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  • sexta-feira, 13 de maio de 2016

    #GOLPE » Mais denúncias sobre pirâmide da gasolina

    Vídeos publicados no YouTube explicam como funciona o "investimento" na distribuição de combustíveis
    A página da Fuel Age na internet alega "inovação em negócios" e informa apenas um e-mail de contato

    O Correio acompanha reunião de representante do esquema com venda de combustíveis e confirma o assédio a pessoas de origem humilde. Investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, o negócio promete retorno rápido aos "investidores"

    Comunicado da ANP em uma rede social atesta a ilegalidade do esquema em ação no país: "Não tem registro
    Mais vítimas do suposto esquema de pirâmide financeira de combustíveis Fuel Age formalizaram denúncias às autoridades. São, pelo menos, três representações só no Distrito Federal. O grupo de 22 pessoas esteve no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) em busca de ajuda. A reclamação é de que os pagamentos prometidos com o investimento não foram efetuados. Além disso, os responsáveis pela empresa mudam de endereço e de telefone sem dar explicações. O órgão informou que deve repassar o caso para o Ministério Público do Estado de Goiás, pelo fato de a sede da companhia ficar em Goiânia.  Mesmo com as investigações, o Correio apurou que os líderes do negócio continuam a recrutar mais pessoas em encontros previamente marcados.

    Segundo informações repassadas na internet e pela Fuel Age durante as reuniões, são mais de 100 mil participantes. A empresa, no entanto, não tem autorização da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para atuar no ramo de combustíveis (leia Entenda o caso). Dessa forma, operam a atividade ilegalmente no país. Uma mulher que preferiu não se identificar se diz vítima do esquema. Ela investiu US$ 900  (R$ 3,1 mil, segundo a cotação do dia). Entre os benefícios de participar da pirâmide estava o retorno de até 200% e a possibilidade de usar um cartão para abastecer o carro na Rede Ipiranga. Porém, ao chegar ao posto, descobriu que o magnético era falso. A Ipiranga informou, em nota, que não tem nenhuma parceria com a Fuel Age.

    A mulher relatou, ainda, que sofre perseguição por levantar dúvidas sobre a idoneidade do negócio. “Estão me tirando dos grupos do WhatsApp e dizem que eu sou muito desconfiada. Além disso, insistem para eu colocar mais gente, mas eu não vou fazer isso”, comentou. Por falta de recebimento dos retornos prometidos e sem conseguir resolver a situação no DF, ela foi até a sede, localizada no Setor Marista, em Goiânia. Lá, atenderam apenas o interfone e não permitiram que ela subisse até o escritório. “Apenas disseram que a questão seria resolvida e me mandaram embora.” Segundo ela, na capital federal, os principais agenciadores são um pastor evangélico e um militar. As reuniões ocorriam em uma sala próxima à Praça do Relógio, em Taguatinga. Porém, mudaram de endereço.

    A reportagem descobriu a localização do novo local e presenciou o último encontro, ocorrido na terça-feira. Havia cerca de 60 participantes na QC 6, no Riacho Fundo 2. Durou por volta de uma hora e meia. Inicialmente, havia sido divulgado que seria em uma lanchonete. Mas a apresentação aconteceu do lado de fora de um estabelecimento sem placa, que, entre os produtos vendidos, tinha remédio para emagrecimento, investimento em programas de compra da casa própria e equipamentos de filtragem de água de “fabricação japonesa” — esse último curaria a diabetes do tipo 2 após uma semana de uso.

    O grupo, formado em sua maioria por gente humilde e homens, se reuniu a partir das 20h. Boa parte estava revoltada com a falta de informação e do retorno dos investimentos. Uma mulher comentou que pensou em investir R$ 600, mas decidiu por R$ 1,2 mil, para ter um ganho “mais rápido”. Ela acrescentou que entrou no esquema a convite de uma amiga, que disse receder muito dinheiro. Admitiu estar constrangida por ter atraído outras pessoas. Uma senhora disse que viajou a Goiânia para reaver as perdas, mas não conseguiu. Poucos se mostravam conformados ou confiantes.

