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  • domingo, 26 de junho de 2016

    #UnB, patrimônio valioso

    Por: Ana Dubeux

    A Universidade de Brasília é um templo. E deveria ser inviolável, mas está provado que não é. O recente protesto diante do Centro Acadêmico de Sociologia mostrou que o extremismo não encontra barreiras para propagar sua voz e sua ação. Trata-se de ousadia simbólica. Mas também de ameaça real. Quando digo que a UnB é um templo é porque tenho dela as referências mais impactantes em termos de uma educação livre, libertária, revolucionária. Seu câmpus aberto, sem barreiras, está impregnado pelas ideias de gente como Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, entre tantos outros fundadores, que mesmo expulsos pelos militares, deixaram o legado que ainda inspira os estudantes nos dias de hoje. Eu não estudei lá, mas tenho infindáveis relatos a respeito, do presente e do passado.

    Os ventos mudam de direção e a realidade impõe transformações. Na política, sobretudo. Mas também na forma de financiar e equacionar os problemas do país e, particularmente, na educação superior. É preciso profissionalizar a gestão, enxugar gastos, buscar recursos. Sabemos todos que faz parte da história da UnB ser lugar de acolhida de todos os matizes ideológicos. Sempre houve convivência de ideias e ideais. Sempre houve setores mais conservadores, mais liberais, mais radicais, mais tudo, como quiserem chamar, esquerda, radicais de esquerda, direita, ultradireita, reaças. O preocupante não é a existência de uns e outros, é a impossibilidade de uma convivência respeitosa e pacífica entre eles. Isso é o que tem de ser combatido.

    A UnB é — porque sempre foi e deve continuar sendo — vanguarda. A discussão sobre as cotas, raciais e sociais, partiu dela. Uma nova forma de ingresso no ensino superior, o PAS (Programa de Avaliação Seriada), partiu dela. Quantas e tantas outras ideias não estão sendo concebidas e testadas neste momento? Quantos políticos, ministros, juristas, médicos, biólogos, cientistas, enfim, não estão neste momento sendo formados ali? Não, não há espaço para mais nada a não ser o saber, a diversidade, a discussão pródiga, a ciência. Não deixemos entrar o crime, a homofobia, o racismo, a violência, a falta de respeito. Precisamos proteger nosso patrimônio mais valioso.


    (*) Ana Dubeux:  é editora chefe do Correio Braziliense - Foto/Iustração: Blog-Google

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