• INÍCIO
  • CONTATO
  • MÍDIA KIT
  • ANUNCIE NO BLOG
  • COMENTÁRIOS
  • MAPA DO BLOG
  • quinta-feira, 26 de maio de 2016

    Brasília, Brasília - (José Aparecido, ex-governador de Brasília no período 1985-988) - #TítuloTombamento

    José Aparecido, ex-governador de Brasília no período 1985-988, talvez tenha sido, dos administradores da capital, aquele que mais percebeu as sutilezas e a complexidade simples e clara apresentadas no projeto de Lucio Costa. Tanto entendeu que levou a cabo na sua gestão a inserção da cidade como patrimônio cultural da humanidade. Foi dele também a iniciativa de convidar o famoso urbanista para visitar a cidade, um quarto de século depois de construída, para colher, diretamente do criador, alguns subsídios para possível adequação aos novos desafios urbanos que se impunham à época.

    É dessa fase o documento intitulado Brasília revisitada, no qual Lucio Costa detalha, no seu estilo límpido, não só as razões que levaram a tomada de partido (escolha ou opção por um determinado desenho), bem como as variáveis e possibilidades para o crescimento e expansão da cidade sem ferir os princípios que a nortearam.

    O problema com acréscimo de elementos extemporâneos a um objeto clássico, no caso modernista, é que a inserção de uma única unidade pode macular todo o conjunto, pondo a perder uma obra por completo. Seria o mesmo que agregar uma roupa mais moderna ou um corte de cabelo mais atual à Monalisa, de Leonardo da Vinci.

    Em Brasília revisitada, Lucio Costa traçou de próprio punho as possibilidades que visualizava para a expansão da capital, não sem antes fazer uma crítica educada e oportuna àqueles que se consideram muito moderninhos e avant garde.

    Naquela ocasião, escreveu: “Refiro-me aos empreendedores imobiliários interessados em adensar a cidade com o recurso habitual do aumento de gabaritos; e aos arquitetos e urbanistas que, reputando ‘ultrapassados’ os princípios que informaram a concepção da nova capital e a sua intrínseca disciplina arquitetônica, gostariam também de romper o princípio dos gabaritos preestabelecidos, gostariam de jogar com alturas diferentes nas superquadras, aspirando fazer de Brasília uma cidade de feição mais caprichosa, concentrada e dinâmica, ao gosto das experiências agora em voga pelo mundo; gostariam, em suma, que a cidade não fosse o que é, e sim outra coisa”.

    De fato, ao que se assiste desde que a capital foi emancipada politicamente foi que o inchaço demográfico, decorrente que uma política de atrair pessoas em troca de votos, provocou uma supervalorização nos preços das terras urbanas —  o que, por sua vez, atiçou a cobiça de especuladores imobiliários ambiciosos. É dessa junção nefasta entre políticos espertos e empreendedores gananciosos que a cidade vem sendo comida pelas beiradas, infestada por puxadinhos horrendos, como um bigode rabiscado sobre o rosto enigmático da Monalisa.

    ****

    A frase que foi pronunciada
    “É fácil avaliar o juízo ou a capacidade de qualquer homem quando se sabe o que ele mais ambiciona.”
    (Marquês de Maricá)


    Por: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    ****
                      PUBLICAÇÃO DA REDAÇÃO DO BLOG - (VÍDEO) URBANISTAS POR BRASÍLIA 







    Um comentário:

    1. Saudosa lembrança do homem que entendeu a Arte que Brasília é - José Aparecido

      ResponderExcluir

    imagem-logo
    © Blog do CHIQUINHO DORNAS 2012/2016 Todos os direitos reservados.