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  • domingo, 5 de junho de 2016

    À QUEIMA-ROUPA: Ricardo Vale, Deputado Distrital (PT-DF)

    Ricardo Vale , Deputado distrital (PT)
    Como será possível reinventar o PT, depois das crises provocadas pelas denúncias contra os governos de Dilma Rousseff e Agnelo Queiroz?
    O partido precisa reconhecer que errou do ponto de vista nacional e também aqui no DF. Se o partido não fizer essa autocrítica, se não reconhecer que errou, não tem como sair dessa crise.

    Onde o PT errou no governo da Dilma?
    Principalmente nas alianças que foram feitas, nas bandeiras que o partido deixou de seguir, nas relações com os trabalhadores e com os movimentos sociais. O partido se preocupou muito mais com a governabilidade do que com as suas bandeiras políticas. E deu no que deu. Esses aliados eram só táticos. Não tinham nenhum compromisso ideológico, nem de construção. Tanto que eles acabaram articulando um golpe. 

    O PT não errou também em se envolver em casos de corrupção, como tem mostrado a Operação Lava-Jato?
    Errou também. O PT é um partido que sempre pregou a ética, que sempre se contrapôs à corrupção e agora tem grande parte de seus dirigentes envolvidos em denúncias de corrupção. A sociedade não perdoa. O PT se construiu se contrapondo a tudo isso. Então, não vai ser fácil o partido se reerguer.

    E no DF? Qual foi o maior erro?
    Muito parecido. O PT, por duas vezes, foi governo no DF e errou na sua política de alianças. Também aqui cometeu os mesmos erros do governo Dilma, se aliou a setores que do ponto de vista ideológico não têm nada a ver com a gente. O PT precisa, inclusive, definir se vale a pena ganhar governos e governar com inimigos históricos. 

    Você é fundador do PT em Brasília. Qual é o seu sentimento ao ver que o PT virou o partido da corrupção na cabeça de muita gente, principalmente no DF?
    Sempre fui um militante de base do PT. Virei deputado por causa disso. O nosso grupo político teve o deputado Paulo Tadeu como expressão. Hoje a gente dá continuidade. E a gente fica muito sentido com isso, muito decepcionado com o que algumas lideranças fizeram, mas não consigo ficar chateado com o partido porque há uma militância, um envolvimento com os movimentos sociais que nenhum partido tem. Não fico arrasado nem deprimido, porque a militância é muito maior do que os dirigentes que cometeram esses erros.

    Historicamente, o PT reuniu um terço dos votos nas eleições. Acha que depois desses episódios, o partido ainda tem essa representatividade no DF?
    Creio que não. Mas é possível se o partido fizer essa autocrítica, muita gente que hoje não acredita mais pode rever suas posições e, de novo, olhar com esperança para o PT.

    E existe esse movimento de autocrítica?
    Não. O partido ainda não parou para fazer isso, sequer parou para avaliar toda essa situação. E ainda não apontou o dedo para os responsáveis pelo que está acontecendo.

    Dá para continuar no PT, ou pretende sair?
    Vou continuar no PT. Tenho um grupo político com muitos militantes históricos e eu jamais tomaria uma decisão da minha cabeça sem levar essa opinião em conta. Isso não passou pela minha cabeça ainda. Mas nós não temos nada a ver com essa situação do partido.

    O governador Rodrigo Rollemberg procurou a bancada do PT para pedir apoio na Câmara. Há chance de o PT apoiar o governo dele?
    O partido tem que trabalhar com todas as possibilidades. O governador não fez esse convite para o partido, muito menos para a bancada, de fazer parte do governo dele. Mas, vendo por uma visão mais de esquerda, se houvesse um convite desse, a gente teria que analisar com carinho. Mas o governador Rollemberg também precisa mostrar qual vai ser a cara do seu governo. Até agora não tem cara. A gente não sabe se ele vai governar com a direita, com setores de centro ou os setores de esquerda. Mas não descarto discutir isso de forma madura. Rollemberg não é uma pessoa do mal. 

    Qual é a sua avaliação sobre o governo dele?
    A gente percebe que ele está tendo muita dificuldade para conduzir a cidade, mas, infelizmente, quem assume o governo passa a ser alvo de tudo o que há de ruim, principalmente de setores atrasados, que, inclusive, trabalharam muito bem, agora, nessa questão da movimentação no sentido do impeachment da Dilma. Hoje esses setores trabalham para inviabilizar o governo Rollemberg. Nós somos oposição, mas queremos que o governo dê certo. Em 2018, vamos discutir o melhor projeto. Mas não podemos apostar no caos. 

    Se o governo de Rollemberg não der certo, será uma porta aberta para a volta dos adversários históricos do PT?
    Não necessariamente. Pode ser bom para o PT também. Mas não podemos apostar nas coisas ruins, que a cidade pare só por causa da disputa política de 2018. Não pode ser apenas a lógica de poder. E percebo muita gente fazendo isso, inclusive dentro do meu partido. Está errado isso.

    Fonte: Ana Maria Campos – Coluna “Eixo Capital” – Foto: Ricardo Vale/Divulgação – Correio Braziliense

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