda-feira) andei pela cidade e fico tão feliz quando eu vejo a grama cortadinha como está, o meio-fio pintado. Isso pode parecer coisa simples, mas dá uma sensação positiva para as pessoas. E a gente percebe que isso começa também a tomar conta de outras cidades de Brasília. Nós tivemos dificuldade, por exemplo, para fazer renovação de contrato de caminhões e de máquinas, mas estamos concluindo agora e, com isso, vamos poder atender muito melhor as administrações regionais com as operações tapa-buraco, conservação da cidade, recolhimento de entulhos. Isso vai dar uma sensação melhor para as pessoas na ponta.

    Vai completar 1 ano e 4 meses que o novo Centro Administrativo de Taguatinga está fechado. Qual a expectativa de mudança?
    Nós temos embaraços jurídicos que precisam ser superados para que podemos fazer a mudança com segurança. Estamos em permanente negociação com o consórcio e com envolvimento do Ministério Público. Tão logo a gente tenha solução para essas questões jurídicas, nós iniciaremos o processo de mudança.

    O contrato para essa PPP (Parceria Público-Privada) é injusto?
    O contrato tem várias cláusulas que precisam ser aprofundadas e avaliadas, muitas delas com questionamentos na Justiça. Nós temos, por exemplo, a questão das garantias, a questão de algumas definições de obrigações que não estão claras no contrato, a questão de responsabilidade de obras viárias para garantir o habite-se e, hoje, estamos impedidos de pagar o consórcio por decisão judicial. Estamos impedidos de dar o habite-se por decisão judicial.

    O presidente de uma das empresas que compõem o consórcio, a Odebrecht, está preso pelas denúncias da Lava-Jato. Isso exige uma cautela maior do governo do DF para assumir essa PPP?
    Diria que o valor do contrato exige um cuidado muito grande, porque, a partir do momento que o DF assinar e mudar para o novo Centro Administrativo, terá uma responsabilidade de pagamento grande. São quase R$ 200 milhões a serem pagos anualmente.

    Em relação aos contratos de PPP, como avalia o risco de a Operação Lava-Jato chegar ao estádio? 
    O que questiono do estádio, e sempre questionei, é o valor. Podíamos ter um estádio cumprindo os mesmos objetivos que esses por um valor três vezes menor como foi feito em vários estados. Agora, sobre possíveis irregularidades na construção ou desvios de recursos, cabe à Justiça analisar.

    Quando o senhor diz que fica muito dentro do palácio e quer mudar um pouco e ir para a rua é sinal de que a reeleição é uma preocupação? O senhor está com isso na cabeça ou não?
    Sinceramente, neste momento não estou. O desafio neste momento de governar uma unidade da Federação é muito grande e não é diferente no Distrito Federal. Estou muito concentrado na perspectiva de ser um bom governador e entregar uma cidade melhor do que recebi. E, para ser um bom governador, é fundamental estar em contato com a população. Por onde eu tenho andado, recolho uma energia muito positiva no contato com a população. Gosto muito de estar em contato com as pessoas. Uma das coisas que mais gosto de fazer é visitar uma obra, conversar com a população, ir a uma feira e ali recolher as impressões, as críticas, as sugestões para que a gente possa fazer um governo melhor. E eu continuo fazendo as nossas rodas de conversas, e, muitas vezes, enfrentando críticas, mas são momentos muito ricos, muito positivos e diria revigorantes. Este ano, já realizei duas (rodas de conversas): em São Sebastião e em Taguatinga. Em Taguatinga, tendo como foco a questão dos moradores de rua, mas em São Sebastião foi muito interessante porque nós tínhamos feito uma derrubada havia poucos dias. Aquelas pessoas de comunidades que tiveram seus espaços derrubados se mobilizaram, como parte dos grileiros, e em um determinado momento fui abordado por um cidadão. E eu disse: “Aqui todo mundo sabe que em São Sebastião tem muito grileiro e tem quem se utilize da boa-fé da população e está desorganizando a cidade. Então, para esses grileiros, vai ser cadeia. 

