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  • sexta-feira, 15 de julho de 2016

    Esmola e cidadania - - (Brasília está cercada de Brasil por todos os lados)

    Por: Severino Francisco

    A Administração do Sudoeste e o Conselho Comunitário de Segurança lançaram uma campanha contra a esmola no bairro. Eles alegam que a prática estimula o aumento do número de pessoas nas ruas e, em consequência, incentiva o aumento da violência. “Cidadania sim... Esmola não!” é a frase estampada no cartaz, distribuído em várias quadras. Os comerciantes e moradores estão incomodados com o assédio e a falta de segurança.

    De minha parte, gostaria de levantar algumas dúvidas sobre a eficácia do projeto. Deixar de conceder esmolas não me parece ser capaz de produzir uma solução mágica para resolver os problemas sociais graves que levam os desvalidos às ruas. Essa não é a primeira tentativa do gênero. Em 1996, o próprio GDF lançou uma campanha, com o slogan: “Não dê esmola, dê cidadania”. Era a continuidade de programa dos programas “Brasília diz não à prostituição” e bolsa-escola, lançados pelo então governador Cristovam Buarque.

    Havia uma rede de sustentação institucional que envolvia até o Unicef. No entanto, o projeto não teve sucesso porque a parte da cidadania permaneceu no plano do slogan. É importante que os cidadãos se mobilizem para resolver ou cobrar a solução de problemas. Certa vez, participei de uma reunião de condomínio sobre questões de segurança e alguém sugeriu: “Vamos fazer algo porque a polícia não faz nada”. Discordei veementemente. A polícia precisa fazer a parte dela.

    Os cidadãos do Sudoeste ou do Itapoã têm todo o direito de exigir das autoridades competentes segurança nas ruas. Mas imaginar que será possível criar uma bolha, uma ilha de fantasia, imune a todas as mazelas sociais é uma ilusão. Brasília está cercada de Brasil por todos os lados.

    Seria preciso uma articulação maior com o governo e instituições para que se tornasse efetivamente viável o caminho da cidadania. Esse gênero de solução desperta o senso crítico, principalmente em uma cidade criada sob o espírito coletivo comunitário, democrático e generoso.

    Os prédios não têm pilotis em favor da livre circulação de todos. Existem diversas ações que pressupõem ser possível criar bolhas de segurança absoluta dentro das cidades. Infelizmente, isso não é viável. A própria segregação espacial provocada pela transferência dos operários que construíram o Plano Piloto para as cidades da periferia teve e continua tendo consequências dramáticas para a história da cidade.

    No filme Branco sai, preto fica, mixagem de documentário, ficção e ficção científica, dirigido por Adirley Queiroz, que ganhou prêmios importantes em vários festivais internacionais de cinema, chegamos a uma situação extrema, em que é preciso passaporte para entrar no Plano Piloto. Espero que esse cenário permaneça no mundo distante da ficção científica.


    (*) Severino Francisco – Colunista do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

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