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  • segunda-feira, 6 de junho de 2016

    Na onda do #Bicicross - - - (Brasilienses apaixonados pelo esporte incentivam os mais jovens)

    Os campeões Wellington Fernandes do Nascimento e Marco Túlio Bites Carvalho treinam na pista do Guará: luta em nome do esporte

    "Brasilienses apaixonados pelo esporte incentivam os mais jovens a aderirem à prática e, assim, retomarem a popularidade dos anos 1980. Há quatro pistas no Distrito Federal, mas apenas uma está em boas condições"

    Com a corrente tensionada e a explosão, a coroa e as duas rodas guiam os pilotos pelos altos e baixos do circuito. Os pés giram nos pedais a toda a velocidade que a tração pode produzir. O ponto de partida está um nível acima do trajeto sinuoso. Do visor do capacete, os olhos contemplam a pista e, então, a veloz descida que se desenrola segundos antes do primeiro salto. Pode ser um torneio em Santa Maria, um treino no Guará ou apenas um momento de lazer em Sobradinho 2. Em qualquer um dos casos, a adrenalina, a diversão e a amizade estão presentes na prática de bicicross no Distrito Federal. A capital tem, no total, quatro circuitos. O que apresenta melhor condição é a do Guará. Uma das maiores, a de Sobradinho, no entanto, está desativada, tomada por mato, lixo e entulho (veja Para esporte e diversão).

    São nesses cenários que os campeões Wellington Fernandes do Nascimento, 40 anos, com mais de 10 títulos nacionais; e Marco Túlio Bites Carvalho, 41, com cinco vice-campeonatos brasileiros e um título internacional, treinam e incentivam crianças e adolescentes a aderirem à prática. São jovens como João Henrique Vianna Ribeiro, 12, que se divertem nas curvas inclinadas ao mesmo tempo em que sonham com troféus.

    Esporte popular no Distrito Federal na década de 1980, o bicicross perdeu espaço na capital, que chegou a ficar sem pistas nos 10 anos seguintes. Entre 1990 e 2000, administrações regionais chegaram a ceder espaço para esses esportistas próximo às obras do metrô na Feira do Guará e no Mercadão Leste, no Setor Leste do Gama. Mas nenhuma delas durou muito tempo. Foi só no fim do século que se inaugurou o circuito da QE 23 do Guará 2, na Avenida Contorno.

    Wellington recorda o dia em que subiu a rampa de partida de uma pista de bicicross pela primeira vez. Ele começou a praticar o esporte aos 9 anos, em 28 de março de 1984, na antiga pista da 410 Sul. À época, tinha apenas o período de férias para se divertir no circuito com os primos. “Lembro-me que um primo meu participou de um torneio. No seguinte, eu já estava pedalando”, recorda. Nos períodos “entrepistas”, Wellington chegou a abandonar o esporte por cerca de dois anos, mas voltou com força total quando o trajeto do Guará ficou pronto. “Eu não parei mais. Hoje, para mim, é um hobby. Mas eu continuo treinando. Queremos melhorar a situação do esporte e das pistas no DF para que os mais jovens possam aproveitar o quanto aproveitamos”, revela.

    O plano de Wellington e Marco Túlio é montar uma escolinha em cada uma das pistas do DF. “À minha época, não tivemos nada estruturado, mas tinha pessoas interessadas em nos treinar”, conta. Marco Túlio ressalta o prazer das corridas e o fortalecimento dos laços de amizade nos campeonatos. Ele também começou a praticar na pista da 410 Sul. “Tinha um piloto chamado Golfinho, que nos ajudou. Hoje, temos de nos manter alertas para o cenário não enfraquecer no DF. É um esporte para famílias. Conhecemos gente em todo o Brasil. Tenho amigos na Colômbia também, além de pessoas que conhecemos em competições, mas que, depois, recebemos em casa ou visitamos nas férias”, explica.

    Para Marco Túlio, a interação é “mais importante do que qualquer título”. “Ganhamos amigos e irmãos. Agora, precisamos pensar na renovação. Gente nova, com energia, para nos tornarmos mais fortes; por isso demos início a uma associação em 2006”, destaca.

    Revitalização
    Aos 45 anos, o autônomo Diovani Ribeiro, que nunca pilotou uma BMX — modelo de bicicleta menor e compacta usada no bicicross —, declara seu amor pelo esporte radical. Morador de Sobradinho 2, ele apoia o esporte por causa do filho. Estudante do 7º ano do ensino fundamental, João Henrique Vianna Ribeiro começou a guiar a bike aos 9, por incentivo do pai e do tio. Nos últimos três anos, conquistou dois títulos e um segundo lugar. “Queremos garantir espaços para que jovens como o meu filho se sintam convidados a pedalar. Sem os circuitos, não conseguimos disputar em pé de igualdade com competidores de outros lugares. Os torneios também são cheios de surpresas, com pulos, quedas e ultrapassagens”, conta.

    O pai se preocupa com o futuro do esporte no DF. Ele alerta que os maiores campeões locais passaram dos 40 anos e que faltam pilotos de base em todas as regiões administrativas. João Henrique concorda. Segundo ele, nas competições das quais participou, só havia outro garoto da mesma idade. “Falta gente do meu tamanho nos campeonatos. Parece que, no DF, as pessoas pensam muito em futebol e esquecem que existem outros esportes. Eu comecei com uma BMX, brincando com amigos, mas o meu tio me incentivou a treinar. Sentimos adrenalina, vontade de correr, pular. É algo que não quero parar de fazer nunca”, diz o garoto.

    O administrador regional de Sobradinho, Divino Sales, afirma que é difícil estipular um prazo para a revitalização da pista de bicicross da cidade. Segundo ele, a administração enfrentou uma série de percalços, que atrasaram a obra. Agora, busca alternativas para recuperar o tempo perdido. “Chegamos a mandar limpar o local, mas o projeto para colocar a pista dentro dos padrões oficiais é muito caro. Decidimos, então, revitalizar o que temos, mas estávamos sem maquinário. Fizemos um contrato, e esse problema foi resolvido. Agora, buscamos a terra adequada para os trabalhos. Uma hipótese é conseguirmos uma licença do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) para extrair o material, que não temos. Outra, mais simples, é aproveitar o que for extraído em construções em Sobradinho”, conclui.

    “Queremos garantir espaços para que jovens como o meu filho se sintam convidados a pedalar. Sem os circuitos, não conseguimos disputar em pé de igualdade com competidores de outros lugares”
    (Diovani Ribeiro, pai de João Henrique, praticante da modalidade)

    Outra modalidade
    Na bicicross, pilotos de bicicletas BMX enfrentam um circuito fechado com rampas para saltos e curvas sinuosas. Na mountain bike, ciclistas usam bikes de marcha, maiores, mais leves e resistentes. Percorrem trajetos geralmente abertos e bem mais longos. O tipo de esporte testa a destreza de praticantes em subidas árduas e descidas acentuadas em trilhas acidentadas de cerrado, por exemplo. Recentemente, os praticantes ganharam um trajeto de treino fechado e urbano da modalidade, no DF, conhecido como XCO. A pista tem obstáculos como pedras, aclives e declives, além de um viaduto de palete que pode deixar o percurso maior ou mais curto, dependendo do caminho escolhido. O espaço fica em Águas Claras, próximo ao viaduto do metrô e da administração regional, e pode ser utilizado para treino ou lazer.


    Fonte:Luiz Calcagno – Foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

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