    Voltando um pouco para o debate nacional, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF)  defende uma proposta de tentar encerrar a crise com uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que estabeleça eleições já este ano. O senhor concorda com essa ideia? 
    É uma ideia muito simpática. Tenho simpatia pela ideia, mas é importante buscar saber o que diz a Constituição. Ele fala de eleições para presidente junto das eleições municipais em dois anos de mandato.É uma ideia que parece simpática, mas tem várias outras implicações que precisam ser analisadas com profundidade. 

    Mas o senhor acha viável?
    Sinceramente, não vejo possibilidade hoje de o Congresso Nacional aprovar uma proposta dessa em tempo hábil de se realizar uma eleição até o fim do ano. 

    O que acontecerá caso o Senado aprove o impeachment?
    Até aqui vislumbro a saída que está prevista na Constituição. Nós vamos ter um julgamento no Senado Federal do impeachment ou não da presidenta da República. Caso seja aprovado, vai assumir o vice, Michel Temer. Qualquer que seja o presidente, ao fim desse processo, vai ter diante de si um enorme desafio. Terá uma economia em frangalhos, um país em uma crise política sem precedentes e que precisará fazer, no meu entendimento, um pacto por cima dos partidos com pessoas que tenham respeitabilidade do conjunto da sociedade para construir caminhos que comecem a unificar o país.

    O senhor acha que esse processo será longo? Que impacto vislumbra para ter uma saída?
    O Brasil não aguenta um processo tão longo. Qualquer que seja a definição é importante que ela se dê em um prazo razoável de tempo respeitando, é claro, os ritos legais. A informação que tenho é que o Senado deve julgar a continuidade do processo a partir de 10 de maio. É fundamental que se tenha uma decisão o mais rápido possível.

    O senhor diz que não se posiciona em relação ao impeachment, mas, em relação a Eduardo Cunha, vários parlamentares, inclusive do seu partido, disseram que ele não tem mais legitimidade para presidir a Câmara dos Deputados. Vai entrar nesse movimento também ou a Câmara que cuide disso?
    Esse é um tema que diz respeito aos parlamentares e aos partidos políticos. O governador de uma unidade da Federação deve, por motivos óbvios, guardar certa distância desses temas, mas, certamente, o partido, no momento adequado, terá uma posição sobre isso.

    Como resgatar o alto-astral neste aniversário de Brasília?
    Primeiro, reconhecendo o valor da nossa gente, reconhecendo como valor fundamental da nossa cidade a nossa diversidade, reconhecendo o valor da cultura. Porque Brasília tem algo que outras unidades da Federação não têm: uma imensa diversidade cultural e um pouco de cada coisa do Brasil. E isso tem que ser valorizado ao máximo. Acredito muito na capacidade da cultura de construir um novo momento para a história do país. Quando vejo, por exemplo, os movimentos se organizando para recuperar o Dulcina (Faculdade de Artes Dulcina de Moraes) a partir de coletivos de cultura; os movimentos tomando conta do Setor Comercial Sul a partir da iluminação; quando vejo a força de movimentos vinculados ao forró em Ceilândia, muitas iniciativas que surgem da própria sociedade, acredito muito na nossa capacidade de levantar o astral. E, a partir de Brasília, nós tenhamos uma sinalização de um novo momento para a história do Brasil. Nós só vamos fazer isso se a gente tiver capacidade de construir uma cultura de paz. Por isso que, para mim, a coisa de maior simbolismo dos últimos tempos foi ver a população entregando flores e batendo palmas para a polícia. A gente quer que isso aconteça no dia a dia. Sabemos que, em alguns momentos, ainda têm excessos que devem ser combatidos e contidos para que tenhamos uma cidade assim: valorizando uma cultura de paz. É isso que vai fazer a nossa cidade alegre, feliz e que possamos ter orgulho de sermos brasilienses.




    FONTE» ANA DUBEUX » ANA MARIA CAMPOS » DENISE ROTHENBURG » ISA STACCIARINI – FOTOS: CLAUDIO REIS/ESP-CB/D.A.PRESS –CORREIO BRAZILIENSE

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