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  • segunda-feira, 9 de maio de 2016

    A rua é para ser ocupada! (A produção cultural brasiliense tem sido cada vez mais pulsante. )

    Cacai Nunes aproveitou a tendência dos shows de rua para criar o projeto Forró na Vitrola
    Cena do espetáculo Mr. Bugiganga, da Companhia Circênicos: espaço público ocupado para a arte
    Barata acredita que relevância das produções culturais vai além do entretenimento

    Apesar da burocracia, aumenta o número de eventos gratuitos organizados em locais públicos, que confirmam a criatividade de artistas e produtores culturais em driblar os tempos de crise

               "A produção cultural brasiliense tem sido cada vez mais pulsante."

    Seguindo a tendência das grandes metrópoles, os espaços arborizados e monumentais da cidade projetada por Lucio Costa recebem nos últimos anos um número expressivo de eventos públicos. Um levantamento realizado pela Administração do Plano Piloto confirma essa tendência: em 2015, foi registrada a realização de 350 eventos gratuitos. Entre janeiro e abril deste ano, foram viabilizadas 136 manifestações culturais. Para os próximos dois meses, o órgão prevê 50 eventos em áreas públicas. O movimento tem impulsionado a agenda de cultura da capital em tempos de crise. “Brasília é uma cidade que está pulsando e acho que todos esses eventos são de extrema importância para a cultura da cidade. Em um momento de escassez financeira, essas atividades gratuitas chegaram para suprir uma lacuna”, ressalta o administrador do Plano Piloto Marcos Pacco. 

    Aliado ao contexto que favorece esse perfil de evento, estão nomes consagrados da cidade que abriram caminhos aos que desejam seguir carreira na área de produção. A burocracia para organizar um evento gratuito se transforma no principal desafio enfrentado pelos artistas e produtores. O ator Gabriel Marques, produtor da Cia. Circênicos e do Festival Internacional de Artistas de Rua de Brasília (FestiRua), precisou conhecer com mais afinco o universo da produção. “Muitas vezes, tirei o foco dos ensaios para aprender a resolver problemas burocráticos, o que interfere bastante nos espetáculos. Vários pontos culturais deveriam ser encarados como espaços culturais a céu aberto, o que facilitaria a realização dessas atividades”, sugere o artista em entrevista ao Correio. 

    Com grande experiência em produção cultural, um dos criadores da festa Criolina e do bloco carnavalesco Aparelhinho, Rodrigo Barata aliou o ofício de produção ao trabalho artístico por necessidade. Ex-integrante da banda de hardcore Pão com Ovo, formada na década de 1990, ele era um dois responsáveis por várias atividades de comunicação e administração do grupo. 

    Barata acredita que o delicado momento econômico do país impulsiona a nova geração à criatividade. “Em momentos de crise, coisas interessantes acontecem. O Aparelhinho é prova disso. É um equipamento de som movido à força humana que precisa de um pequeno gerador de energia”, detalha o artista, que vislumbra nos eventos públicos um poder além da garantia de entretenimento. “A ocupação dos espaços públicos com esse tipo de evento diminui a marginalidade, traz iluminação aos locais, faz a inclusão de moradores de rua a um contexto social e potencializa as ações culturais. Com o diálogo mais fluido entre os órgãos envolvidos, a tendência é que essas festas se multipliquem cada vez mais”, destaca o artista. 

    A visita a vários órgãos vinculados ao Governo do Distrito Federal para retirar alvarás pode estar entre um dos desafios de preparar eventos gratuitos em locais públicos. Outro fator agravante que está entre as maiores queixas dos profissionais do ramo está na liberação dos laudos técnicos do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e Vigilância Sanitária, que depende da montagem da estrutura do evento. “Às vezes, precisamos pagar três dias de diárias.

    Quando se trata de um evento gratuito, isso se torna quase inviável”, afirma Barata. Os produtores entrevistados pelo Correio foram unânimes ao dizer: é preciso repensar o formato burocrático para realizar esse tipo de programação. “O ideal seria ter a centralização dos órgãos envolvidos em um único local. Precisamos de funcionalidade. Caso contrário, pessoas com boas ideias podem desistir de fazer eventos assustadas com essa burocracia”, alerta Barata. 

    O produtor e músico Cacai Nunes aproveitou a tendência de eventos a céu aberto para tornar itinerante o projeto Forró de Vitrola, evento destinado ao ritmo nordestino consagrado na agenda da cidade. Em junho do ano passado, o aporte de uma Kombi 1973 reformada por Cacai com caixas de som acopladas e espaço para o transporte de vinis garantiu mobilidade. “Existe um valor agregado pelo fato de a Kombi ser da época de grande parte do acervo que toco. Além disso, tenho menos burocracia e ganhei mais autonomia”, ressalta Cacai, que considera o veículo uma verdadeira sede itinerante do projeto. 

    Apesar das dificuldades enfrentadas pelos produtores, Cacai afirma que o próprio clima da cidade favorece a atividade. “Somos abençoados com quatro meses de seca. São quatro meses sem chuva propícios a eventos ao ar livre. Numa cidade com um céu bonito como o nosso, é importante pensar em diversidade cultural em locais abertos”.

    » COMO ORGANIZAR UM EVENTO PÚBLICO 

    » Protocolar um requerimento, com no mínimo 30 dias de antecedência, à Administração do Plano Piloto. É preciso chegar munido de RG, CPF e/ou CNPJ. No pedido, o produtor deve descrever o local que pretende utilizar. 

    » É necessário classificar o evento em uma das categorias: pequeno (até mil pessoas), médio (de 1.001 a 10 mil pessoas), grande (de 10.001 até 30 mil) ou especial (além de 30 mil pessoas). 

    » Após a entrega do formulário, a administração entrega um check-list detalhando os passos seguintes do produtor. 

    350 
    Número de  eventos gratuitos em 2015


    Fonte: » Sara Campos - Especial para o Correio Braziliense – Fotos: Breno Fortes/CB/D.A.Press – Fredox Carvalho/Divulgação – Vini Goulart/Divulgação. 

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