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  • terça-feira, 14 de junho de 2016

    "CICLISMO » Para dar visibilidade à causa - (deficiente visual Adauto Belli tentará quebrar recorde mundial de velocidade urbana)

    Em bicicleta para duas pessoas, Weimar e Adauto vão encarar o desafio no sábado, na descida que liga os condomínios do Lago Sul à Ponte JK

    "Com um colega, deficiente visual Adauto Belli tentará quebrar recorde mundial de velocidade urbana, num desafio em defesa dos ciclistas"

    “Colocar o pé no pedal e poder sentir o vento no rosto e aquele frio na barriga.” É assim que o servidor público Weimar Pettengill, 44 anos, descreve a sensação dele ao subir numa bicicleta. Já para o companheiro de aventuras, Adauto Belli, 45, essa é uma versão romantizada do que eles aprontam país afora. Falta assumir que a coragem é a todo momento colocada à prova, como no próximo sábado. Os dois pretendem passar dos 120km/h pedalando sobre uma bike tandem (de duplas) na descida que liga os condomínios do Lago Sul à Ponte JK. O feito, marcado para as 16h, já entraria como o recorde mundial de velocidade urbana no Guinness Book, caso seja concretizado, mas há ainda um detalhe: Adauto é deficiente visual.

    “Eu me sinto como um passageiro de trem fantasma”, brinca Adauto, ressaltando que nem mesmo o vento no rosto chega a sentir porque o parceiro assume o banco da frente da bicicleta. Ele precisa fazer com que seus movimentos sejam totalmente sincronizados ao do ciclista que o guia. Qualquer ação dissonante pode resultar em acidente, ainda mais em alta velocidade. Embora não enxergue, ele conta com alta sensibilidade para acelerar ou aliviar nas pedaladas de acordo com a desenvoltura do companheiro.

    Embora Adauto diga hoje que deposita confiança total no parceiro, ele não esconde o receio que sentiu na primeira vez que subiu em uma tandem, por meio do projeto DV na Trilha — que propõe inserir pessoas com deficiência visual no ciclismo por meio da bike dupla. “A sensação foi de que o corpo estava brigando com a alma para definir qual pularia fora da bicicleta primeiro”, diz, ao tentar desmistificar a versão do colega de aventuras. Ao menos no fim, a experiência parece ter deixado um gostinho de quero mais — tanto que não parou por aí.

    Se, desta vez, a empreitada da dupla promete ser a mais rápida do mundo realizada dentro de uma zona urbana — com um dos mais belos cartões-postais de Brasília como cenário —, as anteriores impressionam por terem sido o oposto. A primeira aventura da dupla, que durou 18 dias, foi viajar de Brasília a Paraty (1,6 mil km) pela Estrada Real, também em cima de uma tandem, em 2009. Adauto topou o convite feito por telefone por um ciclista até então desconhecido para ele. Ainda assim, se encontrou com Weimar pessoalmente pouquíssimas vezes antes de partirem no desafio. A saga virou até livro, escrito pelo idealizador do que muitos chamaram de loucura.

    Daquele encontro surgia uma grande amizade. No mesmo ano, os dois correram juntos uma ultramaratona de 120km em 24 horas no Pantanal. Depois, em certa etapa da Brasil Ride — uma das principais competições de resistência de ciclismo de trilha do país —, os dois se reencontraram em momentos difíceis para cada um deles no evento. Weimar se deparou com Adauto chorando por não poder mais continuar na disputa: a bicicleta havia quebrado. O que o surpreendeu foi saber que Weimar, por sua vez, estava impossibilitado de continuar na prova, porque havia perdido o companheiro por lesão. O desfecho ficou óbvio: se juntaram para escrever mais um capítulo dessa relação de companheirismo em contextos extremos do esporte.


    Fonte: Maíra Nunes - - Foto: Alexssandro Loyola/Divulgação – Correio Braziliense 

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