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  • sábado, 2 de abril de 2016

    Um país sem salvação

    Às vezes, e cada vez com mais frequência, sinto vergonha alheia. Daquele cara que chama Cunha de Ladrão, e Dirceu de guerreiro do povo brasileiro. São iguaizinhos: apenas um se diz de esquerda, e o outro é de direita. Daquele cara que acha o PT o suprassumo da ética, e o PMDB um antro de pilantras. Ora, peemedebistas são apenas sócios minoritários de petistas no esquema. Daquele cara que, no discurso, faz a defesa enfática dos gays. Mas, na prática, acha normal que Cuba trate a homossexualidade como desvio de conduta, que o Irã — do nosso amigo Ahmadinejad — mande executar pessoas apenas pelo fato de elas não serem héteros ou, como fazia Stalin, que os persiga, humilhe e envie para campos de trabalho forçados na Sibéria.

    Quando vejo o PT e o governo enfiados na lama, e o risco — ou a maldição de ver o PMDB como substituto no Planalto —, eu me envergonho. Não há opção ou salvação à vista para o Brasil. “Meu Deus!” — como bem disse Barroso — “Essa é a nossa alternativa de poder?” Em qualquer lugar decente do mundo, esse governo já teria acabado e haveria muita gente graúda na cadeia. Num gesto que exige coragem e grandeza, Dilma já deveria ter pedido perdão pelo desastroso mandato, proposto um pacto político — com renúncia e entrega do poder a uma administração provisória que assumisse o compromisso de preservar as investigações da Lava-Jato — e defendido novas eleições. Mas falta-lhe humildade para tanto. E, talvez, já não haja tempo para isso.

    É dentro desse contexto que o mal menor é o impeachment. Depois de Dilma, viria a vez de a sociedade pedir o “Fora, Temer”. Uma coisa de cada vez. Afinal, 99% dos mais de 3 milhões de brasileiros que foram às ruas repudiar Dilma, Lula e o PT, na maior manifestação da história do país, também rechaçaram Cunha e não se deixaram manipular por qualquer outro partido. Além do impeachment, a única unanimidade era a defesa do juiz Sérgio Moro, que vão acabar prendendo porque tem coragem de agir como deve agir um magistrado de verdade, e as investigações da Lava-Jato.

    Aí, me perguntam: “Mas por que você só bate no PT?” Eu respondo: porque o PMDB nunca me enganou. Nunca recebeu meu voto. O PT, sim. E o troco pelos votos que eu e milhões de brasileiros demos no partido foi o estelionato eleitoral. Em vez da ética na política, o que se viu e se vê hoje é tentativa de alçar corruptos à categoria de heróis. “Mas tem o Bolsa Família...”, dizem. Tem sim. Mas também bolsa banqueiro, bolsa empreiteiro, bolsa empresário... Nunca me esqueço do Bicudo, um dos fundadores do PT, contando estupefato o dia em que Dirceu lhe disse qual seria a utilidade do Bolsa Família no Brasil. “São mais de 40 milhões de votos.” O depoimento do jurista, que assina o pedido de impeachment, pode ser visto na internet.


    Por: Plácido Fernandes Vieira – Correio Braziliense – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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