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  • domingo, 3 de abril de 2016

    Investigar não é golpe - - - (O bordão #nãovaitergolpe ...)

    Por: Ana Dubeux

    O bordão #nãovaitergolpe de fato ganhou as ruas e as redes. Usado para manifestar apoio à presidente Dilma Rousseff, funciona como uma barreira de som ao processo de impeachment em curso. Tem sido eficiente num primeiro momento como um escudo popular, ainda que alguns insistam em reduzir a multidão que ganhou as ruas na semana passada à militância profissional – como se sindicatos e movimentos sociais não fossem também parte do povo.

    Mas é preciso cuidado. Não se pode usar o “slogan” como uma bandeira contra as investigações da Lava-Jato. Essa operação, que há mais de dois anos dissolve os muros da corrupção no Brasil, é motivo de orgulho. Doa em quem doer, tem aberto caminhos e cruzado trilhas inimagináveis. Investigar não é golpe; denunciar não é golpe; apontar culpados não é golpe; julgar não é golpe; mandar para cadeia os corruptos não é golpe, é um favor para o Brasil e um avanço contra a impunidade. Se há erros nesse processo, como o já confessado pelo juiz Sérgio Moro, que permitiu o vazamento de escutas, eles devem ser dirimidos. Contudo, eles não anulam, em absoluto, o fato de que o Brasil só tem a ganhar com essa investigação.

    É comum, e aconteceu também com o então ministro do STF Joaquim Barbosa, que mandou mensaleiros para a cadeia, transformar juízes e investigadores ora em heróis, ora em vilões. Promotores e advogados ganham um palanque de peso para exercer suas atividades. Todos os holofotes se voltam para quem está no meio do ringue, além dos políticos. A depender do lado que se olha, eles parecem uma coisa ou outra. Mas estão apenas exercendo suas funções – ao menos, é o que se espera deles, embora alguns, é verdade, sintam-se bastante à vontade com o protagonismo, a ponto de perderem o tom.

    A mais recente fase da Operação Lava-Jato, chamada Carbono 14, é um elo entre os escândalos. Ressuscita o passado. Promete surpresas. Independentemente do que aconteça, somos pouco a pouco apresentados a um cenário político dantesco: um PMDB que quer passar uma imagem de virgem em meio ao bacanal e um PT que recorre a todo tipo de método para fincar raízes no poder e livrar-se das investigações, além de outras legendas que desejam se aproveitar da fragilidade do momento para ganhar cargos e projeção. O ministro do STF Luís Roberto Barroso tem razão quando diz que a política morreu e que as alternativas são cruéis. Particularmente, considero a Lava-Jato um marco. Sabemos todos que a corrupção tem corroído nossas riquezas há tanto tempo que é impossível fechar uma data. Desde o início da história brasileira, somos saqueados. Por essas e outras, o trabalho da força-tarefa é essencial. Não podemos deixar de lembrar que as leis anticorrupção e os acordos de delação e de leniência foram colocados nos governos Lula e Dilma. A Lava-Jato é um progresso, como disse recente reportagem do New York Times, e deve ser festejada como um avanço da democracia e não como retrocesso.




    (*) Ana Dubeux - Editora Chefe do Correio Braziliense - Foto/Ilustração: Blog - Google


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