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  • quinta-feira, 28 de julho de 2016

    Brasília em busca de preservação - - ( Uma exposição e dois livros sobre a cidade marcarão os 80 anos do Iphan no Brasil e os 15 no DF. As iniciativas alertam quanto à conservação do patrimônio)

    Vista de parte da Superquadra 314 Norte: presença forte de verde e espaço livre para a circulação são algumas das riquezas da concepção de Lucio Costa

    Uma exposição e dois livros sobre a cidade marcarão os 80 anos do Iphan no Brasil e os 15 no DF. As iniciativas alertam quanto à conservação do patrimônio

    Brasília é conhecida mundialmente pela arquitetura moderna, erguida a partir dos traços de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Com apenas 56 anos, ostenta o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. E, mesmo com tanta história inserida em diversas regiões da cidade, que a riqueza, muitas vezes parece esquecida pelos moradores. É por isso que a superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no Distrito Federal, se empenha em fazer o resgate desse reconhecimento. A instituição preparou três projetos relacionados ao patrimônio da capital do país: a exposição Patrimônio arqueológico no Planalto Central; e os livros GT Brasília: memórias da preservação do patrimônio cultural do DF e Superquadra de Brasília — preservando um lugar de viver.

    Essa última publicação está disponível no site da entidade. É o primeiro volume de três, nos quais descreve a importância dessas áreas residenciais para a cidade. Com a Asa Sul e a Asa Norte, há 120 superquadras que contam com as linhas históricas de Lucio Costa. O propósito do material é fazer com que o conteúdo ganhe uma linguagem consistente, mas não técnica. “Nós queremos um diálogo com o morador de Brasília sobre a composição do espaço urbano da cidade. Como, por exemplo, as características, a livre caminhada e a valorização da arquitetura”, descreve o superintendente do Iphan no DF, Carlos Madson.

    A produção da publicação durou cerca de oito meses e teve diversas contribuições. Com o objetivo da leitura mais leve, boxes ilustram as páginas com possíveis dúvidas e também curiosidades. “O patrimônio é coletivo e pode servir de referência de um bem histórico. Deve ser valorizado por todos. Lucio Costa inovou os conceitos de superquadras”, explica Carlos.

    O mineiro de Paracatu Jarbas Gonzaga de Jesus, 59, veio para Brasília com 17 anos em busca de emprego. Há 42, tornou-se chaveiro na SQS 308, considerada uma das quadras modelo do Plano Piloto (leia Para saber mais). “A minha loja, para mim, é uma residência. Eu moro aqui e volto para o Gama só para dormir”, brinca. Nas horas vagas, diverte-se com os amigos ao lado do negócio. Com escalas de revezamento e sério comprometimento, eles disputam partidas de dominó até o cair da noite. “Aqui somos uma comunidade”, resume o comerciante.

    O casal paulista de servidores públicos Janaína e Rodrigo Belon está na capital há quatro anos. Com um filho recém-nascido, o pequeno Ulisses, eles procuraram dicas de onde viver na capital, até que a Asa Sul e o apartamento original em que vivem ganhou o coração deles. “Tem duas coisas que fazem daqui uma cidade única. Em qualquer lugar que você estiver, você vê o céu e árvores”, diz Rodrigo. Sônia Maria, tia de Rodrigo, reside em São Paulo e admite que, se tivesse 20 anos menos, mudaria para o DF sem pensar duas vezes.


    Acervo
    A outra publicação resulta dos anos de estudo do Grupo de Trabalho para a Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Brasília (GT/Brasília). Com isso, diversos materiais restritos a documentos se tornarão públicos. A equipe é a primeira a pesquisar o patrimônio moderno brasileiro, iniciada na década de 1980. Foram eles que montaram o dossiê para a apresentação de Brasília como Patrimônio Mundial. “É um material muito rico. Os assuntos tratados interessam muitas pessoas, além da informação que apresentam”, detalha o superintendente do Iphan no DF. Os livros serão distribuídos em escolas, bibliotecas, entre outros.

    Mas Brasília não se resume a urbanismo. É o que mostra a exposição Patrimônio arqueológico no Planalto Central, que revelará, por meio de painéis pantográficos, diversos documentos históricos do acervo do Iphan — o DF reúne 50 sítios arqueológicos registrados, com 8 mil a 11 mil anos, além das 67 cavernas identificadas. Com essa iniciativa, um dos objetivos do órgão é a criação de uma instituição de guarda e pesquisa desse material, pois o mais próximo do DF fica em Goiânia. “Esse evento é para dar visibilidade e também trabalhar na perspectiva da necessidade de se ter (um museu dese tipo). O que é nosso temos de manter aqui e não mandar para outros lugares”, queixa-se Carlos Madson.

    Os lançamentos fazem parte das comemorações dos 80 anos do Iphan no Brasil e dos 15 da superintendência no Distrito Federal. Como uma das instituições públicas mais antigas do país, é por meio dela que se refletem as ações de patrimônio ainda preservado. “O trabalho de atuação se iniciou antes mesmo da construção de Brasília, com o Catetinho. Apesar dos problemas enfrentados, não podemos negar que a cidade está preservada”, conclui Carlos. O evento que reunirá todos os projetos será realizado amanhã, às 18h, na sede do órgão. A exposição ficará no local até 30 de setembro.

    Para saber mais - Quadra modelo
    Inaugurada em 19 de fevereiro de 1962 e construída pelo Banco do Brasil, a SQS 308 é a única superquadra que seguiu rigorosamente o Relatório do Plano Piloto de Lucio Costa. Conhecida como quadra modelo, ela serve como referência para as demais construções da cidade. Todos os blocos revelam um dos lados de cobogós e o outro com fachadas coloridas e janelões de vidros, também conhecidos por Televisão dos candangos. Diferentemente do que se imagina, os prédios não foram projetados por Niemeyer, mas pelos arquitetos Marcelo Campello e Sérgio Rocha, casados com o paisagismo de Roberto Burle Marx. O Bloco H continua o mais fiel ao projeto, segundo informações da Prefeitura da SQS 308. Piso, pastilhas e guarita são as mesmas desde a inauguração. A quadra também é pioneira em garagem subterrânea. E a primeira a ter um lago de carpas. Lá, há Clube Vizinhança, Escola Classe, Escola Parque, Jardim de Infância, Espaço Cultural 508 Sul, posto de saúde, biblioteca, a Igrejinha de Fátima, cinema, teatro e supermercados.


    Fonte: Correio Braziliense – Fotos: Antonio Cunha/Esp.CB/D.A.Press – Carlos Moura/CB/D.A.Press 

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