    Ameaças
    Por volta das 20h30, um homem identificado como Almir se apresentou como novo gestor do Fuel Age e iniciou o encontro dizendo que a situação da empresa era “delicada” e a prioridade seria pagar os investidores. Ele informou que as contas da companhia estão bloqueadas devido a problemas com uma terceira firma, que faz as movimentações financeiras. Negou que houvesse processos judiciais contra o grupo. E garantiu que tinha entregado uma “pilha” de notas fiscais para o Ministério Público Federal (MPF). Almir também criticou as pessoas que procuraram a Justiça, a quem chamou de desonestas e mal-intencionadas. Segundo ele, elas queriam “sangrar a Fuel Age”.

    Segundo Almir, a necessidade de dar respostas para o Ministério Público atrasava os trabalhos e, consequentemente, a liberação das contas em bancos e o pagamento dos “investidores”. O gestor prometeu resolver os problemas em menos de 50 dias. Mais tarde, entrou em contradição e negou que pudesse dar uma previsão. Por fim, mencionou a possibilidade de um novo encontro em 30 dias. Almir acrescentou que se encontrará na Bahia com um paquistanês chamado Salim. O empresário estrangeiro estaria interessado em colocar dinheiro na Fuel Age “em um nível superior” e poderia até inovar as possibilidades de investimentos e estendê-las ao mercado internacional.

    Almir alegou que aguardava uma resposta dos bancos para cerca de 15 dias. Além disso, faria uma auditoria para identificar falsos investidores. Pediu que os presentes enviassem uma cópia da Carteira de Identidade, do CPF e de um comprovante de residência para o site do grupo, o que facilitaria o levantamento. No término da reunião, alguns que estavam mais temerosos decidiram continuar no negócio.

    Investigações
    O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) informou que aguarda um parecer da Polícia Federal sobre a investigação criminal. Em relação à parte de crime contra o consumidor e a ordem econômica, o MPF-DF informou que elaborou um despacho declinando da competência e passando para o MPDFT. Este informou que deve enviar as representações para o Ministério Público do Estado de Goiás. A PF limitou-se a dizer que segue com os trabalhos de investigação. O Correio tentou contato com os responsáveis pela Fuel Age, mas não conseguiu. O telefone da central de atendimento não atende, assim como o e-mail enviado não foi respondido.

    Rendimentos
    Esquema Ponzi ou pirâmide é uma operação que envolve o pagamento de rendimentos altos aos investidores à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegaram posteriormente, em vez da receita gerada por um negócio real.

    Entenda o caso - Sem licença para operar no Brasil
    A empresa Fuel Age vende cotas de distribuição de combustíveis e promete lucro de até 200% para os empreendedores que aderirem ao esquema. Quanto mais interessados o colaborador conseguir trazer para a empresa, mais significativos são os ganhos. Segundo consta na propaganda institucional no canal YouTube, a Fuel Age tem sede em Goiânia e operações espalhadas por todo o Brasil, em estados das regiões Norte e Nordeste e também no Distrito Federal. No site, a companhia diz ter a Ipiranga como parceira. A rede nega. A ANP informou que a empresa não tem licença para funcionar e qualquer operação com petróleo no país precisa passar por sua supervisão. A atuação da Fuel Age no mercado é recente. Os vídeos e textos começaram a ser postados em novembro de 2015. Em Brasília, o lançamento oficial ocorreu em 27 de fevereiro com a presença de muitos convidados, conforme é possível verificar em vídeo postado no YouTube em 29 de fevereiro. Por ser uma investigação recente, os órgãos responsáveis ainda apuram mais informações; por isso, não há dados sobre a quantidade de pessoas envolvidas no esquema nem a cifra de um possível prejuízo. Segundo o Ministério Público Federal no DF, o órgão recebeu uma manifestação anônima sobre a suposta pirâmide em 6 de março. No dia 8, devido ao caráter criminal, a procuradoria enviou um ofício para a Polícia Federal investigar.

    "Estão me tirando dos grupos do WhatsApp e dizem que eu sou muito desconfiada. Além disso, insistem para eu colocar mais gente, mas eu não vou fazer isso"
    (Investidora da Fuel Age, arrependida de colocar R$ 3,1 mil no negócio)



    Fonte: Luiz Calcagno – Flávia Maia -– Correio Braziliense

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